Taxi Driver () é um filme estadunidense de 1976, dirigido por Martin Scorsese, dos gêneros thriller psicológico e drama. Escrito por Paul Schrader, o filme é ambientado na degradada cidade de Nova York no contexto pós-Guerra do Vietnã. É estrelado por Robert De Niro no papel do ex-fuzileiro naval e atual taxista Travis Bickle, cujo estado mental se deteriora enquanto trabalha à noite na cidade, eventualmente tendo um colapso nervoso e tornando-se um justiceiro. O filme também é estrelado por Jodie Foster, Cybill Shepherd, Harvey Keitel, Peter Boyle, Leonard Harris e Albert Brooks em seu primeiro papel no cinema.
Tomando The Wrong Man (1956) e A Bigger Splash (1973) como inspirações, Scorsese queria que o filme parecesse um sonho para o público. As filmagens começaram no verão de 1975 em Nova York, com atores aceitando cortes de salários para garantir que o projeto pudesse ser concluído com um baixo orçamento de US$ 1,9 milhão; sua produção foi concluída no mesmo ano. Bernard Herrmann compôs para o filme o que seria sua trilha sonora final; a música foi concluída poucas horas antes de sua morte e o filme acabou sendo dedicado em sua memória.
Lançado nos cinemas pela Columbia Pictures em 8 de fevereiro do ano seguinte, o filme foi um sucesso comercial e de crítica, apesar de gerar controvérsia tanto por sua violência gráfica no clímax final quanto pela escalação de Foster, então com doze anos de idade, como uma prostituta infantil. O filme recebeu vários prêmios, incluindo a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1976 e quatro indicações ao 49º Oscar, incluindo Melhor filme, Melhor ator (para De Niro) e Melhor atriz coadjuvante (para Foster).
Embora Taxi Driver tenha gerado mais controvérsia anos depois por inspirar a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan por John Hinckley Jr. em 1981, o filme permaneceu popular. É considerado um dos maiores filmes já feitos e um dos mais culturalmente significativos e inspiradores de seu tempo, conquistando status de cult. Em 1994, o filme foi considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente" significativo pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e foi selecionado para preservação no National Film Registry.
Enredo
Travis Bickle é um jovem de 26 anos, frustrado, alienado e misantropo do meio-oeste dos Estados Unidos, que alega ter sido recentemente dispensado do Corpo de Fuzileiros Navais. Ele sofre de insônia e consequentemente arranja um emprego como taxista na cidade de Nova Iorque, oferecendo-se para trabalhar no turno da madrugada. Travis passa o seu tempo livre assistindo a filmes pornográficos em cinemas imundos, dirigindo sem rumo pela periferia de Manhattan. Também observa Nova York de seu táxi e irrompe com violência contra o que julga ser a escória que contamina a cidade.
Travis é incomodado pelo que considera o declínio moral a seu redor, e quando Iris, uma prostituta de 12 anos de idade, entra no seu táxi certa noite para fugir de um cafetão, Travis torna-se obcecado em salvá-la, apesar da completa falta de interesse da jovem pela ideia. Ela explica que estava drogada quando tentou fugir e que o cafetão, Sport, é na verdade uma pessoa gentil e prestável.
Travis é também obcecado por Betsy, que trabalha no comitê eleitoral do senador Palantine, candidato à presidência, cuja campanha promete mudanças sociais drásticas; Travis também decide apoiar a candidatura de Palantine após conhecer Betsy. Ela inicialmente fica intrigada com Travis e, identificando-se com sua própria solidão, concorda em sair com ele. No encontro, entretanto, Travis ingenuamente leva-a para ver um filme pornô e a moça o abandona, perturbada.
