thumb|250px|Mapa das regiões latino-americanas Considerando os elementos dos quadros natural, humano e econômico, é possível distinguir na América Latina várias regiões geográficas, cujos limites nem acompanham as fronteiras dos países. Entretanto para efeitos didáticos, é importante respeitar essas fronteiras ao dividir a América Latina.
México
Atravessado em sua porção central pelo Trópico de Câncer, o México tem parte de seu território na zona intertropical e parte na zona temperada. Em função de seu relevo, entretanto, predominam climas desérticos e semidesérticos, ao norte, e frios e temperados na regiões mais altas.
O relevo mexicano caracteriza-se principalmente pela elevada cordilheira de Sierra Madre e por extensos planaltos. Na região tropical, em que a América do Norte se afunila e dá início à América Central, o relevo apresenta-se alto como uma gigantesca mesa e pontilhado por inúmeros vulcões. É o planalto do México, que em sua maior parte possui clima temperado úmido, devido a altitude. Circundando as duas cristas da Sierra Madre e o planalto do México, tanto no lado do oceano Pacífico como no do Atlântico, surgem planícies costeiras que se alargam bastante na península de Iucatã (sudeste do país). Em toda essa região, o clima é quente e úmido..
A rede hidrográfica mexicana é modesta, o rio de maior destaque é o Grande, na fronteira com os Estados Unidos. O México apresenta diferentes formações vegetais, que variam em função do clima. Nas regiões desérticas e semiáridas, como o deserto Mexicano, norte do país, predomina uma vegetação xérofila e arbustiva, que recebe o nome de chaparral. Na península de Iucatã e outras áreas do sul, há savanas entremeadas a florestas tropicais, que são mais ricas em espécies nas áreas quentes e úmidas. Nas porções mais altas do relevo, onde o clima é mais ameno, surge a floresta de coníferas. esquerda|thumb|Imagem de satélite do México.
Com cerca de 111 milhões de habitantes, o México possui uma densidade demográfica de 55 habitantes por quilômetro quadrado. Calcula-se que haja entre oito e nove milhões de mexicanos nos Estados Unidos, a maioria vivendo clandestinamente. Cerca de 800 mil mexicanos vivem anualmente nesse país, muitas vezes driblando a fiscalização das fronteiras, o que tem causado tensão entre os dois países e levou à criação de leis de imigração mais severas nos Estados Unidos.
Os estados norte-americanos na fronteira com o México (Califórnia, Arizona, Novo México e Texas), onde a mão-de-obra agrícola é insuficiente, são os mais procurados. Há migrantes que regressam ao México no final da colheita e outros, empregados e subempregados em diversas atividades nos Estados Unidos, habitam as cidades fronteiriças de Tijuana, Mexicali, Ciudad Juárez e Nuevo Laredo e atravessam a fronteira diariamente.
A população mexicana é composta principalmente de mestiços de índios com espanhóis, constituindo 70% do total. Os 30% restantes são, em sua maioria, índios, (maias, zapotecas, mixtecas, nahuas e outros). Os brancos de origem europeia são minoria.
A região metropolitana da Cidade do México é mais populosa da América Latina e a terceira do mundo, com aproximadamente vinte milhões de habitantes (2010 - U.S. Bureau of the Census). Seguem-lhe em tamanho as cidades de Guadalajara e Mérida, uma com quatro milhões de habitantes e outra com dois milhões de pessoas.
Mesmo sendo um país subdesenvolvido, o México possui um setor industrial bastante diversificado. As indústrias mais importantes são a petroquímica e a siderúrgica, beneficiadas pela grande riqueza mineral do território mexicano. O país é o primeiro produtor mundial da prata e tem no petróleo o seu principal de exportação. A agricultura responde por pequena parcela da renda nacional, sendo os principais cultivos feijão e milho, para consumo interno, e algodão, cana-de-açúcar, cacau, tomate, críticos, etc., para exportação.
