Honeymoon é o quarto álbum de estúdio da cantora americana Lana Del Rey. O seu lançamento ocorreu em 18 de setembro de 2015 sob a distribuição da gravadora Universal Music e afiliadas. As canções do CD começaram a ser concebidas em meados de 2014, pouco após a liberação do terceiro disco de originais da artista, Ultraviolence. Inicialmente, a cantora pretendia lançar uma reedição de seu último trabalho, mas editou-o como um novo disco depois de escrever grande parte do material até ao início de 2015. Neste trabalho, a musicista possui maior participação em seu processo criativo, produzindo-o inteiramente com o auxílio de Kieron Menzies e Rick Nowels. Honeymoon foi gravado nos estúdios Electric Lady Studios, em Nova Iorque, e The Green Building, na Califórnia, entre dezembro de 2014 e os meses iniciais de 2015.
Descrito por Del Rey como um disco "retrô-futurístico", Honeymoon deriva de gênero barroco pop com influências de estilos jazz e trap. Liricameente, reflete as emoções e humor de Lana Del Rey à época de sua escrita. Com canções que exploram temas como relacionamentos torturados, amargura, luxúria e, sobretudo, o escapismo e o anti-voyeurismo, é mais surrealista e menos autobiográfico que os lançamentos prévios da cantora. Considerado um dos mais aguardados de 2015, o disco foi recebido com análises predominantemente positivas pelos críticos de musica contemporânea, que elogiaram o seu conteúdo musical eclético e enfatizaram a sua natureza lírica por exibir uma artista "natural" e "autêntica", e descreveram-no como o melhor da carreira de Del Rey.
Comercialmente, obteve resultados positivos, mas extremamente inferiores aos lançamentos anteriores da cantora em razão da ausência de divulgação nos meios de comunicação para além das mídias sociais. Apesar de estrear em primeiro lugar nas tabelas musicais da Irlanda e Austrália, por exemplo, tornou-se o primeiro disco da artista a não registrar o feito em territórios britânico e escocês. Nos Estados Unidos, estreou na vice-liderança da Billboard 200, com mais de 116 mil unidades distribuídas, estabelecendo a segunda melhor semana de vendas de Del Rey em território americano, e conquistou a liderança da tabela de álbuns alternativos. Também conquistou uma colocação entre os dez mais bem-sucedidos em várias outras nações em sua primeira semana de vendas e comercializou, até ao início de 2016, mais de seiscentos mil exemplares em âmbito global.
Apesar de não se ter apresentado em programas televisivos nem ter realizado uma excursão promocional para o disco nas semanas que precederam o seu lançamento, a artista promoveu-o com o lançamento de alguns singles: o primeiro deles, "High by the Beach", foi lançado em 10 de agosto e recebeu aclamação dos críticos musicais. Comercialmente, no entanto, não obteve o mesmo reconhecimento. Posteriormente, foram disponibilizados como singles promocionais as faixas homônima e "Terrence Loves You", ambos bem-recebidos pelos críticos contemporâneos, mas verdadeiros fracassos comerciais. "Music to Watch Boys to" foi lançado como o segundo single do disco no dia 11 de setembro e, embora elogiado pelos especialistas, não obteve êxito comercial. Ao longo do segundo semestre de 2016, Del Rey realizou uma excursão por festivais nos continentes europeu e americano. Até à data, o seu último concerto foi realizado em novembro.
