A Igreja Católica em Bangladesh é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. De grande maioria muçulmana, o país é oficialmente secular, mas, segundo a Fundação ACN, "uma forte corrente do Islã militante continua a gerar uma hostilidade significativa contra as minorias religiosas". Nos últimos anos houve um aumento drástico da violência contra essas minorias, e as perspectivas para a liberdade religiosa são negativas. Os cristãos que têm origem em outras fés tradicionais, como do islã, hinduísmo ou budismo, enfrentam graves restrições, discriminações e ataques. A identidade de uma comunidade é normalmente ligada às suas crenças religiosas, e deixar de segui-las é interpretado como traição. A lista de perseguição religiosa de 2023 da Fundação Portas Abertas classificou Bangladesh como o 26.º país que mais persegue os cristãos.

História Colonização Originalmente habitada por povos budistas e hindus, Bengala Oriental esteve sob domínio muçulmano no século XIII. O primeiro missionário, padre Francisco Fernández, chegou no ano de 1598. A primeira igreja de Bangladesh foi construída no ano seguinte em Diang, hoje chamada Chittagong. Em 1599, quatro missionários jesuítas chegaram a Chittagong para ministrar a esta comunidade, um dos quais foi para Chandecan, perto da atual cidade de Sathkhira. Lá a primeira igreja foi dedicada em 1º de janeiro de 1600, como a Igreja de Jesus. A segunda igreja, fundada em Chittagong em 1601, foi dedicada a São João Batista. Em 14 de novembro de 1602, o padre Fernández foi martirizado; tendo sido sepultado onde hoje está a Catedral de Chittagong. Devido à aceitação da nova fé, em 1607, 600 fiéis católicos foram queimados vivos por soldados do reino. Em 1612, missionários agostinianos portugueses introduziram pela primeira vez o cristianismo em Dhaka e, em 1628, construíram a primeira igreja, a Igreja da Assunção.

thumb|left|200px|Foto da igreja do Santo Rosário, com a inscrição em inglês Built 1677, que traduzida significa Construída em 1677.

A primeira paróquia católica em Bengala Oriental, a Igreja do Santo Rosário, foi fundada em 1677. Em 1695, uma segunda paróquia foi criada, desta vez em Nagari, e dedicada a São Nicolau de Tolentino. A terceira igreja, de Barisal, foi dedicada a Nossa Senhora da Guia, foi construída em 1764 na atual Arquidiocese de Chittagong. Outras paróquias foram sendo criadas nos séculos XIX e XX em resposta ao aumento gradual da população cristã e à migração de famílias de uma região do país para outra.

Em 1606, quando Mylapore, na Índia, se tornou uma diocese, todos os centros missionários de Bengala foram colocados sob sua jurisdição. Em 1834, Roma criou o Vicariato Apostólico de Bengala, sob a jurisdição da Congregação para a Propagação da Fé e, em 1850, foi feita a divisão os vicariatos apostólicos de Bengala Ocidental e Bengala Oriental. Dois anos depois, o Vicariato de Bengala Oriental, com sede em Dhaka, foi confiado à recém-fundada Congregação de Santa Cruz. Os primeiros missionários da Santa Cruz da Província Canadense chegaram em maio de 1853 e administraram o vicariato até 1876, quando foram chamados de volta à França. O vicariato passou administrado por monges beneditinos da província anglo-belga até o retorno dos missionários em 1889.

Em 1º de setembro de 1886, o Papa Leão XIII concedeu a Dhaka o status de diocese, a primeira em Bengala Oriental. A nova diocese incluía os territórios da atual Arquidiocese de Chittagong, além de territórios que hoje pertencem à Índia e Mianmar. No entanto, foi só em 12 de novembro de 1890 que o secretário da Congregação para a Propagação da Fé anunciou a escolha de Augustine Joseph Louage, como o primeiro bispo de Dhaka; ele chegou em março seguinte. Em setembro de 1960, o Papa João XXIII nomeou Theotonius Amal Ganguly o primeiro bispo-auxiliar nativo de Dhaka, encantando os bengalis por ser de origem bengali. Ganguly foi arcebispo de Dhaka de 1967 até sua morte, em 1977.

Em 25 de maio de 1927, as dioceses de Chittagong e de Dinajpur foram criadas para otimizar a administração. Mesmo depois de o Reino Unido ter renunciado ao seu poder colonial sobre o subcontinente indiano em 1947, Dhaka continuou a ser sufragânea da Arquidiocese de Calcutá. Em julho de 1950, uma nova província eclesiástica foi criada quando Dhaka foi elevada a arquidiocese e as dioceses de Chittagong e Dinajpur tornaram-se sufragâneas. Em 3 de janeiro de 1952, a Diocese de Khulna (até 1956 chamada Diocese de Jessore) tornou-se a quarta diocese no Paquistão Oriental. Devido às migrações massivas e à agitação social entre muçulmanos e hindus após a divisão do subcontinente indiano, foi eventualmente necessária uma grande reestruturação da Igreja.