O turismo também é uma importante fonte de renda, explorando as belezas naturais e o grandioso patrimônio histórico herdado dos astecas e maias. Atualmente, Cancún é o principal centro turístico mexicano.
América Central e Antilhas
thumb|direita|Por estarem localizados próximos ao Equador, os países hispano-americanos apresentam clima quente, amenizado pelos ventos e correntes marítimas. É comum, entretanto a formação de furacões produzidos por ventos que sopram em diferentes direções e se movem em alta velocidade. Na América Central, identificamos duas regiões: a continental e a insular, formada pelas Antilhas. A parte continental é um istmo entre a América do Norte e a América do Sul, apresentando bastante montanhoso junto ao Pacífico e transformando-se em elevados planaltos no lado do Atlântico. As Antilhas são constituídas por ilhas de várias extensões, que vão desde a península de Iucatã até a costa da Venezuela, no norte da América do Sul.
Os rios que percorrem a região são pequenos, mas dois grandes lagos (Manágua e Nicarágua) destacam-se na paisagem. O clima é tipicamente tropical e nas partes não elevadas do relevo aparecem áreas de florestas emaranhadas do tipo tropical.
A parte continental é ocupada por sete países independentes, enquanto as Antilhas reúnem 13 países independentes, muitos deles com reduzida e pequena população absoluta. Nas Antilhas existem também ilhas que são possessões (britânicas, francesas, holandesas e norte-americanas) e há ainda um país em situação especial, Porto Rico — um estado livre associado aos Estados Unidos, com o qual mantém, na prática, uma relação de dependência econômica.
A região abriga cerca de 78,3 milhões de habitantes, mais da metade das quais nas Antilhas. Cuba é o país mais populoso e os países das Pequenas Antilhas são os que apresentam densidades demográficas mais elevadas, devido principalmente à sua pequena extensão territorial. thumb|esquerda|upright|Entre os países do istmo, a Guatemala se destaca por ter sua população composta principalmente por índios e mestiços. Seus traços coloridos são herança da civilização maia. Nas Antilhas, os índios caraíbas foram praticamente extintos. Nos séculos XVI e XVII praticavam escambo com os europeus.
Nos países do istmo, o espanhol é a língua mais utilizada, mas há vários dialetos indígenas falados por minorias. Belize, Honduras e Panamá usam também a língua inglesa. Na composição étnica, predominam os mestiços de índios com europeus (sobretudo espanhóis), sendo El Salvador e Honduras os países que apresentam as maiores taxas de mestiços em sua população total. Na Costa Rica, os brancos de origem europeia são maioria; na Guatemala, predomina a população de origem indígena. Os negros, trazidos da África, são minoria na região, encontrando-se seu maior contingente em Belize, tal como é mostrado no brasão à sinistra do escudo, no centro da sua bandeira.
No arquipélago antilhano é marcante a influência europeia — inglesa, francesa, holandesa e espanhola —, misturada à dos descendentes de escravos negros trazidos da África. O resultado pode ser visto com construções de estilo europeu, muitos mestiços e dialetos derivados de línguas europeias e africana, como o papiamento, mistura de holandês, inglês, espanhol, português e dialetos africanos, e criollo.
Dos antigos habitantes da região — os aruaques, nas Grandes Antilhas, e os caraíbas, nas Pequenas Antilhas —, resta apenas uma minoria caraíba em Dominica. Até hoje os países centro-americanos vivem basicamente da agricultura, cultivando diversos produtos tropicais, como cana-de-açúcar, banana, café, fumo e algodão. A cana-de-açúcar, sobretudo nas Antilhas, destina-se à agroindústria, em geral controlada pelo capital transnacional, que cuida do beneficiamento, armazenamento e exportação da produção. Trindad e Tobago, ao contrário dos demais países das Antilhas, têm sua economia baseada na produção de petróleo.
