thumb|right|305x305px|Bem-Aventurada Virgem Maria das Mercês para a Redenção dos Cativos
A Ordem Real, Celestial e Militar de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos, também conhecida como Ordem de Nossa Senhora das Mercês (do Latim: Ordo Beatae Mariae de Mercede redemptionis captivorum), ou apenas Ordem dos Mercedários, é uma Ordem Católica Romana Mendicante fundada em 1218 por São Pedro Nolasco na cidade de Barcelona (Principado da Catalunha, Coroa de Aragão - atual Espanha), com apoio do rei Jaime I de Aragão e do bispo de Barcelona, Berenguer de Palou, para a redenção de cristãos cativos.Ann Ball, 2003 Encyclopedia of Catholic Devotions and Practices ISBN 0-87973-910-X page 525Mary's Praise on Every Tongue: A Record of Homage Paid to Our Blessed Lady by Chandlery Peter Joseph 2009 ISBN 1-113-16154-X page 181
Os seus membros são comumente conhecidos como freis ou frades mercedários. Uma das características da Ordem de Nossa Senhora das Mercês é que, desde a sua criação, os seus membros fazem um quarto voto: morrer, se preciso for, por quem estiver em perigo de perder a sua fé. A Ordem atualmente está presente em 17 países.
O título Nossa Senhora das Mercês foi atribuido à Maria de Nazaré em 1218, devido um sonho/visão de três autoridades: Pedro Nolasco, Raimundo do Peñafort e Jaime da Espanha, que a viram pedir que libertassem os cristãos escravizados pelos muçulmanos.
Informações Gerais miniaturadaimagem|Fotografia da Basílica de la Mercè, localizada em Barcelona, Catalunha. Entre os séculos VIII e XV a Europa medieval estava em um estado de guerra constante, em decorrência do expansionismo do mundo muçulmano. Os cristãos pegaram em armas para se defender do avanço dos discípulos de Maomé. Os árabes conseguiram subjugar o Norte da África, a maioria da Espanha, o sul da França e a Sicília, fazendo do Mediterrâneo, anteriormente um Mar Romano, agora um Mar Muçulmano. Nas terras cristãs, nas lutas diárias, os Sarracenos pilhavam tudo o que podia ser transportado: animais, alimentos, manufaturas, metais preciosos, dinheiro e, especialmente, homens, mulheres e crianças que poderiam ser vendidos como escravos por um bom preço. A pirataria e a escravidão no Mar Mediterrâneo foram meios agressivos e violentos usados pelos muçulmanos para intimidar os seus inimigos cristãos e, acima de tudo, para obter grandes lucros de maneira fácil.
Por mais de seiscentos anos, esses constantes conflitos armados produziram numerosos prisioneiros de ambos os lados. Os prisioneiros sob o controle do islã foram transformados em escravos e submetidos ao domínio absoluto de seus proprietários mouros. Tais eram as condições de inúmeros cristãos nos países da Europa meridional no século XIII.
Nos territórios da Península Ibérica dominados pelos Visigodos, cristãos e muçulmanos acostumaram-se a comparar e vender cativos. Nos territórios sob as leis sarracenas os cativos eram, também, usados como meios de troca nas transações comerciais. Nesse contexto, no século X, mercadores da região de Andaluzia formavam caravanas para comprar escravos na Europa ocidental. No século XIII, assim como os temperos, os escravos constituíam um dos bens mais comercializados nos portos cristãos e muçulmanos.
Antes da Primeira Cruzada, muitos hospícios e hospitais foram organizados pelos capítulos das catedrais ou por ordens monásticas. No âmbito da organização comum das cidades, instituições de caridade locais foram estabelecidas por confrarias, por guildas ou individualmente por leigos bem-sucedidos preocupados com a salvação de suas almas.
