O SMS Vineta foi um cruzador protegido operado pela Marinha Imperial Alemã e quarta embarcação da Classe Victoria Louise, depois do , e , e seguido pelo . Sua construção começou em agosto de 1896 no Estaleiro Imperial de Danzig e foi lançado ao mar em dezembro de 1897, sendo comissionado em setembro de 1899. Era armado com uma bateria principal de dois canhões de 210 milímetros em duas torres de artilharia individuais, tinha um deslocamento de seis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezenove nós.
O Vineta passou seus primeiros anos de serviço atuando na região do Caribe e da América do Sul, com suas principais atividades consistindo em visitas diplomáticas a porto estrangeiros e a proteção de interesses alemães na região. Durante este período se envolveu na Crise da Venezuela, em que fez o bloqueio de várias cidades e bombardeou diversas fortificações. Também sofreu um perigoso incêndio em um depósito de munição que ensinou a Marinha Imperial sobre a instabilidade de seus propelentes. Voltou para casa em 1905 e foi usado como navio-escola entre 1906 e 1908.
O cruzador foi descomissionado em 1909 e modernizado até 1911. Voltou ao serviço como um navio-escola de cadetes navais, realizando vários cruzeiros de treinamento. Durante um destes cruzeiros no Mar Mediterrâneo em novembro de 1912, participou de um protesto naval internacional contra a Primeira Guerra Balcânica. A Primeira Guerra Mundial começou em julho de 1914 e o Vineta foi mobilizado na V Grupo de Reconhecimento, porém atuou apenas brevemente antes de ser retirado do serviço ativo. Foi usado como alojamento flutuante e posteriormente desmontado em 1920.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Victoria Louise Elementos do alto comando naval alemão discordavam no início da década de 1890 sobre que tipos de cruzadores deveriam ser construídos para atender as necessidades da Marinha Imperial Alemã. Um lado preferia uma combinação de cruzadores de seis mil e de 1,5 mil toneladas, enquanto o outro lado defendia uma força uniforme de três mil toneladas. O primeiro lado venceu e três navios de seis mil toneladas foram autorizados em 1895, seguidos por mais dois no ano seguinte. A experiência da Marinha Imperial Japonesa na Primeira Guerra Sino-Japonesa mostrou os benefícios dos canhões de 210 milímetros, assim esta arma foi escolhida para a nova Classe Victoria Louise.
O Vineta tinha 110,5 metros de comprimento de fora a fora, boca de 17,6 metros e calado de 7,08 metros à vante. Tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha doze caldeiras Dürr a carvão que alimentavam três motores verticais de tripla expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada era de dez mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Podia carregar até 950 toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 31 oficiais e 446 tripulantes.
O armamento principal era composto por dois canhões calibre 40 de 210 milímetros montados em duas torres de artilharia individuais, uma à vante e outra à ré. A bateria secundária tinha oito canhões calibre 40 de 149 milímetros, quatro em torres de artilharia individuais à meia-nau e os outros quatro em casamatas. A defesa contra barcos torpedeiros era formada por dez canhões calibre 30 de 88 milímetros e dez canhões Maxim de 37 milímetros. Por fim, foi equipado com três tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um na proa e um em cada lateral. A blindagem era feita de aço Krupp; o convés tinha cem milímetros de espessura com laterais inclinadas de quarenta milímetros. As torres de artilharia principais e secundárias tinham laterais de cem milímetros, mesma nível de proteção das casamatas. A torre de comando tinha laterais de 150 milímetros.
Modificações O Vineta recebeu em meados da década de 1900 um tubo de torpedo giratório à estibordo para propósitos de teste. Esta montagem não foi bem avaliada e nunca foi usada em outros navios. O cruzador passou por uma grande reconstrução entre 1909 e 1911. Esta incluiu a substituição de suas caldeiras e a redução do número de chaminés de três para duas. Seus mastros militares foram removidos e substituídos por mastros de poste, o que melhorou sua capacidade de virada. Dois canhões de 149 milímetros e todas as armas Maxim foram removidas, enquanto um novo canhão de 88 milímetros foi instalado junto com três canhões calibre 35 de 88 milímetros. Foi totalmente desarmado em 1916.
Carreira Construção O Vineta foi encomendado sob o nome provisório "M" e seu batimento de quilha ocorreu em 10 de agosto de 1896 no Estaleiro Imperial de Danzig. Foi lançado ao mar em 9 de dezembro de 1897 com um método incomum para a época. Em vez da tradicional rampa de lançamento, o navio foi movido para o lado até uma doca seca flutuante, que em seguida submergiu para flutuar o casco. O almirante Friedrich von Hollmann fez um discurso na cerimônia. A embarcação foi nomeada em homenagem à predecessora fragata SMS Vineta. Seguiu-se o trabalho de equipagem, que incluiu a adição de instalações para uma equipe divisional, e foi comissionado na Marinha Imperial em 13 de setembro de 1899. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de mar Hermann da Fonseca-Wollheim. Iniciou testes marítimos, que duraram até 24 de março de 1900, então voltou para o estaleiro a fim de passar por reparos. O capitão de mar Erich von der Groeben assumiu o comando em abril, mas ele morreu de um acidente vascular cerebral em 19 de maio, fazendo Fonseca-Wollheim reassumir o comando. O Vineta foi para Kiel para realizar preparações para suas primeiras atividades, partindo no dia 26 em direção da América do Sul.
