Manuel Luís Osório, Marquês do Herval (Conceição do Arroio, 10 de maio de 1808 – Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1879) foi um marechal, político e monarquista brasileiro. De praça do Exército Imperial aos quinze anos de idade, galgou todos os postos da hierarquia militar de sua época, mercê dos atributos de soldado que o consagram como "O Lendário". Participou dos principais eventos militares do final do século XIX, sendo herói da Guerra do Paraguai. É o patrono da Arma de Cavalaria do Exército Brasileiro (1962).

Além de militar, Manuel Luís Osório era estancieiro.

Primeiros anos Manuel Luís Osório nasceu em 10 de maio de 1808, em terras que pertenciam à Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio (Rio Grande do Sul), que, posteriormente, tomou o nome de Osório, pelo motivo do seu nascimento naquelas plagas. Por ser um território muito extenso, foi dividido em dois: um abrangendo o litoral, o qual foi denominado Tramandaí; e outro o interior, que permaneceu com o nome de Osório. Embora as comissões demarcadoras tivessem se empenhado em deixar o local de nascimento de Manuel Luís Osório no município batizado em sua homenagem, pesquisas realizadas por um grupo de oficiais liderados pelo coronel de cavalaria Edson Boscacci Guedes, então chefe do Estado-Maior da 3ª Região Militar, localizaram a casa onde nascera o marquês do Herval, no município de Tramandaí, próximo aos limites com Osório, local transformado em parque histórico com o seu nome.Revista do Clube Militar - Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio: 40 anos de História . Nº 438 - agosto a outubro de 2010, pp. 16.

Manuel Luís Osório foi criado na fazenda do avô materno. Seu pai, Manuel Luís da Silva Borges, filho do casal descendente de açorianos Pedro Luís e Maria Rosa da Silveira, ambos naturais da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, na ilha de Santa Catarina. Ocupou a graduação de furriel em 1796, mas se rebelou quando presenciou um de seus superiores tratar mal um soldado, levando-o a ser preso e então fugir para alistar-se no exército de Dom Diogo de Sousa, capitão-general do Rio Grande, para lutar no Estado Oriental nas guerras de 1811 pelo controle do Rio da Prata, tendo combatido, ainda, no período de 1816 a 1821. Sua mãe, Ana Joaquina Luísa Osório, filha do tenente Tomás José Luís Osório e de Rosa Inácia Joaquina Pereira de Sousa, era natural de Santo Antônio da Patrulha e vinha de família proprietária de terras. A gleba de seus pais situava-se próxima à Lagoa dos Barros, local onde hoje está o Parque Marechal Osório.

Quando Manuel Borges vai à estância do Tenente Osório, consegue a estima do Tenente e de sua filha Ana Joaquina e se casam. A mulher que cuidou de Ana Joaquina, Dona Quitéria de Barros, não se agrada do casamento e convence o Tenente Osório e este desarda Ana Joaquina. O casal então transfere-se para a Conceição do Arroio, hoje a cidade Osório no Rio Grande do Sul.

Quarto filho de uma família proprietária de terras com 14 filhos, aprendeu a ler e escrever na fazenda do avô materno sem ter feito estudos regulares.

Infância Crescendo na estância de seu avô, Osório vive cuidando de gado e das lavouras. Aprendeu a montar o cavalo, nadar e dançar. Crescendo com seu pai, indagava seu pai sobre tudo, mas principalmente sobre as narrativas de guerra que seu pai vivenciara. O menino reunia as crianças da região para, com lanças e espadas feitas de madeira, recriavam as cenas que ele ouvia. Também tinha interesse na caça, podendo passar dias caçando, sem procurar casa, alimento ou cama.

A Conceição do Arroio não oferecia muito apoio para a educação, com apenas uma aula regida pelo sapateiro da Vila, Miguel Alves. Osório, aos 14 anos de idade, procura estudo na Vila de Salto, mantida pelo Capitão de Dragões Domingos José de Almeida.

Quando chega a notícia da Independência do Brasil na região, o Regimento de Silva Borges tem de ser posto em campanha. Então Manuel da Silva Borges obriga o jovem Osório a ir junto com ele, no intuito de fazê-lo cadete, algo que Osório não queria, preferindo o estudo, mas foi convencido por seu pai.