Na tentativa de encontrar uma saída para suas frustrações, Travis inicia um programa de intenso treinamento físico. Um colega taxista o encaminha para um traficante ilegal de armas, Andy "Marcha Lenta", de quem Travis compra quatro revólveres. Em casa, Travis pratica o uso de suas armas e modifica uma para permitir que ele a esconda embaixo de sua manga e a use de maneira mais ágil. Ele também começa a participar dos comícios de Palantine para garantir sua segurança. Uma noite, Travis entra em uma loja de conveniência momentos antes de uma tentativa de assalto à mão armada e atira fatalmente no ladrão; para ajudá-lo a escapar da prisão, uma vez que o porte de armas de Travis é ilegal, o dono da loja assume a responsabilidade pela ação, reivindicando uma das armas de Travis como sua.
Travis procura Iris, através de seu cafetão Sport, e duas vezes tenta convencê-la a parar de se prostituir, um esforço que a convence parcialmente. Depois de um café da manhã com Iris, Travis lhe envia uma carta contendo dinheiro, implorando para ela voltar para casa. Travis corta seu cabelo em um moicano e participa de uma manifestação pública onde ele pretende assassinar Palantine; Travis chega a quase sacar uma de suas armas, mas os agentes do Serviço Secreto o notaram colocando a mão dentro do casaco. Ele quase é pego, mas escapa com sucesso do comício.
Naquela noite, Travis dirige para o bordel de Sport no East Village. Travis atira em Sport, causando um tiroteio; ele atira em um gângster na mão, mas Sport se levanta e atira no pescoço dele antes que Travis o atinja novamente. Então o cliente de Iris entra pela porta do quarto e atira no braço dele e Travis o mata com a sua arma escondida na manga. Ele é atacado pelo gângster novamente, que esfaqueia a sua mão, mas Travis finalmente atira nele mortalmente antes de Iris começar a chorar desesperada. Quando a polícia chega, Travis tenta suicidar-se com um tiro na cabeça, mas fica sem munição e desmaia devido à perda de sangue.
O tiroteio de Travis é visto pela polícia e pela imprensa como uma tentativa de resgatar Iris de bandidos armados. Travis acaba não respondendo criminalmente e é aclamado como um herói local na imprensa. Ele recebe uma carta do pai de Iris, agradecendo por salvá-la e revelando que ela voltou para casa em Pittsburgh, onde está indo para a escola. Após semanas de recuperação e retorno ao trabalho, Travis encontra Betsy na rua dando sinal para pegar o seu táxi; Travis a leva para casa, mas se recusa a deixá-la pagar a tarifa, indo embora com um sorriso. Quando Travis se afasta, ele fica subitamente agitado depois de notar algo em seu espelho retrovisor antes dos créditos finais surgirem.
Elenco Robert De Niro como Travis Bickle Cybill Shepherd como Betsy Jodie Foster como Iris Steensma Peter Boyle como "Mágico" Harvey Keitel como Matthew "Sport" Higgins Leonard Harris como Senador Charles Palantine Albert Brooks como Tom Martin Scorsese como um passageiro do táxi de Travis Victor Argo como dono de mercado Steven Prince como "Marcha Lenta", vendedor ilegal de armas
O diretor Martin Scorsese faz uma participação especial dupla, primeiro ao fundo durante a primeira aparição de Betsy e mais tarde como um passageiro desequilibrado no táxi de Travis que pretende assassinar sua esposa infiel por tê-lo traído com um homem negro.
A atriz Diahnne Abbott, que mais tarde se tornaria esposa de Robert De Niro na vida real, interpreta uma atendente de lanchonete do cinema adulto que rejeita as investidas flertantes de Travis.