Antecedentes
Dias após o lançamento de seu terceiro disco de inéditas, Ultraviolence (2014), Del Rey tornou público o seu interesse em lançar um novo material. Inicialmente, a cantora apenas pretendia relançar Ultraviolence, mas, em dezembro de 2014, a intérprete revelou em entrevista à revista Galore Magazine que estava trabalhando em um projeto subsequente com os seus colaboradores de longa data, Dan Heath e Rick Nowels. A intérprete mencionou que teve uma ideia completamente distinta para um novo disco logo após liberar Ultraviolence e decidiu explorar o novo conceito. Um mês depois, a cantora revelou o título do projeto em entrevista para a Billboard; a artista também mencionou que havia concluído cerca de nove canções para o disco e afirmou ter desenvolvido a ideia do novo trabalho logo após o lançamento de Ultraviolence. Del Rey também revelou que incluiria um cover de "Don't Let Me Be Misunderstood" (1964), de Nina Simone, e que Honeymoon: "É muito diferente do último e mais parecido com os dois primeiros, Born to Die e Paradise (...) Está crescendo em algo de que eu realmente gosto. Eu estou meio que gostando de afundar nesse sentimento mais noir para esse novo. Tem sido ótimo".
No mesmo mês, a artista revelou em entrevista ao Los Angeles Times o título de uma das canções do projeto, "Music to Watch Boys to", e mais tarde o disc jockey (DJ) britânico Mark Ronson — responsável pela produção do êxito de Amy Winehouse, Back to Black (2006), e pelos trabalhos de Adele, Christina Aguilera e Paul McCartney — divulgou ter-se reunido com Lana Del Rey. "Farei algumas gravações com Lana Del Rey, achei um estúdio bacana em Los Angeles. Ela tem algumas músicas e eu disse que tenho ideias de demos", disse ele. Entretanto, Ronson afirmou posteriormente que as sessões em estúdio com a artista não foram produtivas. A produção do disco foi, então, assumida por Kieron Menzies, Rick Nowels e a própria intérprete. As sessões de gravação ocorreram em estúdios nos Estados Unidos. Todas as canções foram fonografadas no The Green Building, na Califórnia, a exceção de "Salvatore" e "Swan Song", cuja gravação foi realizada no Electric Lady Studios, em Nova Iorque. Todo o processo de masterização de áudio foi efetuado no Gateway Mastering Studios, em Portland, Maine.
Lançamento e encarte 254px|thumb|Observou-se nas cores utilizadas na arte de capa do disco — o vermelho, o branco e o azul — uma referência à bandeira dos Estados Unidos
As primeiras informações sobre o lançamento do sucessor de Ultraviolence foram divulgadas pela própria Del Rey em dezembro de 2014, enquanto que no mês seguinte a artista revelou que o disco seria intitulado de Honeymoon. Numa entrevista concedida a James Franco, ela explicou o motivo pelo qual escolheu tal título para nomear o projeto: "É a palavra que resume o sonho definitivo. Quero dizer, a vida é uma lua de mel. A vida, o amor, o paraíso, as liberdades… Isso é para sempre". Durante um concerto que realizara em Washington, nos Estados Unidos, em maio de 2015, Del Rey revelou que o mês previsto para o lançamento da obra era setembro. Meses depois, em 14 de agosto, por meio de seu perfil no Instagram, a cantora confirmou a data em que o material seria liberado. Em 20 do mesmo mês, ela revelou a lista de faixas do material e, no dia seguinte, divulgou a capa do CD, na qual aparece em um carro da Starline Tours, empresa de turismo especializada em passeios por Los Angeles. Registrada por Neil Krug, a imagem a caracteriza de forma pensativa e usando uma camiseta branca, óculos de sol e chapéu cor de rosa. Acima de Del Rey, é visto o seu nome escrito de cor vermelha e letra maiúscula, enquanto o título do álbum está escrito de cor azul e posicionado abaixo do nome da cantora. As cores utilizadas foram notadas como uma referência à bandeira dos Estados Unidos. No veículo, vê-se um número telefônico parcialmente encoberto, que forneceu atualizações semanais sobre Honeymoon. Mike Wass, do site Idolator, descreveu a imagem como um trocadilho inteligente que sintetiza a obsessão de Del Rey pela fama. O encarte do projeto — em sua maior parte registrado por Chuck Grant, irmã de Del Rey, e revelado em 12 de setembro por meio do Twitter das lojas Urban Outfitters — consiste em fotografias da artista posando como uma turista excursionando por locais de Hollywood, bem como de paisagens ensolaradas que contêm partes das letras das canções, e foi descrito pela revista Rolling Stone como uma das obras mais visualmente atraentes da intérprete.
