O tabagismo nos Estados Unidos possui uma longa história cultural, econômica e social. O cultivo de tabaco perto de Jamestown, na colônia da Virgínia, em 1610, marcou o início do desenvolvimento da planta como uma cultura comercial com forte demanda na Inglaterra. No início do século XVIII, o tabaco tornou-se uma força econômica significativa nas colônias americanas. O consumo de tabaco também se tornou comum na sociedade estadunidense primitiva e era intenso antes e depois da declaração de independência dos Estados Unidos, em 1776.

Estima-se que 34 milhões de pessoas nos Estados Unidos, ou 14% de todos os adultos com 18 anos ou mais, fumavam cigarros em 2015 e 2018. Em 2015, a prevalência do tabagismo nos estados americanos variou entre 9% e 13% em Utah e entre 24% e 27% na Virgínia Ocidental. Por região, a prevalência do tabagismo foi maior no Centro-Oeste (19%) e no Sul (15%) e menor no Oeste (12%). Os homens tendiam a fumar mais do que as mulheres: em 2015, 17% dos homens fumavam, em comparação com 14% das mulheres. O tabagismo é a principal causa de morte evitável nos Estados Unidos, sendo responsável por aproximadamente 443.000 mortes — 1 em cada 5 mortes — a cada ano. O tabagismo, por si só, custou aos Estados Unidos 96 bilhões de dólares em despesas médicas diretas e 97 bilhões de dólares em perda de produtividade por ano, ou uma média de 4.260 dólares por fumante adulto.

Em 1964, o Cirurgião-Geral dos Estados Unidos publicou seu relatório histórico, Tabagismo e Saúde, que identificou o tabagismo como a causa de muitos problemas de saúde. Desde então, as taxas de tabagismo têm diminuído nos EUA e a percepção pública do tabaco mudou de um produto inofensivo para um claro risco à saúde. Ao longo de 60 anos, as taxas de tabagismo nos Estados Unidos caíram cerca de 73%, de 43% de todos os adultos americanos em 1965 para 12% em 2022.

História do tabaco comercial miniaturadaimagem|Máquina de enrolar cigarros de James Albert Bonsack, inventada em 1880 e patenteada em 1881|234x234px A produção comercial de tabaco na América colonial remonta ao século XVII, quando foram plantadas as primeiras culturas comerciais. A indústria teve origem na produção de tabaco para uso em cachimbos e rapé.

No início do século XVIII, o tabaco tornou-se uma força econômica significativa nas colônias americanas, especialmente na região costeira da Virgínia, ao redor da Baía de Chesapeake. Vastos cultivos foram construídos ao longo dos rios e sistemas socioeconômicos foram desenvolvidos para cultivar e distribuir a safra. Em 1713, a Assembleia Geral da Virgínia (sob a liderança do governador Alexander Spotswood) aprovou uma Lei do Tabaco que exigia a inspeção de todo o tabaco destinado à exportação ou ao uso como moeda corrente. Os produtores de tabaco estadunidenses vendiam suas colheitas em consignação para comerciantes em Londres, o que os obrigava a contrair empréstimos para despesas agrícolas com fiadores londrinos em troca da entrega e venda do tabaco.Goodman, p.158 À medida que a demanda por tabaco crescia na Europa continental, a colonização e a produção de tabaco na América Britânica também aumentaram, e o cultivo do tabaco se espalhou para as outras colônias do sul da Grã-Bretanha e além. Um comércio intenso se desenvolveu entre atacadistas em Charleston e Nova Orleans para enviar tabaco aos comerciantes londrinos. O uso do tabaco também se tornou comum na sociedade estadunidense inicial e era consumido em grande quantidade antes e depois da declaração de independência americana em 1776.

Com o advento da Revolução Americana (1765-1783), o comércio com as colônias foi interrompido, o que deslocou o comércio de tabaco para outros países. Houve, no entanto, um aumento na demanda por tabaco nos Estados Unidos, onde o consumo de charutos e tabaco de mascar aumentou. Após a Guerra da Crimeia, o cigarro passou a se tornar popular no ocidente.