Independência Em 16 de dezembro de 1971, após uma guerra de independência de nove meses, a província do Paquistão Oriental tornou-se o estado independente de Bangladesh. Em 1988, o Islão foi declarado religião oficial, embora a liberdade religiosa fosse garantida pela nova constituição. Dhaka tornou-se a capital do país e o local mais importante para os católicos bengalis. Shirin Sharmin Chowdhury, presidente do Parlamento de Bangladesh, lembrou, em 2021, que "durante a guerra da independência, muitos cristãos fiéis também lutaram pela liberdade. Igrejas, hospitais e instituições educacionais cristãs deram abrigo e proteção aos combatentes e refugiados". Sendo ex-aluno do colégio católico Holy Cross, o parlamentar também afirmou que "os cristãos são uma pequena comunidade, mas contribuem para o desenvolvimento e crescimento do país". Os cálculos concluem que cerca de 417 cristãos participaram da guerra de independência, sendo que pelo menos dez morreram, incluindo uma freira e três padres: padre Mario Veronesi, padre William Evans, e o padre Lucas Marandi, nascido em Bangladesh.

Em 15 de maio de 1987, um ano depois de visitar Bangladesh, o Papa João Paulo II criou a Diocese de Mymensingh e nomeou Francis Anthony Gomes como seu primeiro bispo. Em 21 de maio de 1990, foi erigida a Diocese de Rajshahi. Patrick D’Rozario, CSC, foi nomeado primeiro bispo da nova diocese.

Em 1975, como consequência da independência, um seminário maior nacional foi formalmente estabelecido em Dhaka para formar candidatos ao sacerdócio, bem como para a formação de irmãs, irmãos e leigos nativos. O seminário de Dhaka resultou num aumento do número de padres locais, ultrapassando o número de padres estrangeiros no início da década de 1990. Em 1997, por incentivo de São João Paulo II, é inaugurado o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Baromari, Diocese de Mymensingh, que chega a receber cerca de 30 mil peregrinos nas festividades de outubro.

Atualmente thumb|200px|right|Escola secundária católica de São José, localizada em Dhaka Em 2000, Bangladesh era citado como o país mais densamente povoado do mundo. As tensões causadas por esta superpopulação extrema, bem como pela fome e pelas contínuas diferenças religiosas e étnicas aumentaram em 1998, quando extremistas muçulmanos assumiram o crédito por vários ataques a igrejas e escolas católicas e protestantes em Dhaka. Num esforço para mitigar tais ações, os bispos do Bangladesh incentivaram programas ecuménicos e de extensão social em todas as paróquias do país. A maioria dos cristãos de Bangladesh eram tradicionalmente membros da tribo lushai. Destes cristãos, metade eram membros de uma das 76 paróquias católicas do país em 2000. A Igreja continuou a combater as elevadas taxas de analfabetismo de Bangladesh através do funcionamento de duas faculdades, mais de 40 escolas secundárias, 190 escolas primárias e centros de formação, e quatro escolas técnicas em todo o país. Além disso, a Igreja presta ajuda humanitária através de seus hospitais e dispensários, leprosários, orfanatos e lares para crianças abandonadas, deficientes e indigentes. Além disso, a Caritas Bangladesh, gerida pelos católicos, ganhou enfoque internacional pelo seu envolvimento em questões de desenvolvimento humano, e as organizações católicas continuaram a estar na linha da frente na resposta à luta contínua da região contra as catástrofes naturais, como as graves inundações que ocorreram em 1998. Dados de 2021 apotam que o número de paróquias havia passado para 97, e eram 360 sacerdotes, dois diáconos, 105 seminaristas, 101 religiosos e 1100 religiosas. Somente a Arquidiocese de Chittagong dirige 16 escolas, 125 jardins de infância, 17 albergues e 13 dispensários médicos. Além disso, a Igreja bengalesa possui uma universidade, 10 colégios, mais de 500 escolas. No total, há cerca de 100 mil estudantes nessas instituições, que em sua maior parte são muçulmanos.

O partido político bengali que mais apoia o secularismo é a Liga Awami, que lidera esforços para diminuir a influência islâmica no governo. Em resposta a isso, militantes fundamentalistas iniciaram uma campanha de ataques violentos contra diversos grupos, dentre eles as minorias religiosas — em especial hindus e cristãos. Nos últimos dois anos, a campanha teve aumento de atos de crueldade e intensidade nos últimos dois anos. Tentar converter muçulmanos pode implicar graves punições aos cristãos, e os que se convertem têm que se reunir às escondidas para evitar ataques. Aqueles de minorias étnicas que vivem no campo também correm o risco de perderem sua terra por serem seguidores de Jesus.

thumb|right|200px|Gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, na igreja do Espírito Santo, em Dhaka.

As mulheres enfrentam mais pressão familiar quando se convertem ao cristianismo, e ficam sujeitas a assédio, abuso sexual, físico e emocional, casamento ou divórcio forçado, prisão domiciliar e sequestro. Enquanto isso, os homens estão mais propensos a serem expulsos de casa e sofrerem violência física.

Em novembro de 2016, Bangladesh passa a ter seu primeiro cardeal: Dom Patrick D'Rozario. Em 29 de novembro de 2017, véspera da chegada do Papa Francisco ao país, o padre Walter William Rosario desapareceu, e só foi encontrado no dia 1º de dezembro, com vida; sendo que as circunstâncias do desaparecimento não foram esclarecidas. Em maio de 2018, a Liga Awami, aceitou um financiamento de um bilhão de dólares da Arábia Saudita para construir 560 mesquitas em território bengali, porém, o dinheiro do financiamento nunca chegaram, fazendo com que o governo arcasse com esse custo, gerando pedidos de líderes católicos por fundos iguais para todos os prédios e instituições religiosas. Nesse mesmo ano, a Igreja Católica do país comemora os 500 anos do início da evangelização das terras bengalis, pelos portugueses.