Instituições de caridade de base mais ampla e aristocraticamente financiadas foram mais bem sucedidas e conhecidas, e os episódios de resgate aristocrático e até mesmo real e suas condicionantes foram objetos de crônicas e romances. Os cavaleiros da original Ordem de São João (os Cavaleiros Hospitalários) e os Cavaleiros Templários são conhecidos pelo impacto de suas obras de caridade organizadas sob os valores religiosos da Alta Idade Média. Pedro Nolasco
Fontes sobre a origem dos Mercedários são escassas e quase nada se sabe sobre o fundador, São Pedro Nolasco. Uma narrativa desenvolvida entre os séculos XV e XVII culminou com a canonização de Nolasco em 1628.
Os dois primeiros relatos, escritos em meados do século XV pelos cronistas mercedários Nadal Gaver e Pedro Cijar, declaram o fundador, filho de um mercador, ser de uma vila francesa chamada Mas-Saintes-Puelles, próxima da cidade de Castelnaudary,Allaria, Anthony. "St. Peter Nolasco." The Catholic Encyclopedia. Vol. 11. New York: Robert Appleton Company, 1911. 22 Feb. 2013 no atual departamento de Aude. Um relato mais completo da vida de Nolasco, escrito por Francisco Zumel apareceu em 1588 e é a base para a biografia que consta no Acta Sanctorum, segundo o qual Nolasco vem de uma linhagem aristocrática e suas credenciais como uma figura catalã são estabelecidas com evidências da migração de sua família para Barcelona. Todos os biógrafos concordam que, em algum momento de sua juventude, Nolasco ficou preocupado com a situação dos cristãos capturados nas invasões mouras e que ele decidiu criar uma ordem religiosa para ajudar esses infelizes.
Nolasco começou a resgatar cativos cristãos em 1203. Depois de quinze anos de trabalho, ele e seus amigos viram que o número de cativos foi crescendo dia a dia. Seu plano foi estabelecer uma ordem religiosa redentora bem-estruturada e estável, sob o patrocínio de Maria Santíssima.
A Fundação da Ordem A Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria da Misericórdia (ou Ordem das Mercês, O. Merc., Mercedários, Ordem dos Cativos, ou Ordem de Nossa Senhora das Mercês) foi uma das muitas dezenas de associações que surgiram na Europa durante os séculos XII e XIII como instituições de caridade. O trabalho dos mercedários estava em resgatar os cristãos cativos (escravos) de mãos muçulmanas, especialmente ao longo da fronteira que a Coroa de Aragão compartilhava com a Al-Andalus (Espanha Muçulmana).
A Ordem das Mercês, um movimento popular de piedade pessoal organizado primeiramente por Nolasco no início do século XIII, foi concebida para libertar homens comuns que não possuiam meios de negociar suas liberdades, os “pobres de Cristo”.
Origens A partir do ano 1192 certos nobres de Barcelona tinha formado uma confraria com o objetivo de cuidar de doentes nos hospitais, e também de resgatar cristãos cativos dos mouros.Besse, Jean. "Mercedarians." The Catholic Encyclopedia. Vol. 10. New York: Robert Appleton Company, 1911. 22 Feb. 2013 A tradição conta que em torno de 1218, Nolasco e o Rei Jaime I de Aragão, experimentaram separadamente uma visão da Virgem Maria, que lhes pediu para fundar uma ordem religiosa dedicada a resgatar os muitos cristãos detidos pelos muçulmanos."Our Lady of Mercy", Latin American Titles of Our Lady O confessor de Nolasco, Raimundo de Penaforte, um frade dominicano e ex-cônego de Barcelona, encorajou-o e ajudou-o nesse projeto. O rei Jaime I também estendeu sua proteção a Nolasco.
Em 10 de agosto de 1218,Order of the Blessed Virgin of Mercy a nova ordem religiosa para o resgate de cativos foi oficialmente e solenemente constituída sob o altar principal da tumba de Santa Eulália na Catedral da Santa Cruz (também conhecida como Catedral de Santa Eulália) em Barcelona. O bispo Berenguer de Palou II deu a Nolasco e seus companheiros o hábito religioso branco que usariam como característica da Ordem. O bispo os colocou sob as Regra de Santo Agostinho como norma para suas vidas em fraternidade e deu sua autorização para que o símbolo de sua Catedral, a Santa Cruz, fosse utilizada em nos hábitos da Ordem. Depois disso, Nolasco e os primeiros mercedários fizeram suas profissões religiosas diante do bispo. Sua sede era o Mosteiro de Santa Eulália de Barcelona, que serviu como primeiro convento mercedário e como casa de acolhida para os primeiros prisioneiros resgatados.
