A Classe South Dakota foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo , , e . Suas construções começaram entre 1939 e 1940, sendo lançados ao mar em 1941 e 1942 e comissionados na frota em 1942. O projeto da Classe South Dakota foi ditado pela necessidade imposta pelo Congresso dos Estados Unidos dos navios possuírem o mesmo poderio de fogo e velocidade da predecessora Classe North Carolina, porém com maior blindagem em um casco menor que se mantivesse próximo do limite de 36 mil toneladas de deslocamento do Segundo Tratado Naval de Londres.
Os quatro couraçados da Classe South Dakota eram armados com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 207 metros, boca de 33 metros, calado de dez metros e um deslocamento carregado de mais de 45 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras a óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem com 310 milímetros de espessura.
Eles entraram em serviço no meio da Segunda Guerra Mundial, com o South Dakota e o Indiana participando da Campanha de Guadalcanal, enquanto o Massachusetts deu apoio à invasão do Norte da África e o Alabama reforçou a Frota Doméstica britânica. Estes dois últimos foram transferidos para a Guerra do Pacífico em 1943 e os quatro atuaram na escola de porta-aviões nas campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Todos foram descomissionados em 1947 e mantidos na reserva até a década de 1960, com o South Dakota e Indiana sendo desmontados e o Massachusetts e Alabama preservados como navios-museu.
Antecedentes Os dois couraçados da Classe North Carolina tinham sido designados para o programa de construção do ano fiscal de 1937, com o Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos se reunindo em 1936 a fim de discutir os dois couraçados do ano fiscal de 1938. O Conselho Geral defendeu mais duas unidades da Classe North Carolina, mas o almirante William H. Standley, o Chefe de Operações Navais, queria navios de um novo projeto. Isto significou que as construções não poderiam começar em 1938, assim foram designadas para o ano fiscal de 1939. Os trabalhos de projeto começaram em março de 1937 e o rascunho para dois couraçados foi formalmente aprovado em 23 de junho por Claude A. Swanson, o Secretário da Marinha. Características mais especificas foram definidas e aprovadas em 4 de janeiro de 1938, sendo formalmente encomendadas em 4 de abril.
O Congresso dos Estados Unidos autorizou mais dois couraçados do novo projeto, para um total de quatro, sob a Autorização de Deficiência de 25 de junho de 1938. Isto foi feito devido à deterioração da situação internacional na Europa e Ásia. A chamada "Cláusula do Escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres tinha sido acionada para que a marinha pudesse iniciar os trabalhos na sucessora Classe Iowa, mas nesse momento o Congresso estava disposto a aprovar apenas couraçados dentro dos limites prévios de 36 mil toneladas de deslocamento padrão. Várias deficiências da Classe North Carolina também seriam corrigidas, incluindo proteção subaquática insuficiente e turbinas a vapor mais modernas. Além disso, como a Classe North Carolina não tinha espaço suficiente para atuarem como capitânias, o primeiro navio da nova classe teria um convés a mais na torre de comando para esse propósito, porém este aumento de espaço e altura necessitou a remoção de duas torres de artilharia duplas de canhões de 127 milímetros.
Desenvolvimento Houve muitos debates sobre os requerimentos dos novos couraçados. A equipe de projeto criou várias propostas; um dessas era para um navio armado com nove canhões de 406 milímetros em três torres de artilharia triplas, convés blindado de 149 milímetros de espessura que deixaria a embarcação imune a disparos em mergulho a até 27 quilômetros de distância e uma velocidade máxima de pelo menos 23 nós (43 quilômetros por hora). O cinturão de blindagem principal era uma questão muito mais intratável; o canhões de 406 milímetros conseguiam penetrar 343 milímetros de blindagem, a mais espessa em um couraçado norte-americano na época, mesmo a 23 quilômetros de distância. O cinturão precisaria ter sua espessura aumentada para 393 milímetros para protegê-lo de seu próprio armamento, uma característica conhecida como "blindagem equilibrada", o que por sua vez aumentaria o peso para níveis proibitivos. Blindagem inclinada foi proposta para mitigar esse problema. Seria inviável usar blindagem inclinada em um cinturão externo, pois comprometeria a estabilidade. Em vez disso, um cinturão de blindagem interno poderia ficar atrás das placas do casco. Isto mesmo assim tinha sérias desvantagens, porque complicava o processo de construção e caso o cinturão fosse danificado, forçaria que as placas externas fossem arrancadas antes que ele pudesse ser consertado.
A fim de minimizar as desvantagens do cinturão inclinado, foi sugerido que ele poderia se inclinar para fora a partir da quilha e depois para dentro em direção ao convés blindado. Isto significaria que disparos a relativa curta-distância acertariam a parte superior do cinturão em ângulo, o que maximizaria a proteção. Entretanto, a eficácia da parte superior diminuía em distâncias maiores, pois projéteis em mergulho acertariam em um ângulo mais próximo da perpendicular, aumentando sua capacidade de penetrar a blindagem. O cinturão inclinado também diminuía a área que precisava ser coberta pelo convés blindado, economizando ainda mais peso. Isto permitia que o cinturão superior fosse mais espesso até um ponto que melhorava sua vulnerabilidade contra projéteis em mergulho. O cinturão interno também permitia que a extensão interior do fundo duplo fosse ampliada, dando aos couraçados um proteção subaquática melhor do que da Classe North Carolina. Essa ideia de um complexo cinturão duplamente inclinado acabou abandonada quando ficou aparente que um único cinturão inclinado poderia proporcionar um nível similar de proteção e economizar centenas de toneladas de peso.