Considerado um dos mais aguardados de 2015, Honeymoon foi lançado em formato físico e digital em lojas internacionais e virtuais, como Amazon.com, sendo que nos Estados Unidos o site Urban Outfitters disponibilizou uma versão exclusiva da obra em formato de vinil, que contém um livreto com dezesseis páginas e cuja arte de capa difere da versão padrão. Nesta, a ilustração exibe somente o rosto de Del Rey, que está olhando inexpressivamente para a câmera. O seu nome é visto na parte superior e o título do álbum na parte inferior, ambos ao centro e estilizados com letras maiúsculas e de cor vermelha. Tal edição apenas foi comercializada em outras regiões do planeta por meio do site da Universal Music. Disponibilizado para vendas antecipadas on-line em 21 de agosto, o disco assumiu a liderança da iTunes Store de 24 países, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, em apenas algumas horas. Aqueles que efetuaram a compra do material antecipadamente no iTunes receberam-no uma semana antes de seu lançamento, em 11 de setembro. Além disso, a loja Amoeba Music, de Los Angeles, comercializou Honeymoon previamente, em 17 de setembro, durante três horas. O lançamento oficial do disco ocorreu no dia seguinte, através de gravadoras subsidiárias da Universal Music. Nos Estados Unidos, Canadá e França, foi comercializado sob o selo da Interscope Records. Na Austrália, Brasil e Polônia, a distribuição ficou a cargo da própria Universal, enquanto no Reino Unido, Portugal, Nova Zelândia, entre outros, a editora discográfica responsável foi a Polydor Records e na Alemanha, a Vertigo Records.
Composição Temas e influências na composição
Ao anunciar o lançamento do disco, Del Rey referiu-se ao mesmo como muito diferente de Ultraviolence e mais parecido com Born to Die e Paradise. Em diversas entrevistas, a cantora revelou o seu interesse em desenvolver um disco influenciado pela "grande era de jazz" e contendo "refrões majestosos, coros, orquestras, [e] atmosferas que evocam os anos 1950 com um toque soft grunge", e caracterizou o novo trabalho como "retrô-futurístico". Numa entrevista concedida à revista Interview, Del Rey explicou o porquê de atribuir-lhe tal descrição, comentando que, inicialmente, o material foi concebido como um disco de jazz, mas ela e os seus produtores resolveram encaixar influências da música trap em algumas faixas, o que lhe conferiu tal sonoridade.
Em termos de composição musical, Honeymoon é considero um híbrido de todos os estilos abordados por Del Rey ao longo de sua carreira. Descrito como cinematográfico e melancólico, é um registro de gênero barroco pop, que incorpora elementos da música trap, jazz, blues, country, rock e dream pop. Notou-se que a sua produção minimalista apresenta o trabalho de instrumentos musicais variados, tais como sintetizadores discretos, linhas de guitarra que ecoam, saxofones, tambores e bateria, enquanto os vocais sobrepostos da artista são caracterizados por suspiros e sussurros que lhes conferem certa sensualidade. Liricamente, as faixas exploram temas comuns à discografia da artista, como romances torturados, a amargura, a luxúria, reflexões sobre a fama e o uso recreativo de drogas. A cantora, no entanto, definiu o projeto como menos autobiográfico que os seus discos prévios e "mais surreal, ao estilo 'Lucy In The Sky With Diamonds'", referindo-se à "fase mais LSD" dos Beatles. Trata-se também, ainda segundo Del Rey, sobre o anti-voyeurismo e o escapismo. Durante o processo criativo do disco, a cantora influenciou-se por escritores e músicos como Allen Ginsberg, Emily Dickinson, Miles Davis, The Moody Blues, Leonard Cohen, Bob Dylan, bem como pelo surrealismo das obras de Pablo Picasso e Federico Fellini.