Libs of TikTok é o nome de usuário de várias contas americanas anti-LGBTQ e de extrema-direita nas redes sociais, operadas por Chaya Raichik ( Raichik ), uma ex-corretora de imóveis.

Raichik usa as contas para compartilhar conteúdo de pessoas de esquerda e LGBTQ no TikTok e em outras plataformas, frequentemente com comentários insultantes ou depreciativos. Com milhões de seguidores no Twitter, Raichik é influente entre os conservadores estadunidenses e a direita política.

As contas promovem transfobia e outras retóricas anti-LGBTQ, como a ideia de que pessoas trans têm doenças mentais portanto fingem ser do gênero com o qual se identificam. Libs of TikTok também espalha informações falsas, especialmente relacionadas ao atendimento médico de crianças transgênero. Frequentemente, postagens de Raichik rotulam pessoas LGBTQ e profissionais de saúde mental como " groomers". Suas contas receberam várias suspensões temporárias, além de uma suspensão permanente do TikTok.

As postagens de Raichik resultaram em ameaças, assédio e divulgação de informações pessoais (doxing) por parte de seus seguidores contra professores, profissionais de saúde, hospitais infantis, bibliotecas, espaços LGBTQ+ e instituições de ensino. Pelo menos 60 ameaças de bomba foram associadas a postagens do Libs of TikTok.

História

Início e conteúdo original (novembro de 2020 – junho de 2021) Em novembro de 2020, Raichik criou uma conta no X/previamente Twitter com o nome de usuário @shaya69830552, posteriormente alterado para @shaya_ray. De acordo com o The Daily Dot, a conta começou como uma "conta de resposta que aparecia frequentemente nos comentários de conservadores proeminentes no Twitter". Sob esses nomes de usuário, Raichik minimizou a severidade da COVID-19, promoveu a teoria da conspiração refutada de que a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020 foi roubada de Donald Trump por meio de fraude eleitoral e fez postou que estava presente no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos dia 6 de janeiro de 2021. Raichik criticou a Polícia do Capitólio. Ela tuitou que não entrou no prédio do Capitólio como "algumas pessoas malucas" haviam feito, chamando a invasão de "majoritariamente pacífica". Mais tarde, ela comparou favoravelmente o ataque a um protesto do movimento Black Lives Matter. No início de 2021, a conta tinha menos de 1.000 seguidores.

Mais tarde, ela mudou o nome de usuário para @cuomomustgo, concentrando-se em exigir a renúncia do então governador de Nova York, Andrew Cuomo, após as alegações de assédio sexual feitas contra ele. Raichik também usou a conta para defender o recall do governador da Califórnia, Gavin Newsom Em março de 2021, seu nome de usuário mudou para @houseplantpotus, uma conta de paródia que tuitava como uma planta doméstica na Casa Branca durante a presidência de Joe Biden. Em 19 de abril de 2021, Raichik adotou o nome @libsoftiktok, prometendo "te ajudar a com uma dose diária de vergonha alheia". Em maio e junho de 2021, antes e durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+, Libs of TikTok começou a postar comentários anti-LGBTQIA+, incluindo seu primeiro tuíte promovendo a teoria da conspiração de aliciamento LGBTQIA+. As primeiras republicações da conta incluíam republicações de vídeos de progressistas sobre Anthony Fauci e vacinas que ela considerava "dignas de cringe." A revista Slate relacionou o sucesso inicial de Libs of TikTok ao fato de Chaya "marcar descaradamente figuras importantes da extrema-direita e da direita alternativa no Twitter, estratégia que ela usa até hoje".

Atenção da mídia (agosto de 2021 – abril de 2022) Em agosto de 2021, o perfil @LibsofTikTok já havia acumulado cerca de 65.000 seguidores. Nesse mesmo mês, o podcaster Joe Rogan começou a promover o @LibsofTikTok no podcast The Joe Rogan Experience, o que causou grande aumento no número de seguidores. Ainda em agosto de 2021, o advogado e operador do Partido Republicano, Grant Lally, registrou a marca Libs of TikTok como um "serviço de reportagem jornalística".