Registros Documentais thumb|A Basílica das Mercês em Barcelona, onde a Igreja Matriz Mercedária foi construída em 1267.|192x192px
Reconstruir o início da Ordem a partir de registros documentais produz menos detalhes da narrativa. Pelos registros documentais no ano de 1218 não aparece nenhuma referência a Nolasco. O fundador aparece pela primeira vez em 1226 como um coletor de esmolas em Perpinhã (divisa do sul da França com o norte da Espanha). Em 1230 ele estava coletando esmolas em Barcelona para a redenção de cativos como o chefe de uma pequena confraria. No dia 12 de agosto de 1230, Maimó Gombal, morador de Barcelona e dono de algumas propriedades, colocou em seu testamento que cem scudi deveriam ser entregues a Nolasco para a libertação de prisioneiros cristãos. Esse tipo de benfeitoria não era incomum, nem em quantidade e nem em intenção, para os catalães daquela época. O que diferencia esse testamento em particular é que ele contém a primeira informação do trabalho de redenção de cativos realizado por Pedro Nolasco. Documentalmente, nada se sabe sobre Nolasco antes de sua aparição no testamento de Maimó.Brodman, James William, Ransoming Captives in Crusader Spain:The Order of Merced on the Christian-Islamic Frontier], 1986
Durante os próximos seis anos, a confraria evolui lentamente para uma ordem religiosa, na medida em que seus membros adquiriam propriedades na Catalunha. Enquanto Nolasco, em todos os relatos, estabeleceu pela primeira vez o seu movimento em Barcelona e, em seguida, em Mallorca, suas primeiras aquisições documentadas ocorreram no Reino de Valência. Aqui circunstâncias especiais associadas com a fronteira (uma abundância de novas terras à espera de fixação cristã e um lugar para a prática de libertação de prisioneiros) criaram um ambiente ideal para a nova Ordem. Consequentemente, a preponderância do que os Mercedários viriam a possuir aqui eram de terras doadas pelo rei, por cavaleiros das cruzadas e por outros patronos.
Em 1235, o Papa Gregório IX concedeu aos Mercedários reconhecimento formal como uma Ordem Religiosa sob as Regras de Santo Agostinho. A pequena Ordem ganhou membros adicionais, propriedades e apoios nas décadas de 1250 e de 1260. Embora evidências sejam escassas, assume-se que esse apoio veio em reconhecimento aos trabalhos da Ordem na libertação de prisioneiros cristãos em uma zona de guerra que permaneceu bastante ativa. O crescimento da Ordem, entretanto, causou tumulto institucional. O resultado mais visível foi a sua reorganização em 1272 pelo novo mestre, Pere d’Amer. Jaime I, cujos descendentes alegam ser o fundador da Ordem Mercedária, teve, de fato, nenhum contato documentado com a Ordem até o final da década de 1230 e início da década de 1240, no momento em que ele concedeu formalmente terras ex-muçulmanas em Valência, especialmente o Santuário de Santa Maria del Puig, santa patrona do reino. Na década de 1250 o patrocínio real torna-se evidente quando o rei concede à Ordem Mercedária seu guidaticum (proteção diplomática), privilégios econômicos e, pelo menos temporariamente, o importante Santuário de São Vicente na cidade de Valência. Reivindicações dos reis Jaime II e Pedro IV sobre a criação real da Ordem Mercedária não refletem a história real, mas suas próprias intenções sobre os recursos financeiros e pessoais.
Constituições da Ordem Mercedária thumb|200px|left|Convento das Mercês, fundado em 1607, é um convento Mercedário, que agora serve como uma igreja, na pequena cidade de Valdunquillo, no norte de Castela. No prefácio da primeira Constituição da Ordem Mercedária de 1272, três elementos muito importantes referente à fundação são encontrados: o nome, o fundador e o propósito da Ordem.