Em 1º de maio de 1823, com quinze anos incompletos, alistou-se como voluntário na Cavalaria da Legião de São Paulo, atual 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado, e acompanhou o regimento de seu pai na luta contra as tropas portuguesas do brigadeiro D. Álvaro da Costa, estacionadas na Cisplatina (atual Uruguai), durante a Guerra da Independência do Brasil (1822 - 1823). Contava apenas 15 anos quando teve seu batismo de fogo à margem do arroio Miguelete (13 de maio), nas proximidades de Montevidéu, em um combate contra a cavalaria portuguesa. Um ano depois, foi designado cadete e, mais tarde, alferes do 3º Regimento de Cavalaria da primeira linha.

Carreira militar thumb|Rótulo de cigarros com litografia de Osório, que participou de todas as lutas ocorridas no sul do país desde 1825, distinguindo-se em Sarandi (1825), Passo do Rosário (1828), na Revolução Farroupilha (1835 - 1845) e na batalha de Monte Caseros (1852).|286x286px

Em 1824, inscreveu-se na Escola Militar. Preparava-se para seguir os estudos militares quando sua inscrição foi anulada devido à guerra iminente no Sul do país. Teve de enfrentar nova campanha, na Guerra Cisplatina, entre 1825 e 1828. Em 12 de outubro de 1825, junto ao arroio Sarandi, sob o comando de Bento Manuel, o Alferes Osório combateu os orientais de Lavalleja à testa de seus lanceiros e se destacou não apenas por ser o único oficial do seu esquadrão a sobreviver à batalha de Sarandi, mas também por salvar a vida de seu comandante, que proferiu: "Hei de legar-lhe, Alferes, a minha lança, porque a levará aonde tenho levado". A lança, pertencente a sua neta Francisca Osório Mascarenhas foi deixada como herança para a Fundação Osório e hoje encontra-se junto ao acervo do 3.º RCGd (Regimento Osório) e é empunhada pelos seus comandantes em atividades festivas.

No início de 1827, Osório continuava em campanha na região de Santana do Livramento. Em 20 de fevereiro de 1827, na Batalha de Passo do Rosário (Ituzaingó), seus lanceiros foram o único corpo de tropa brasileira que não foi desbaratado durante a batalha. Em outubro, foi promovido a tenente e participou das conversações de paz com a desanexação da Cisplatina e reconhecimento da independência do Uruguai, acompanhando o General Lecór.

Firmada a paz, recolheu-se com seu regimento a Rio Pardo, onde passou a morar, consagrando-se à política pelo Partido Liberal. Em 15 de outubro de 1835, casou-se com a Sra. Francisca Fagundes, tendo como padrinho Emílio Mallet, que, posteriormente, lutaria a seu lado na Campanha da Tríplice Aliança. Em 1835, irrompia na província gaúcha a Guerra dos Farrapos, caracterizada por agitações separatistas que, por dez anos, ameaçou a unidade do Império. O tenente Osório, à época, servia o 2º Corpo de Cavalaria Ligeira, na Vila de Bagé, sob o comando do capitão Mazzaredo, que abandonou a praça e entregou-a aos farrapos. Osório conduziu seu superior até a fronteira e apresentou-se depois ao coronel Bento Manuel Ribeiro.

De espírito liberal, Osório teve simpatia pela causa farroupilha, combatendo inicialmente ao lado dos rebeldes, até a proclamação da República Rio-grandense (República de Piratini), em 1836, quando o movimento tomou feição separatista, o que ele não aceitou, motivo pelo qual integrou-se ao Exército Imperial, no qual permaneceu até o fim da revolta.COLUSSI, Eliane Lúcia. Plantando ramas de acácia: a maçonaria gaúcha na segunda metade do século XIX, PUCRS, junho de 1998. Participou, ainda, nos combates contra os rebeldes em Porto Alegre, Caçapava do Sul e Erval. Tornou-se capitão em 1838 e major em 1842. Em 1844, solicitou a sua reforma, mas o Exército não querendo dispensá-lo, nomeou-o tenente-coronel, comandante do 2º Regimento de Cavalaria de Linha. Auxiliou Caxias na feitura da paz de Poncho Verde, que se selou em 25 de fevereiro de 1845. Finda a Revolução Farroupilha, o imperador Dom Pedro II, ainda muito jovem, decidira visitar a Província com o fito de consolidar a paz firmada. Caxias confiou a Osório a delicada missão:

Foi eleito deputado provincial na 2ª Legislatura da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Sul.