A conta foi promovida por Donald Trump Jr., pelo jornalista Glenn Greenwald e pelos comentaristas políticos Tucker Carlson, Jesse Watters e Laura Ingraham. Ela foi destaque no New York Post, The Federalist, The Post Millennial, Fox News e em outros veículos de notícias de direita. Suas publicações foram retuitadas por Meghan McCain.

Antes de Raichik ser revelada como a criadora da conta, ela foi entrevistada anonimamente em diversas ocasiões, durante as quais se gabou do fato de que postagens da conta causaram a demissão de vários professores. Raichik encorajou seus seguidores a se juntarem aos conselhos escolares locais para remover professores que ensinam sobre gênero e sexualidade. Raichik disse ao New York Post que "Não faço isso por dinheiro ou fama" e "Não sou nenhuma política ou jornalista verificada."

Revelação da identidade (abril de 2022) esquerda|miniaturadaimagem|Chaya Raichik em 2023 Em abril de 2022, detalhes sobre a operadora da conta vieram à tona. Raichik registrou o domínio libsoftiktok.us em outubro de 2021. O domínio de nível superior .us não permite registro anônimo, portanto, seu nome completo e outras informações foram listados publicamente no registro WHOIS do domínio. Em abril de 2022, um desenvolvedor de software identificou Raichik como a criadora da conta.

Em 19 de abril de 2022, o The Washington Post publicou um artigo da jornalista Taylor Lorenz que revelava mais sobre a identidade de Raichik, observando que ela trabalhava no ramo imobiliário no Brooklyn e que era "orgulhosamente" judia ortodoxa. A versão online do artigo inicialmente incluía um link para a licença imobiliária de Raichik, mas ele foi removido posteriormente.

Conservadores criticaram Lorenz por seus métodos de reportagem, por revelar a identidade de Raichik, por acusações de antissemitismo (por ter repetido a declaração de Raichik sobre sua fé) e por hipocrisia (por ter se manifestado anteriormente contra o assédio online). Alguns a acusaram de expor informações pessoais de Raichik. Lorenz argumentou que a informação já era pública. O Washington Post defendeu a reportagem. Cameron Barr, editor-chefe, afirmou que o Post "não publicou nem incluiu links para quaisquer detalhes sobre a vida pessoal [de Raichik]", embora Raichik tenha apontado o fato de que um endereço residencial constava na licença imobiliária para a qual o artigo originalmente direcionava o link. Lorenz disse que os críticos estavam tentando "semear dúvidas e desacreditar o jornalismo".

Raichik acusou Lorenz de divulgar informações pessoais e de violar seu direito à liberdade de expressão, embora ela tenha jurado "nunca ser silenciada". No mês seguinte, ela tuitou que havia "recebido cerca de uma dúzia de ameaças de morte", incluindo ameaças de jogar uma bomba caseira em sua casa. Lorenz também relatou que recebeu retaliações pessoais. Ela afirma que, em resposta ao artigo, toda sua família teve as informações pessoais divulgadas e que "os trolls passaram a perseguir quaisquer amigos aleatórios que eu tenha marcado no Instagram".

A conta Libs of TikTok ganhou 200.000 seguidores no dia seguinte à publicação da reportagem do The Washington Post.

Dois anos após o artigo do The Washington Post, Lorenz organizou uma entrevista durante a qual Raichik argumentou contra o cuidado de afirmação de gênero. Lorenz perguntou a Raichik se ela se considerava uma figura pública após ter a identidade revelada.

Conteúdo A conta Libs of TikTok foi descrita como de direita, conservadora de extrema-direita, e extremista. O jornal The Times de Londres descreveu a conta como uma "provocadora do Twitter". Na maior parte do tempo, a conta se dedica ao compartilhamento de conteúdo feito por pessoas de esquerda que provoca indignação entre seus seguidores de direita. Os vídeos republicados são, na maioria das vezes, relacionados à comunidade LGBTQ.