Boa parte das Antilhas, tem no turismo sua mais importante fonte de recursos, recebendo milhares de visitantes anualmente. Os turistas visitam as Antilhas — ou as caraíbas, como preferem chamar a região — atraídos pelas belas praias, clima quente e preços mais acessíveis das passagens aéreas, diárias de hotel, refeições e passeios, se comparados aos de seus países de origem. Além disso, mercadorias das mais diversas procedências são vendidas nas Antilhas, sem cobrança de impostos (lojas denominadas, em inglês, tax free ou duty free).
Outra importante fonte de renda para as Antilhas é a criação de "paraísos fiscais" ou seja, centros financeiros onde os investidores não pagam impostos sobre as aplicações e operações financeiras e têm, além disso, garantia de sigilo bancário. Muitas vezes, paraísos fiscais — como as Ilhas Cayman, por exemplo — servem para aplicar o dinheiro ganho com atividades ilegais, como desvio de verbas, tráfico de drogas, de armas, etc.
A atividade industrial é pequena na América Central Continental. Destacam-se apenas algumas refinarias de petróleo, instaladas graças à localização geográfica, que facilita o transporte para os Estados Unidos e para a Europa, e indústrias que utilizam matérias-primas agrícolas, como é o caso do rum, bebida produzida a partir da cana-de-açúcar.
Guianas
thumb|direita|Mapa das Guianas na América do Sul. Duas Guianas são países independentes — a Guiana, com capital em Georgetown, e o Suriname, com capital em Paramaribo — e a terceira delas, a Guiana Francesa, é um departamento de ultramar francês. Sua capital é Caiena.
A maior parte da paisagem das Guianas é dominada pelo planalto das Guianas, que se apresenta como um bloco de terras soerguido como uma grande mesa, cujos pontos mais altos não ultrapassam 3.200 metros. É ocupado pela floresta equatorial e tropical e por trechos esparsos de campos e, por localizar numa área tipicamente tropical, apresenta clima quente e muito úmido. Acompanhando o litoral, aparece uma extensa planície, que abriga a maior parte da população regional. As economias da Guiana e do Suriname baseiam-se na extração de bauxita e outros minérios de alumínio e na agricultura. A cana-de-açúcar, o arroz e as frutas tropicais são as principais culturas.
Apesar de reduzida, a população das três Guianas destaca-se pela sua diversidade étnica e linguística. Há grande número de indianos, negros, mestiços e uma minoria de brancos e chineses. As línguas oficiais são as das antigas metrópoles — inglês (Guiana), neerlandês (Suriname) e francês (Guiana Francesa) —, embora também sejam faladas as línguas dos núcleos imigrantes, além de diversos dialetos indígenas e mestiços.
América Andina
thumb|esquerda|Países andinos
Embora os Andes atinjam também terras da Argentina, costuma-se denominar de América Andina o conjunto formado por Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile. Nessa região, que se estende por toda a vertente oeste da América do Sul, junto às águas do oceano Pacífico, destaca-se a cordilheira dos Andes, uma fantástica elevação montanhosa pontilhada por cumes cobertos de neve e muitos vulcões.
Alinhando-se no sentido norte-sul por mais de 6 mil quilômetros, essa cordilheira apresenta três quadros climáticos diferentes: os Andes equatoriais úmidos, recobertos por florestas e savanas, conhecidas por páramos; os Andes tropicais secos, onde aparecem desertos ou estepes conhecidas por punas; e, bem mais ao sul, os Andes glaciais, frios e úmidos, propícios ao desenvolvimento de coníferas.
Os países andinos enfrentam dificuldades naturais impostas pela cordilheira. Os transportes são sempre mais difíceis em áreas montanhosas e a intensidade da erosão prejudica as práticas agrícolas. Mas essas montanhas a vantagem de permitir a um mesmo país diferentes faixas climáticas e, portanto, uma produção agrícola bastante variada.