Produção Desenvolvimento Martin Scorsese afirmou que foi Brian De Palma quem o apresentou a Paul Schrader com a ideia de Taxi Driver concebida do sentimento de Scorsese de que os filmes são como sonhos ou devaneios induzidos por drogas. Ele tentou evocar no espectador a sensação de estar em um estado de limbo entre dormir e acordar. Scorsese cita The Wrong Man de Alfred Hitchcock e A Bigger Splash de Jack Hazan como inspirações para seu trabalho de câmera no filme. Antes de Scorsese ser contratado, John Milius e Irvin Kershner foram considerados para dirigir o projeto. Ao escrever o roteiro, Schrader se inspirou nos diários de Arthur Bremer, que atirou no candidato presidencial democrata George Wallace em 1972, bem como na canção "Taxi" de Harry Chapin, que é sobre uma antiga namorada de um taxista que pega uma corrida em seu veículo. Para o final da história, em que Bickle se torna um herói da mídia, Schrader foi inspirado pela tentativa de assassinato do presidente Gerald Ford por Sara Jane Moore, que originou uma matéria de capa na revista Newsweek.
Schrader também usou a si mesmo como inspiração. Em uma entrevista de 1981 com Tom Snyder no programa The Tomorrow Show, ele relatou sua experiência de viver na cidade de Nova York enquanto lutava contra a insônia crônica, o que o levou a frequentar sex shops e cinemas pornográficos porque eles ficavam abertos a noite toda. Após um divórcio e um rompimento com uma namorada que morava com ele, ele passou algumas semanas morando em seu carro. Depois de visitar um hospital para tratar de uma úlcera estomacal, Schrader escreveu o roteiro de Taxi Driver em "menos de quinze dias". Ele afirma: "O primeiro rascunho tinha talvez sessenta páginas e comecei o próximo rascunho imediatamente, levando menos de duas semanas". Schrader relembra: "Percebi que não falava com ninguém há semanas [...] foi quando a metáfora do táxi me ocorreu. Era isso que eu era: essa pessoa em uma caixa de ferro, um caixão, flutuando pela cidade, mas aparentemente sozinho". Schrader decidiu fazer de Bickle um veterano do Vietnã porque o trauma nacional da guerra parecia combinar perfeitamente com a psicose paranóica de Bickle, tornando suas experiências após a guerra mais intensas e ameaçadoras."Travis gave punks a hair of aggression." Toronto Star, 12 de fevereiro de 2005: H02 Mais dois rascunhos foram escritos em dez dias. Pickpocket (1959), um filme do diretor francês Robert Bresson, também foi citado como uma influência.
Em seu livro Scorsese on Scorsese, Scorsese menciona o simbolismo religioso na história, comparando Bickle a um santo que quer limpar ou purgar sua mente e seu corpo da fraqueza. Bickle tenta se matar perto do final do filme como uma homenagem ao princípio de "morte com honra" dos samurais. Dustin Hoffman recebeu a oferta do papel de Travis Bickle, mas recusou porque achou que Scorsese era "louco". Al Pacino e Jeff Bridges também foram considerados para Travis Bickle.
Pré-produção Enquanto se preparava para seu papel como Bickle, De Niro estava filmando Novecento (1976) de Bernardo Bertolucci na Itália. De acordo com Boyle, ele iria "terminar as filmagens em uma sexta-feira em Roma... pegar um avião... [e] voar para Nova York". Aproveitando que tinha uma habilitação para taxista, De Niro pegava um táxi e dirigia por Nova York por algumas semanas, durante suas folgas, antes de retornar a Roma para retomar as filmagens de Novecento. Embora Robert DeNiro já tivesse estrelado em The Godfather Part II (1974), ele só foi reconhecido uma vez por um passageiro enquanto dirigia o táxi na cidade de Nova York. De Niro aparentemente perdeu dezesseis quilos e ouviu repetidamente uma leitura gravada dos diários do criminoso Arthur Bremer. Também durante as folgas de Novecento, De Niro visitou uma base militar no norte da Itália e gravou soldados do meio-oeste dos Estados Unidos, cujos sotaques ele achou que poderiam ser apropriados para o personagem de Travis.Rausch, Andrew J. (2010). The Films of Martin Scorsese and Robert De Niro. Scarecrow Press. p. 31. .