Conteúdo relacionado a shows de drag Raichik afirma que, ao ensinae crianças sobre identidades LGBTQ, adultos estão sendo abusivos e isso constitui aliciamento infantil. Ela frequentemente usa o TikTok para divulgar eventos LGBTQ voltados para jovens e, em mais de uma ocasião, esses eventos receberam ataques de extremistas de direita. Raichik afirmou que ser não-conformista de gênero ou ser um aliado da comunidade LGBTQ é uma "doença mental". Ela se referiu propositalmente a pessoas transgênero com pronomes de gênero incorretos.

Em junho de 2022, alguns tweets do Libs of TikTok foram removidos após a publicação de locais de eventos voltados para drag queens nos Estados Unidos. Pelo menos desses eventos era uma Drag Queen Story Hour, onde drag queens vão a bibliotecas públicas e leem livros infantis para crianças em idade pré-escolar. A intenção desses eventos é promover a leitura e a diversidade. Um evento como esse em San Lorenzo, Califórnia, foi invadido pelos Proud Boys, um grupo extremista de extrema-direita.

Eventos do Orgulho LGBTQIA+ em Dallas e Coeur d'Alene também foram alvo de extremistas de direita após publicações do Libs of TikTok. No evento de Coeur d'Alene, 31 membros da Patriot Front foram presos antes de chegarem ao seu destino. Em junho, um porta-voz do Gabinete do Xerife do Condado de Alameda afirmou que os investigadores acreditam que o confronto com os Proud Boys foi causado pelo Libs of TikTok. Em agosto, a NPR noticiou que "nenhuma ligação conclusiva entre as publicações e as atividades dos grupos extremistas" havia sido estabelecida.

Os Proud Boys também atacaram ou ameaçaram atacar outros eventos divulgado pela conta Libs of TikTok, incluindo um happy hour com drag queens em um bar de Woodland, Califórnia (que Raichik alegou ter sido organizado por um "grupo de jovens" para "todas as idades"), um brunch com drag queens planejado para beneficiar um centro de recursos LGBTQ em Sanford, Carolina do Norte, e uma Drag Queen Story Hour planejada (e depois cancelada) por uma escola de primário em Columbus, Ohio.

Em novembro, um grupo de estudantes LGBTQ da South Dakota State University foi alvo de uma ameaça de bomba. Ela foi investigada pelo Departamento de Polícia da Universidade. Essas ameaças começaram após Libs do TikTok publicar supostas imagens do evento drag anual daquele ano, que foi anunciado como apropriado para todas as idades. O grupo de estudantes e a artista principal do evento disseram que o vídeo de Libs do TikTok misturou cenas do evento daquele ano com cenas do evento do ano anterior, que tinha restrição de idade.

Em maio de 2023, foi relatado que o atirador por trás tiroteio no shopping em Allen, Texas, dedicou um longo texto nas redes sociais ao Libs of Tiktok, denunciando o Drag Queen Story Hour.

Conteúdo relacionado a cuidados de afirmação de gênero miniaturadaimagem|Entrada principal do Hospital Pediátrico de Boston, atacado por usuários do TikTok com alegações falsas sobre os serviços de apoio a pessoas transgênero. Raichik se opõe à cirurgia de afirmação de gênero em crianças, argumentando que se trata de abuso infantil em larga escala e que "qualquer médico que realize essas cirurgias deveria ter sua licença revogada. O lugar deles é na prisão".

Em agosto de 2022, em contas do Libs of TikTok, Raichik afirmou que o Hospital Pediátrico de Boston (BCH) e o Children's National Hospital(CNH) estavam realizando cirurgias de redesignação sexual em menores de idade. Junto com o conteúdo relacionado ao BCH, Raichik incluiu um vídeo do hospital onde um de seus ginecologistas explica o procedimento.