Em 1851, como tenente-coronel, Manuel Osório é enviado mais uma vez a Montevidéu em virtude de nova instabilidade na região do escoadouro do Prata, intervindo com seu regimento contra o presidente argentino Rosas e uruguaio Oribe (Guerra contra Oribe e Rosas, 1851 - 1852). Evidenciou-se na Batalha de Monte Caseros, ocorrida nos subúrbios de Buenos Aires em 3 de fevereiro de 1852, quando, à frente do 2º Regimento de Cavalaria, na vanguarda das tropas brasileiras, inflige ao ditador Rosas o rompimento do seu dispositivo de defesa e comanda decisivas operações de aproveitamento do êxito e perseguição. Promovido a Coronel no campo de batalha, por merecimento, em 3 de março de 1852, esteve a servir, durante alguns anos, no Rio Grande do Sul.

No início de 1855, após breve instalação na guarnição do Jaguarão, Osório foi nomeado para comandar a fronteira de São Borja. Promovido a brigadeiro-graduado em dezembro de 1856, logo depois foi incumbido de organizar uma expedição para descobrir ricos ervais, entre os rios Pindaí e Sebolati, no Alto Uruguai. Bem-sucedido na missão, veio a receber mais tarde o título nobiliárquico: marquês do Herval. Mais tarde, foi designado inspetor de cavalaria do Norte do Brasil, onde permaneceu por pouco tempo.

Participou, no comando de uma divisão do exército comandado pelo Marechal João Propício Mena Barreto, de uma nova intervenção no Uruguai para ajudar os colorados de Venâncio Flores, aliados do Brasil, a assumir o poder no Estado Oriental. A invasão do Uruguai serviu de motivo para a intervenção militar paraguaia na política do Prata.

thumb|esquerda|A Rendição de Uruguaiana, por Victor Meirelles (1832 - 1903).

As agressões de Solano Lopez ao Brasil e à Argentina motivaram, em 1865, a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) contra o Paraguai. Ao eclodir a Guerra da Tríplice Aliança (1864 - 1870), Osório era o militar de maior prestígio no Prata, tendo atuado ininterruptamente por 42 anos em campanhas sucessivas. Por conta disso, recebeu, em 1º de março de 1865, o comando do I Corpo do Exército Imperial, instalando seu quartel general em Paissandu. Por força do acordo da Tríplice Aliança, entretanto, o comando geral das operações foi entregue ao general argentino Bartolomé Mitre, com quem Osório nem sempre se entendia bem.

Em 8 de julho de 1865, é promovido a marechal de Campo e participa da retomada de Uruguaiana. Em 18 de setembro, na presença de D. Pedro II, do Conde d'Eu e de vários oficiais-generais, dentre eles Osório e Caxias, ocorre a Rendição de Uruguaiana.

No início de 1866, Osório estuda com Tamandaré a maneira de atravessar o Rio Paraná. Na noite do dia 16 de abril, a tropa brasileira (10 000 homens) realiza a passagem no local conhecido por Passo da Pátria, sendo Osório o primeiro a pisar no solo inimigo.

Em 2 de maio de 1866, participou do Combate de Estero Bellaco, uma depressão de terreno pela qual as águas do rio Paraná se unem às águas do Rio Paraguai, onde o inimigo passou a retardar as tropas aliadas, buscando melhor posição para combater. Esteve presente, em 24 de maio de 1866, na Batalha de Tuiuti, o maior combate travado na América do Sul, na qual teve importante papel ao comandar o centro do dispositivo militar do exército brasileiro contra o ataque paraguaio. Registrou na Ordem do Dia nº 56: "A glória é a mais preciosa recompensa dos bravos". Em 15 de julho de 1866, ainda em Tuiuti, os aliados aguardavam a chegada das forças do General Porto Alegre, enquanto o inimigo fustigava diariamente. Gravemente ferido na batalha de Tuiuti e insatisfeito com o longo período da tropa estacionada, Osório passa o comando das tropas brasileiras ao General Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão.