A Classe Sovetsky Soyuz, designada oficialmente como Projeto 23, foi uma classe de couraçados planejada pela Frota Naval Militar Soviética. Quinze embarcações foram originalmente concebidas, mas apenas quatro tiveram suas obras iniciadas entre 1938 e 1940 antes da Segunda Guerra Mundial: Sovetsky Soyuz, Sovetskaya Ukraina, Sovetskaya Rossiya e Sovetskaya Belorussiya, porém nenhuma foi finalizada. Os navios foram encomendados em resposta a novos couraçados alemães sendo construídos e os soviéticos inicialmente procuraram obter projetos ou as próprias embarcações no exterior, mas acabaram decidindo seguir com um projeto próprio que sofreu várias mudanças.

Os couraçados da Classe Sovetsky Soyuz, de acordo com o projeto revisado em 1941, seriam armados com nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 269 metros, boca de 38 metros, calado de dez metros e um deslocamento carregado de mais de 65 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão seriam compostos por seis caldeiras a óleo combustível que alimentariam três conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez girariam três hélices até uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão principal de blindagem que ficaria entre 180 e 420 milímetros de espessura.

As construções foram marcadas por grandes dificuldades, já que os estaleiros e indústrias soviéticas relacionadas não tinham a capacidade de lidar com a construção de embarcações tão grandes. O Sovetskaya Belorussiya foi cancelado após um ano de obras depois de várias falhas de construção terem sido encontradas. As obras dos três restantes foram suspensas depois da invasão alemã da União Soviética em junho de 1941 na Segunda Guerra Mundial e nunca foram retomadas. O Sovetskaya Ukraina e o Sovetskaya Rossiya foram desmontados após a guerra em 1947, já o Sovetsky Soyuz foi desmontado no ano seguinte depois de propostas para finalizá-lo não terem sido levadas adiante.

Desenvolvimento Os trabalhos de projeto em um novo couraçado para a Frota Naval Militar Soviética começaram em 1935 em resposta a novos couraçados sendo construídos e planejados pela Alemanha, com os soviéticos fazendo grandes esforços na Itália e nos Estados Unidos para comprarem projetos ou até mesmo os navios no final da década de 1930. O estaleiro italiano Gio. Ansaldo & C. propôs um navio com 43 mil toneladas de deslocamento padrão e nove canhões de 406 milímetros, similar ao couraçado italiano , então em construção no estaleiro. A empresa de arquitetura naval norte-americana Gibbs & Cox apresentou quatro projetos: um era de um couraçado convencional e os outros três eram híbridos que combinavam o armamento de um couraçado com um convés de voo acima da superestrutura central capaz de operar trinta aeronaves. Entretanto, os soviéticos decidiram seguir em frente com projetos próprios.

O primeiro Requerimento Técnico-Tático para o projeto de um couraçado grande foi emitido em 21 de fevereiro de 1936, mas era ambicioso em demasia, especificando nove canhões de 460 milímetros, uma velocidade de 36 nós (67 quilômetros por hora) e um deslocamento de 55 mil toneladas. Os requerimentos foram revisados em maio pelo almirante de frota Vladimir Orlov, o comandante da Frota Naval Militar, que reduziu a velocidade para trinta nós (56 quilômetros por hora). Orlov reduziu o tamanho para 45 mil toneladas e os canhões principais para 406 milímetros alguns meses depois. A União Soviética assinou pouco depois o Acordo Naval Quantitativo Anglo-Soviético de 1937 em que concordava em seguir os termos do Segundo Tratado Naval de Londres, que limitava o deslocamento de couraçados a 36 mil toneladas, porém conseguiram adicionar a provisão de que poderiam construir navios sem limitações para enfrentar a Marinha Imperial Japonesa caso notificassem os britânicos antes. Outro Requerimento Técnico-Tático foi aprovado por Orlov em 3 de agosto para embarcações de 41,5 mil toneladas e armadas com nove canhões de 406 milímetros, doze canhões de 152 milímetros, doze canhões de 100 milímetros e quarenta canhões de 37 milímetros, mais uma espessura máxima de blindagem de 380 milímetros e velocidade de trinta nós (56 quilômetros por hora).

O projeto KB-4, apresentado pelo escritório de projeto do Estaleiro Nº 189, foi selecionado para ser melhor desenvolvido, porém seus principais projetistas estavam convencidos de que apenas um navio maior poderia cumprir os ambiciosos requerimentos. Eles conseguiram um acordo em 22 de novembro de 1936 para aumentar a espessura da blindagem do convés e aumentar o deslocamento para aproximadamente 47 mil toneladas. Os trabalhos de projeto prosseguiram e o trabalho técnico foi finalizado em abril de 1937 para um couraçado de 47,7 mil toneladas, porém seus projetistas continuaram a defender um navio maior. A questão foi resolvida pelo secretário-geral Josef Stalin durante uma reunião em 4 de julho, quando ele concordou em aumentar o deslocamento para por volta de 56 mil toneladas. Isto forçou o recomeço dos trabalhos de projeto.