thumb|esquerda|260px|Um dos desenhos de projeto preliminares da Classe South Dakota O comprimento do casco também foi um problema. Um casco mais longo geralmente equivale a uma velocidade máxima maior, porém necessita de mais blindagem para protegê-lo. Maquinários de melhor performance eram necessários para alcançar uma velocidade maior em um casco mais curto. A Classe South Dakota seria consideravelmente mais curta do que a Classe North Carolina, com 207,3 metros de comprimento contra 222,2 metros, assim os novos couraçados necessitariam de maquinários aprimorados com o objetivo de conseguirem manter a mesma velocidade máxima que navios mais longos. O projeto inicialmente era para uma velocidade máxima de 22,5 nós (41,7 quilômetros por hora), o que foi considerado suficiente para acompanhar couraçados inimigos e escapar de submarinos. Entretanto, mensagens de rádio cifradas da Marinha Imperial Japonesa foram decodificadas no final de 1936 e revelaram que o couraçado podia alcançar velocidades de 26 nós (48 quilômetros por hora).
Foi estimado que uma velocidade entre 25,8 e 26,2 nós (47,8 e 48,5 quilômetros por hora) seria possível caso os maquinários da Classe North Carolina fossem diminuídos suficientemente para caberem no casco da Classe South Dakota. Para que isso ocorresse as caldeiras foram inicialmente posicionadas diretamente acima das turbinas no mesmo arranjo que teria sido usado nos cancelados cruzadores de batalha da Classe Lexington. Este arranjo foi alterado várias vezes para que as caldeiras ficassem intercaladas com as turbinas, por fim terminando diretamentelado a lado. O sistema de propulsão foi arranjado o mais próximo possível, com os evaporadores e equipamentos de destilação sendo colocados dentro das salas de máquinas. Isto proporcionava espaço adicional suficiente atrás do cinturão principal para a adição de uma segunda sala de plotagem.
Nessa altura o processo de projeto já tinha estabelecido definitivamente que o casco teria 203 metros de comprimento entre perpendiculares e incorporaria um único cinturão interno inclinado. Entretanto, caso o Conselho Geral rejeitasse a proposta, os arquitetos navais produziram uma série de alternativas. Dentre estes estavam um couraçado mais longo e rápido com canhões de 356 milímetros em torres triplas, uma mais lento com canhões de 356 milímetros em torres quádruplas, um aprimoramento da Classe North Carolina e um com uma velocidade máxima de 27 nós armado com nove canhões de 406 milímetros em uma configuração similar à Classe North Carolina.
Discussões surgiram, frequentemente sobre a questão da velocidade. O almirante Arthur J. Hepburn, o Comandante Chefe da Frota dos Estados Unidos, recusou-se a permitir que os novos navios tivessem uma velocidade abaixo de 25 nós (46 quilômetros por hora), a Força de Batalha argumentava que pelo menos 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) era necessário para manter a homogeneidade da linha de batalha, enquanto o contra-almirante Charles P. Snyder, o presidente do Colégio de Guerra Naval, afirmou que um couraçado rápido era o ideal, mas a marinha continuaria a operar os antigos couraçados de 21 nós (39 quilômetros por hora) até pelo menos a década de 1950 e assim velocidade alta não era estritamente necessário. Uma velocidade baixa, crucialmente, significaria que a classe seria muito lenta para operar como escolta para a crescente frota de porta-aviões da marinha. O projeto de 203 metros era o único plano que poderia cumprir os requerimentos de velocidade, proteção e armamento. O projeto proposto foi aprovado no final de 1937, necessitando apenas de pequenas modificações para economizar mais peso e melhorar os arcos de disparo. Acomodações para a tripulação, até mesmo salas para os oficiais e refeitórios, foram reduzidas e aberturas para ventilação removidas, fazendo as embarcações dependerem completamente em circulação de ar artificial.
Projeto Características thumb|270px|Desenho da Classe South Dakota Os quatro couraçados da Classe South Dakota tinham 203 metros de comprimento da linha de flutuação, 207,3 metros de comprimento de fora a fora e boca de 32,97 metros. Seu deslocamento padrão como originalmente projetado era de 35 980 toneladas, aproximadamente 1,2 por cento em sobrepeso; o aumento considerável do armamento antiaéreo quando as embarcações foram comissionadas em relação ao projeto original elevou o deslocamento padrão para toneladas. O deslocamento carregado era de toneladas quando comissionados, o que lhes dava uma calado de 10,6 metros. No projetado deslocamento de combate de toneladas, o calado ficava em 10,3 metros com uma altura metacêntrica de 2,2 metros. O acréscimo de mais armas antiaéreas no decorrer da Segunda Guerra Mundial aumentou ainda mais o deslocamento carregado de todas as embarcações; por exemplo, o deslocamento do South Dakota chegou a 46,9 mil toneladas em 1945, enquanto o do Massachusetts alcançou toneladas com um carregamento emergencial.
O casco tinha uma proa bulbosa e extensões da quilha na popa, características compartilhadas com todos os couraçados rápidos norte-americanos. Entretanto, diferentemente da predecessora Classe North Carolina e sucessora Classe Iowa, a Classe South Dakota tinha os eixos de suas hélices externas nas extensões da quilha em vez dos eixos internos. O casco mais curto acabou resultando em uma melhor manobrabilidade em relação à Classe North Carolina, com os problemas de vibração desta tendo sido consideravelmente reduzidos. Segundo os historiadores navais William H. Garzke e Robert O. Dulin, o projeto da Classe South Dakota era o melhor "couraçado de tratado" já construído.