Américas e Caribe Primeiras ações thumb|250px|Ilustração do Vineta em 1901 O navio chegou em Santa Lúcia em 14 de junho e se juntou à Estação das Américas, que tinha sido desfeita anos antes; o último navio tinha sido o cruzador desprotegido SMS Geier em 1898. O Vineta começou um cruzeiro pela Venezuela e em seguida para o Mar do Caribe. Visitou Nova Orleães, nos Estados Unidos, e depois vários portos no México entre janeiro e fevereiro de 1901, retornando então para o litoral venezuelano. Chegou em Trindade em 6 de abril, de onde iniciou uma viagem pelo litoral oriental da América do Sul. Inspecionou a Ilha de Margarita em maio para uso potencial como uma base naval, porém os alemães determinaram que o porto não era suficiente para suas necessidades. O cruzador prosseguiu para o sul até La Plata, na Argentina, e retornou para o norte.
O Vineta chegou de volta na Venezuela em 1º de agosto e parou em La Guaira. Neste local recebeu ordens para proteger cidadãos e interesses comerciais alemães durante a Guerra dos Mil Dias entre Venezuela e Colômbia. O comando naval alemão também despachou o cruzador desprotegido SMS Falke e as antigas corvetas SMS Moltke e SMS Stein para reforçar o Vineta nessa tarefa. Além da proteção de alemães na área, a intenção também era demonstrar força para forçar o governo venezuelano a realizar reparações por questões relacionadas com conflitos internos na década de 1890. Dois marinheiros do Vineta foram presos na capital Caracas em 6 de outubro, fazendo o cruzador enviar uma equipe de desembarque para La Guaira com o objetivo de exigir suas solturas, algo que aconteceu rapidamente. No mesmo mês, um navio mercante alemão foi alvejado perto do litoral da Venezuela; ambos os incidentes foram resolvidos diplomaticamente. A ameaça aos interesses alemães na região foi menor do que o esperado, assim o Vineta foi destacado para passar por sua manutenção periódica em um estaleiro de Newport News, nos Estados Unidos, entre 26 de novembro de 17 de dezembro.
Durante esse período, Fonseca-Wollheim foi substituído pelo capitão de mar Oskar Stiege, enquanto o Moltke e Stein permaneceram em La Guaira. No final do ano estes dois navios partiram de volta para a Alemanha, sendo substituídos pelo cruzador rápido SMS Gazelle, que chegou em fevereiro de 1902. O Vineta retornou para Newport News para mais uma manutenção de 19 de maio a 25 de setembro. Stiege adoeceu em junho e o capitão-tenente Peter Lengerke, o oficial executivo, assumiu temporariamente o comando até a chegada do capitão de mar Georg Scheder em agosto. A embarcação foi para Porto Príncipe, no Haiti, ao sair da manutenção; mais cedo ainda em setembro, a canhoneira alemã SMS Panther tinha afundado a canhoneira haitiana Crête-à-Pierrot durante uma guerra civil no país. O Falke chegou algum tempo depois e o Vineta voltou para a Venezuela.
Crise venezuelana
Tensões entre a Venezuela, Alemanha, Reino Unido e Itália nesta altura tinham crescido significativamente por conta de medidas impostas pelo presidente Cipriano Castro para conter uma revolta, incluindo o bloqueio de várias cidades portuárias. Castro também suspendeu pagamentos de dívidas externas. O comando naval alemão instruiu seus navios na região a libertarem quaisquer embarcações mercantes alemãs tomadas pelos venezuelanos, podendo usarem força se necessário. A Alemanha tinha reunido o Vineta, Falke, Gazelle, Panther, Stein e a corveta SMS Charlotte. Foram organizados como a Divisão de Cruzadores da América Oriental, com Scheder recebendo o título de comodoro.
thumb|esquerda|250px|Desenho de Willy Stower de navios alemães bloqueando um porto venezuelano Os europeus deram um ultimato a Castro em 7 de dezembro, mas ele ignorou. Scheder então começou a tomar ou neutralizar navios venezuelanos junto com o cruzador protegido britânico HMS Retribution e o barco torpedeiro HMS Quail, ambos colocados sob seu comando. Eles começaram operações contra a Armada Bolivariana da Venezuela entre 10 e 14 de dezembro. O Gazelle foi enviado para capturar a canhoneira Restaurador, enquanto o Vineta respondeu a um pedido de ajuda do cônsul alemão em La Guaira. Ele e o Retribution enviaram equipes de desembarque para defenderem o consulado e depois protegeram cidadãos britânicos na área. O navio mercante britânico SS Topaze foi abordado no dia 13 e sua tripulação presa. Em resposta, o cruzador protegido britânico HMS Charybdis bombardeou fortes em Puerto Cabello, pedindo ajuda do Vineta. Os dois bombardearam as fortalezas Libertador e Vigia, mas infligiram poucos danos. Eles enviaram equipes de desembarque para danificá-las com explosivos, conseguindo libertar a tripulação do Topaze. A ousadia do ataque anglo-alemão convenceu Castro a libertar todos os cidadãos alemães e britânicos presos.
Castro tinha se recusado a ceder às exigências alemãs e britânicas, assim os dois países declaram em 20 de dezembro um bloqueio naval, com a Itália também se juntando. Na época os alemães tinham o Vineta, Falke, Gazelle, Panther, Charlotte, a corveta e o Restaurador, este último tendo sido colocado em serviço alemão. O navio mercante SS Sibiria foi usado como carvoeiro da divisão. Nessa época o vice-almirante britânico Archibald Douglas tinha chegado no cruzador protegido HMS Ariadne; como o oficial mais graduado na área, ele substituiu Scheder como o comandante da esquadra. Uma equipe de desembarque alemã foi enviada em 4 de janeiro de 1903 para ocupar Puerto Cabello e tomar os navios no porto.