A história dos Estados Unidos da América entre 1754 e 1783 caracteriza-se pelo início da deterioração das relações políticas entre as Treze Colônias britânicas na América do Norte e a sua metrópole, que levou ao início à luta pela independência por parte das Treze Colônias. A principal razão foi a presença política e econômica, forçada, cada vez maior do governo britânico dentro das Treze Colônias.

A luta foi de início, pacífica. Porém, as crescentes tensões entre as Treze Colônias e o Reino Unido levaram ao início da Revolução Americana de 1776, em 19 de abril de 1775. As Treze Colônias declararam oficialmente sua independência em 4 de julho de 1776. A guerra pela independência estendeu-se até 1783, quando as Treze Colônias americanas, com ajuda militar e financeira da França e da Espanha, derrotaram definitivamente os britânicos.

Unificação das colônias britânicas

Embora cada uma das colônias britânicas fosse muito diferente das outras, ao longo do século XVII e do século XVIII, diversos eventos e tendências ocorreram, que fizeram com que estas colônias se unissem em diferentes maneiras, e em diferentes degraus. Alguns destes tiveram início graças às raízes comuns das colônias, partes do Império Britânico, enquanto que outros eventos distanciavam as colônias do Reino Unido, e eventualmente levariam ao início da Revolução Americana de 1776, em 1775.

Em 1754, estas tendências foram discutidas no Congresso de Albany, onde Benjamin Franklin propôs que as colônias fossem unificadas por um Grande Conselho, que administraria uma política comum da defesa, expansão e assuntos indígenas dentro das Treze Colônias. Enquanto que o plano foi rejeitado pelo Legislativo de diversas das Treze Colônias e pelo Rei Jorge II da Inglaterra, o plano foi uma indicação que as colônias britânicas na América do Norte estavam indo em direção à unificação.

O Grande Despertar

Um evento que começou a unificar a religiosidade das Treze Colônias foi o Grande Despertar, um movimento de restauração do protestantismo, ou, na linguagem teológica, um avivamento. Ocorreu nas décadas de 1730 e 1740. O movimento iniciou-se com o pastor Jonathan Edwards, de Massachusetts, que desejava o retorno das raízes calvinistas dos peregrinos, e reacordar o medo de Deus. Um dos sermões mais conhecidos de Edwards é Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. Vários outros pregadores continuaram o movimento inglês. Entre eles estão George Whitefield, que viajava ao longo das colônias, discussando suas idéias através de um estilo dramático e emocional e os irmãos John e Charles Wesley.

As pessoas que foram atraídas pelas mensagens de Whitefield, e de outros pregadores que adotavam as idéias de Edwards e Whitefield, chamavam-se a si mesmos de "Novas Luzes", chamando as pessoas que decidiam em não juntar-se ao movimento de "Velhas Luzes". Uma manifestação do conflito entre ambos os lados foi o estabelecimento de um número de universidades, atualmente a Ivy League, incluindo a Faculdade Kings (atual Universidade de Columbia, Nova Iorque), e a Universidade de Princeton. O Grande Despertamento foi talvez o primeiro evento verdadeiramente "americano", e assim, representou ao menos um pequeno passo rumo à unificação das colônias.

O Grande Despertar também pode ser interpretado como a última grande expressão de ideais religiosos, ideais que causaram a fundação das colônias da Nova Inglaterra. A religiosidade entre a população americana havia caído por décadas, em parte por causa da publicidade negativa resultante dos julgamentos das Bruxas de Salém. Após o Grande Despertar, a religiosidade americana passou a cair gradualmente, embora depois viesse a crescer temporiaramente -em especial durante o Segundo Grande Despertar. Os próximos oitenta anos da história das Treze Colônias e dos Estados Unidos seriam marcados pelo secularismo, embora o Estados Unidos continuassem por muitos anos uma nação profundamente religiosa, e mesmo em tempos atuais, diversas regiões do país são profundamente influenciadas pela religião. Até hoje os escritos dos pregadores do período do Grande Despertamento são apreciados por evangélicos modernos.

A Guerra Franco-Indígena

miniaturadaimagem|George Washington liderando tropas durante a Guerra Franco-Indígena (1754-1763). A Guerra Franco-Indígena (1754-1763) é considerada uma extensão da Guerra dos Sete Anos, no continente americano. A Guerra Franco-Indígena, porém, teve início dois anos antes do início das primeiras batalhas da Guerra dos Sete Anos na Europa. A guerra na Europa foi motivada primariamente pela reivindicação da Áustria por territórios perdidos à Prússia durante a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-1748). Esta última guerra também estendeu-se às Treze Colônias, onde foram conhecidas como Guerra do Rei Jorge, em referência ao Rei Jorge III do Reino Unido.

A Guerra Franco-Indígena foi assim chamada por causa da confederação iroquesa, que esteve jogando os britânicos e os franceses na América do Norte uns contra os outros, com sucesso, por décadas a fio. Na Guerra Franco-Indígena, os iroqueses, notando a superioridade militar dos britânicos, aliaram-se com os franceses. Porém, mesmo assim, os franceses foram derrotados, e sob os termos do Tratado de Paris, a França cedia todos seus territórios na América do Norte, com exceção dos territórios a oeste do Rio Mississippi e New Orleans, que passaram ao controle espanhol. O atual estado americano de Vermont, bem como o norte do atual estado de Maine, eram parte antes das colônias francesas na América do Norte, conhecidas como Nova França.

