A Classe Borodino foi uma classe de couraçados pré-dreadnought operada pela Marinha Imperial Russa, composta pelo , , , e . Suas construções começaram entre 1900 e 1902 no Estaleiro do Báltico e no Novo Estaleiro do Almirantado, ambos em São Petersburgo, sendo lançados ao mar entre 1901 e 1903 e comissionados na frota russa entre 1903 e 1905. A Classe Borodino foi a mais numerosa construída pela Marinha Imperial e seu projeto foi muito baseado no predecessor , da fabricação francesa. As principais mudanças incluíram um casco maior e mais comprido, torres de artilharia maiores e maquinários mais pesados.

Os cinco couraçados da Classe Borodino eram armados com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 121 metros, boca de 23 metros, calado de oito metros e um deslocamento de mais de catorze mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por vinte caldeiras a carvão que alimentavam dois motores de tripla-expansão, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem na linha d'água que tinha entre 145 e 194 milímetros de espessura.

Os quatro primeiros navios foram designados para integrarem a 2ª Esquadra do Pacífico na Guerra Russo-Japonesa. A força enfrentou a Frota Combinada japonesa na Batalha de Tsushima em maio de 1905, em que o Borodino, Imperator Alexandr III e Kniaz Suvorov foram afundados. O Oryol foi seriamente danificado e se rendeu. Ele foi reformado pelos japoneses e comissionado na Marinha Imperial Japonesa como Iwami, participando do Cerco de Tsingtao na Primeira Guerra Mundial e depois afundado como alvo de tiro em 1924. O Slava tinha ficado na Rússia e enfrentou a Frota de Alto-Mar alemã durante a Primeira Guerra até ser deliberadamente afundado e depois desmontado.

Desenvolvimento O imperador Nicolau II da Rússia desejava desde sua ascensão ao trono em 1894 que seu país adquirisse um porto de águas quentes no Oceano Pacífico. Ele finalmente alcançou esta ambição em março de 1898 quando a Rússia assinou com a China uma concessão de 25 anos de Porto Artur, na Península de Liaodong. O Japão tinha anteriormente anexado o porto e seus arredores como parte do tratado que havia concluído a Primeira Guerra Sino-Japonesa, porém a Intervenção Tripla de Rússia, França e Alemanha os forçaram a devolver o porto em troca de um aumento considerável da indenização paga pelos chineses. O Japão investiu boa parte desse dinheiro na expansão de sua frota, enquanto a Rússia iniciou um grande programa de construção próprio para defender seu porto recém adquirido.

A Classe Borodino foi a classe de couraçados mais numerosa construída pela Marinha Imperial Russa. A intenção original era para que fossem réplicas quase idênticas do predecessor , construído na França, porém ficou claro pouco depois da assinatura dos contratos que os novos navios seriam muito diferentes. O problema básico era que a Classe Borodino teria motores muito mais pesados e torres de artilharia maiores, forçando um projeto que tivesse a mesma velocidade, calado, canhões e blindagem que o Tsesarevich, mas com um deslocamento maior. O novo projeto foi preparado pelo engenheiro naval D. V. Skvortsov do Comitê Técnico Naval. Ele completou o projeto em julho ou agosto de 1898, um mês depois dos contratos terem sido assinados. Os navios seriam aproximadamente mil toneladas mais pesados que o Tsesarevich, além de ligeiramente mais compridos e largos.

Os couraçados eram visualmente semelhantes ao Tsesarevich, mas duas casamatas para canhões de 75 milímetros foram adicionadas na proa e popa. Estas armas foram incluídas além dos doze canhões que ficavam nas laterais acima do cinturão de blindagem. Isto fez com que a afinação do casco a partir da linha de flutuação fosse deletada sobre a bateria secundária, com uma blindagem reta usada no lugar. Desta forma, os cascos afinavam-se apenas à vante e à ré dos canhões de 75 milímetros. A antepara na linha central entre as salas de máquinas e caldeiras criava um perigo de emborcamento caso um dos lados inundasse e o cinturão de blindagem submergisse.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Borodino A Classe Borodino tinha 118,7 metros de comprimento da linha de flutuação e 121,1 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 23,2 metros e calado de 8,9 metros, 9,65 centímetros a mais do que o projetado. Seu deslocamento normal entre e toneladas, quinhentas a novecentas toneladas a mais do que o deslocamento projetado de toneladas. Suas tripulações tinham 28 oficiais e 754 tripulantes, porém o Kniaz Suvorov estava com 928 pessoas a bordo durante a Batalha de Tsushima.

O sistema de propulsão consistia em vinte caldeiras a carvão Belleville que alimentavam dois motores de tripla expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. Este sistema foi projetado para proporcionar uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora). O Borodino foi equipado com uma cópia dos maquinários franceses do Tsesarvich, mas construído na Rússia pelo Novo Estaleiro do Almirantado, enquanto os quatro navios restantes foram equipados com maquinários totalmente russos projetados e construídos pelo Estaleiro do Báltico. Os motores do Borodino tinham uma potência indicada de 16,6 mil cavalos-vapor (12,2 mil quilowatts) e suas caldeiras operavam a uma pressão de dezenove atmosferas. Os maquinários dos outros navios tinham uma potência indicada de dezesseis mil cavalos-vapor (11,8 mil quilowatts) e com caldeiras que funcionavam a 21 atmosferas. Outras diferenças incluíam que o Borodino foi equipado com um economizador nas caldeiras e hélices de três lâminas, enquanto seus irmãos não tinham o economizador e usavam hélices com quatro lâminas.

Os navios realizaram apenas testes marítimos reduzidos porque estavam sendo preparados para serem enviados ao Extremo Oriente. Apenas o Oryol alcançou sua velocidade projetada, mesmo com seus motores produzindo apenas cavalos-vapor ( quilowatts). Os motores dos outros navios produziram uma potência maior, mas tiveram velocidades mais baixas. Podiam carregar no máximo toneladas de carvão, permitindo uma autonomia de milhas náuticas (4,8 mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora). As embarcações tinham seis geradores movidos a vapor que produziam ao todo 738 quilowatts de energia elétrica.

O cinturão de blindagem era feito de aço Krupp que tinha entre 145 e 194 milímetros de espessura. A blindagem das torres de artilharia tinha uma espessura máxima de 254 milímetros, enquanto o convés tinha entre 25 a 51 milímetros. O convés blindado inferior de 38 milímetros se curvava para baixo e formava uma antepara antitorpedo.

Armamento thumb|170px|A primeira torre de artilharia principal do Oryol danificada após a Batalha de Tsushima em 1905 O armamento principal da Classe Borodino consistia em quatro canhões Obukhov calibre 40 de 305 milímetros montados no estilo francês em duas torres de artilharia duplas movidas eletricamente. Os canhões podiam elevar até quinze graus e cada um tinha um carregamento de sessenta projéteis. As armas tinham uma cadência de tiro de um disparo a cada noventa a 132 segundos, disparavam projéteis de 332 quilogramas a uma velocidade de saída de 792 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 14,6 quilômetros em elevação máximo.

O armamento secundário tinha doze canhões Canet Modelo 1891 calibre 45 de 152 milímetros montados em seis torres de artilharia elétricas no convés superior. As armas tinham uma elevação máxima de quinze graus e as torres de meia-nau tinham um arco de disparo de 180 graus. Cada canhão tinha um carregamento de 180 projéteis. A cadência de tiro era de dois a quatro disparos por minuto, disparavam projéteis de 41,4 quilogramas a uma velocidade de saída de 792,5 metros por segundo, com alcance máximo de aproximadamente 11,5 quilômetros.

Os navios também foram equipados com várias armas menores para enfrentarem barcos torpedeiros. Estas incluíam vinte canhões Canet calibre 50 de 75 milímetros montado em embrasuras no casco, com cada arma tendo um carregamento de trezentos projéteis. Disparavam projéteis de 4,9 quilogramas a uma velocidade de saída de 820 metros por segundo com alcance máximo de 6,4 quilômetros a uma elevação de treze graus. Também haviam dezesseis ou dezoito canhões Hotchkiss de 47 milímetros na superestrutura. Disparavam projéteis de um quilograma a uma velocidade de saída de 430 metros por segundo, tendo uma cadência de tiro de quinze disparos por minuto.

Havia quatro tubos de torpedo de 381 milímetros, dois acima da linha de flutuação na proa e na popa, mais dois submersos próximos do depósito de munição de 305 milímetros, um em cada lateral. Os tubos acima da linha de flutuação tinham um carregamento de quatro torpedos cada, enquanto os tubos submersos tinham seis torpedos cada. Os navios também levavam cinquenta minas navais para proteger ancoradouros em áreas remotas.

Os couraçados foram originalmente equipados com telêmetros estadiamétricos Liuzhol que usavam o ângulo entre dois pontos verticais em um navio inimigo, geralmente a linha de flutuação e o cesto de gávea, para estimar a distância para o alvo. O oficial de artilharia consultava suas referências para determinar a distância e calculava a elevação e desvio adequados para se acertar o alvo. Ele transmitia seus dados para cada canhão ao torre por meio de sistema de transmissão de controle de disparo eletromecânico Geisler. Estes telêmetros foram substituídos durante o processo de equipagem por dois telêmetros de coincidência Barr and Stroud que usavam duas imagens que precisavam ser sobrepostas para se determinar a distância. Miras telescópicas Perepelkin também foram instaladas, mas as tripulações não foram treinadas sobre como usá-las.

Navios NavioConstrutorHomônimo BatimentoLançamentoComissionamentoDestino Novo Estaleiro do Almirantado Batalha de Borodino 23 de maio de 1900 8 de setembro de 1901 agosto de 1904 Afundados em 1905 Estaleiro do Báltico Alexandre III 3 de agosto de 1901 novembro de 1903 Estaleiro do Almirantado Águia 1 de junho de 1900 19 de julho de 1902 outubro de 1904 Afundado em 1924 Estaleiro do Báltico Alexander Suvorov 8 de setembro de 1901 25 de setembro de 1902 setembro de 1904 Afundado em 1905 "Glória" 1 de novembro de 1902 29 de agosto de 1903 outubro de 1905 Afundado em 1917

História thumb|esquerda|240px|O Kniaz Suvorov em 1904 O Borodino, Imperator Alexandr III, Oryol e Kniaz Suvorov partiram para Porto Artur em outubro de 1904 junto com outros navios da 2ª Esquadra do Pacífico. O Kniaz Suvorov foi a capitânia do vice-almirante Zinovi Rozhestvenski. Ele recebeu antes de partir inúmeros relatos de agentes e barcos torpedeiros japoneses disfarçados de pesqueiros, assim ordenou alerta máximo depois de reabastecer no dia 7 em Skagen, na Dinamarca. A esquadra estava próxima de Dogger Bank na tarde do dia seguinte quando o navio de reparos Kamchatka relatou estar sob ataque de barcos torpedeiros no meio da chuva. Os navios encontraram traineiras britânicas quatro horas depois no meio da neblina e abriram fogo a uma curta-distância. Uma das traineiras foi afundada e outras três danificadas, com vários pescadores sendo mortos ou feridos. Os couraçados também dispararam contra e danificaram os cruzadores e Dmitrii Donskoi no meio da confusão. O incidente deixou os britânicos enfurecidos e causou um incidente diplomático com o Reino Unido que quase levou a uma guerra antes da Rússia pedir desculpas e concordar em 29 de outubro a pagar reparações.