A época do novo projeto coincidiu com o Grande Expurgo, que estava se espalhando pelas patentes militares e indústrias relacionadas. O prazo original de 15 de outubro para a finalização do trabalho de projeto foi perdido e uma versão incompleta foi apresentada à Administração de Construção Naval no mês seguinte. Várias detalhes ainda precisavam ser definidos, incluindo o projeto final do maquinário, as armas de 152 milímetros e as montagens de 100 milímetros. Enquanto isso, testes amplos e caros foram realizados sobre o formato do casco, blindagem do convés e proteção subaquática. Vinte e sete milhões de rublos foram gastos em trabalhos experimentais apenas em 1938. Mais de cem miniaturas do casco foram testadas para encontrar o melhor formato e duas miniaturas em escala um para dez foram construídas em Sebastopol para testar sua manobrabilidade. Um antigo barco a vapor foi equipado com uma réplica do projeto da blindagem do convés e testado contra uma bomba de quinhentos quilogramas, que mostrou que uma arma desse tipo poderia penetrar tanto o convés superior de quarenta milímetros quanto o inferior de cinquenta milímetros antes de explodir no convés blindado. O convés blindado principal foi elevado em um convés por consequência de um convés contra estilhaços ter sido adicionado embaixo a fim de impedir que qualquer bomba ou estilhaço penetrasse o convés blindado. A proteção subaquática foi testada em quinze modelos em escala de um para cinco e duas barcas experimentais em tamanho real. Estes testes mostraram que o sistema antitorpedo de muitas anteparas era superior ao italiano Sistema Pugliese de um grande tubo preenchido com tubos menores selados, porém nessa altura já era muito tarde para incorporar essas experiências, pois as construções já estavam em andamento quando os resultados dos testes foram finalizados no final de 1939.

Um projeto revisado foi aprovado em 28 de fevereiro de 1938 e o primeiro navio teve seu batimento de quilha em 15 de julho, mas até mesmo este projeto estava incompleto e seria depois revisado. Testes com lanchas a motor de formato similar sugeriram que a eficiência de propulsão do casco seria de um nó (1,9 quilômetros por hora) a menos do que o planejado, com isto sendo aceito na revisão de novembro de 1938 como uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora). Entretanto, um novo projeto de hélice mostrou-se ser mais eficiente e foi previsto que a velocidade subiria para 28 nós (52 quilômetros por hora). Outra mudança foi a remoção do leme central quando testes mostraram que os dois lemes laterais não poderiam mover a embarcação caso o central travasse. O peso na popa foi calculado como estando em excesso, produzindo uma inclinação para ré. Para resolver isto, as duas torres de artilharia montadas no tombadilho foram removidas e o peso do cinturão de blindagem na área da terceira torre de artilharia principal foi diminuído, porém esta decisão foi revertida e as mudanças restauradas em 14 de janeiro de 1941 por decisão do Comitê de Defesa Estatal. Isto forçou uma revisão do arranjo das aeronaves, com a catapulta de lançamento precisando ser removida da linha central do tombadilho; em vez disso, duas catapultas foram adicionadas nas laterais.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Foto aérea alemã de 26 de junho de 1941 mostrando o Estaleiro Nº 189, com o Sovetsky Soyuz (cima) e o cruzador Chkalov (baixo) em construção Como projetados, os navios da Classe Sovetsky Soyuz teriam 269,4 metros de comprimento de fora a fora. Sua boca seria de 38,9 metros e o calado de 10,4 metros quando totalmente carregados com suprimentos de combate. O deslocamento padrão seria de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas, porém estimativas de peso feitas em 1940 mostraram que seus deslocamentos poderiam ser de mais de sessenta mil toneladas padrão e 67 mil toneladas carregado.

O formato do casco seria encorpado, especialmente nos depósitos de munição dianteiros, onde o sistema de proteção antitorpedo adicionaria largura com a boca. Como a razão de comprimento-boca seria relativamente baixa em 7,14:1, isto significava que turbinas muito poderosas seriam necessárias para que até mesmo velocidades modestas fossem alcançadas. Stalin tinha decidido que a Classe Sovetsky Soyuz usaria três eixos de hélices em vez de quatro, aumentando a carga em cada eixo e reduzindo a eficiência da propulsão, apesar disso também reduzir o comprimento da cidadela blindada e consequentemente o deslocamento geral. Suas alturas metacêntricas foram projetadas para ficar em 3,4 metros e o diâmetro tático foi estimado em aproximadamente 1 170 metros.

Os couraçados operariam de dois a quatro hidroaviões KOR-2 que seriam lançados de duas catapultas instaladas na popa. Dois hangares ficariam na extremidade de ré do castelo da proa para que dois aviões também pudessem ficar abrigados dentro. Também haveriam dois guindastes na extremidade dianteira do tombadilho para içar as aeronaves da água.

Propulsão Segundo o historiador Stephen McLaughlin, o arranjo dos maquinários "proporcionava boa dispersão dos espaços de maquinários, mas ao custo de eixos laterais muito longos". Os compartimentos das turbinas para as hélices laterais ficariam à frente da sala de caldeiras nº 1 e a ré do depósito de munição da segunda torre de artilharia. A sala de máquinas para a turbina da hélice central ficaria entre as salas de caldeiras nº 2 e nº 3. Isto significava que os eixos das hélices laterais correriam embaixo das salas das caldeiras.

As turbinas a vapor e as licenças para construí-las originalmente seriam encomendadas da britânica Cammell Laird, porém o custo de setecentas mil libras era mais do que os soviéticos queriam pagar. Em vez disso elas foram compradas por quatrocentas mil libras da suíça Brown Boveri, usando as informações técnicas adquiridas da Cammell Laird. Quatro turbinas com engrenagem de redução simples e redução de impulso foram encomendadas, três equipariam o Sovetskaya Rossiya e a outra serviria de modelo para uma fábrica em Carcóvia que construiria as restantes. As três turbinas juntas produziam 201 mil cavalos-vapor (150 mil quilowatts) de potência. Seis caldeiras triangulares de tubos d'água dividas proporcionariam o vapor para as turbinas a uma pressão de 37 quilogramas por centímetro quadrado e a uma temperatura de 380 graus Celsius.