A Guerra Franco-Indígena mudou culturalmente os colonos das Treze Colônias quando William Pitt, o Velho havia decidido que a guerra contra a França e suas colônias precisava ser vencida a todo custo. Pela primeira vez, a América do Norte foi um dos primeiros palcos do que pode ser chamado de uma guerra mundial. Durante a guerra, a identidade cultural das Treze Colônias como parte do Império Britânico chegara ao máximo, ao menos, na aparência, à medida que a presença e a influência de militares e oficiais civis britânicos nas Treze Colônias aumentava. A Guerra Franco-Indígena também aumentou a união americana, por diversas razões. A guerra fez com que homens, que normalmente nunca teriam deixado suas colônias, viajassem através do continente, lutando ao lado de homens decididamente diferentes, e, mesmo assim, americanos. Ao longo da guerra, oficiais britânicos treinaram oficiais americanos - notavelmente, George Washington - para a batalha. Este treinamento beneficiaria os americanos na revolução que iniciaria-se em 1775. Além disso, os governos das diferentes colônias precisaram trabalhar juntos intensamente, fortalecendo a cooperação entre elas.

Os britânicos e os colonos americanos, após o fim da guerra, haviam triunfado em conjunto sobre um inimigo comum. A lealdade das Treze Colônias à metrópole era mais forte do que nunca. Porém, as sementes da deslealdade das Treze Colônias em relação ao Reino Unido já haviam sido plantadas. O Primeiro-Ministro do Reino Unido, William Pitt, o Velho, decidira realizar a Guerra Franco-Indígena com fundos econômicos britânicos e colonos americanos como soldados. Esta estratégia foi bem sucedida durante a guerra, mas após o fim desta, cada lado acreditava que havia sofrido mais do que o outro. A guerra causou grande endivididamento do governo britânico, fato que acabou gerando crises econômicas e o aumento dos impostos no Reino Unido durante a guerra. A população do Reino Unido, que era após o fim da guerra o país com as maiores taxas de impostos da Europa, disseram ao Parlamento da Grã-Bretanha que suas colônias na América do Norte pouco pagavam impostos aos cofres britânicos. Por sua vez, os colonos americanos disseram que seus filhos haviam morrido em uma guerra que servia mais a interesses europeus do que aos interesses dos próprios colonos. Os britânicos responderam que a baixa disciplina dos colonos americanos faziam-nos soldados inferiores. A disputa seria resolvida através de uma cadeia de eventos que eventualmente causariam o início da Revolução Americana de 1776.

Laços ao Império Britânico

Embora as Treze Colônias fossem muito diferentes uma das outras, estas colônias ainda faziam parte do Império Britânico, não apenas em relação ao nome.

Socialmente, a elite colonial de Boston, Nova Iorque, Charleston e Filadélfia associavam sua identidade como britânica. Embora muitos membros da elite nunca pisaram no Reino Unido, os membros da elite destas cidades imitavam estilos de vestimenta, dança e etiqueta. A elite construía suas mansões segundo os padrões da Arquitetura Georgiana, copiava os desenhos de móveis e furnitura de Thomas Chippendale, e participavam de muitas tendências intelectuais da Europa, tais como o Iluminismo. Para muito de seus habitantes, as cidades portuárias das Treze Colônias eram verdadeiras cidades britânicas.

Muitas das estruturas políticas das Treze Colônias estavam baseadas em diversas tradições políticas inglesas, mais notavelmente, as tradições Whig e Commonwealthmen. Muitos colonos americanos à época viam os sistemas coloniais de governo como modelados na Constituição do Reino Unido da época - com o Rei correspondendo ao governador, a Casa dos Comuns à Assembléia Colonial e a Casa dos Lordes ao Conselho do Governador. Os códigos de lei das colônias eram muitas vezes simplesmente copiadas de leis britânicas; por isto mesmo, o sistema de common law sobrevive até hoje nos Estados Unidos da América. Eventualmente, foi uma disputa sobre o significado de alguns destes ideais políticos, especialmente representação política, que levou à Revolução Americana de 1776.

Outro ponto que as colônias tinham mais em comum do que diferente era a importação de produtos britânicos. A economia britânica começara a crescer rapidamente ao final do século XVII, e em meados do século XVIII, as fábricas do Reino Unido estavam produzindo muito mais do que a nação poderia consumir. Vendo as Treze Colônias como um mercado em potencial para seus produtos, o Reino Unido aumentou suas exportações às Treze Colônias em 360%, entre 1740 e 1770. Devido ao fato de os comerciantes britânicos oferecerem créditos generosos aos seus clientes, os colonos americanos passaram a comprar quantidades cada vez maiores de produtos britânicos. Desde a Nova Zelândia até a Geórgia, todas as colônias do Reino Unido compravam produtos similares, assim criando uma espécie de identidade britânica comum.

Da união à revolução

Até o fim da Guerra Franco-Indígena, o Reino Unido anteriormente preocupava-se primariamente com assuntos dentro da Europa, e deixava as colônias a se auto-governar. A Guerra Franco-Indígena, porém, criou sérios problemas para os britânicos. Após a guerra, primeiramente, o território controlado pelo Reino Unido na América do Norte mais do que duplicou, significando gastos extras com tropas para a defesa destes novos territórios. Além disso, o Reino Unido gastara muito dinheiro durante a Guerra dos Sete Anos em geral, criando sérios problemas econômicos, como um aumento de 100% na dívida nacional. Para resolver estes problemas, o governo do Reino Unido passou a aprovar uma série de atos e medidas que restringiam a liberdade dos colonos americanos ou criavam novos impostos. Com o fim da guerra, a aprovação desta série de atos e medidas foi a principal responsável pela deterioração entre as relações anglo-americanas ao longo dos próximos treze anos, o que culminou na guerra pela independência, em 1775.

Crescentes atritos