Em 1880, James Albert Bonsack inventou uma máquina automática de enrolar cigarros. No início do século XX, a produção e o consumo de cigarros cresceram rapidamente, com as máquinas automáticas de enrolar cigarros e a publicidade massiva de tabaco.

Tabagismo e uso de cigarros eletrônicos entre adultos miniaturadaimagem|Um campo de tabaco nos Estados Unidos|esquerda|330x330px Desde 1964, marcado pela publicação do relatório histórico do Cirurgião Geral, Tabagismo e Saúde, as taxas de tabagismo têm diminuído nos EUA. As principais forças que levaram à redução do tabagismo foram o reconhecimento do tabaco como um vício e causa de doenças, uma menor aceitação social do tabagismo, campanhas de contra-marketing na mídia e impostos mais altos sobre cigarros.

De acordo com pesquisas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), para cada 100 adultos americanos com 18 anos ou mais, mais de 15 fumavam cigarros em 2016. Em outras palavras, havia cerca de 37,8 milhões de fumantes nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, mais de 16 milhões de americanos viviam com alguma doença relacionada ao tabagismo. Apesar disso, o número de fumantes em 2016 diminuiu para 15,5% em relação a 2005, uma diferença de 5,4%. Isso indica um aumento no número de fumantes que pararam de fumar.

Em 2020, o Journal of the American Medical Association (JAMA) estimou que 5,66 milhões de adultos, ou 2,3% da população dos EUA, relataram usar cigarros eletrônicos. Entre os usuários na população dos EUA, mais de 2,21 milhões também eram fumantes de cigarros convencionais (39,1%), mais de 2,14 milhões eram ex-fumantes (37,9%) e mais de 1,30 milhão nunca haviam fumado (23,1%). Estatísticas anteriores, de 2018, estimavam que cerca de 14,9% dos adultos com 18 anos ou mais já haviam usado cigarros eletrônicos e que cerca de 3,2% de todos os adultos nos Estados Unidos eram usuários atuais de cigarros eletrônicos. O estudo também observou que 34 milhões de adultos nos EUA eram fumantes, com o uso de cigarros eletrônicos sendo mais alto entre fumantes atuais e ex-fumantes que estão tentando parar de fumar ou que pararam recentemente.

A década de 2010 testemunhou tanto o surgimento quanto o aumento da prevalência do cigarro eletrônico entre os jovens estadunidenses, à medida que os cigarros eletrônicos se tornaram o mais recente dispositivo de administração de nicotina para os consumidores dos EUA. O primeiro cigarro eletrônico comercial chegou ao mercado em 2006. Relatórios de 2018 estimaram que o uso de cigarros eletrônicos está presente em 27,5% da população jovem. Isso representa um contraste marcante com os 5,5% de jovens relatados nos Estados Unidos que fumam nicotina combustível, como cigarros.

De acordo com dados de uma pesquisa do governo dos EUA divulgados em abril de 2023, as taxas de tabagismo nos Estados Unidos caíram ainda mais em 2022, com 1 em cada 9 adultos americanos relatando ser fumante. Em 2022, a porcentagem de fumantes adultos nos EUA caiu de 12,5% em 2020-21 para cerca de 11%. Os dados da pesquisa também mostraram que o uso de cigarros eletrônicos aumentou para quase 6% em 2022, ante cerca de 4,5% no ano anterior. Apenas cerca de 2% dos estudantes do ensino médio fumavam cigarros tradicionais em 2022, mas cerca de 14% usavam cigarros eletrônicos, de acordo com outros dados do CDC.

A prevalência do tabagismo por idade 18 a 24 anos 8,0% 25 a 44 anos de idade 16,7% 45 a 64 anos de idade 17,0% 65 anos ou mais 8,2% Idade % da população que usa cigarros eletrônicos 13 anos 6% 14 anos 10% 15 anos 15% 16 anos 22% 17 anos 24% 18 anos 25% A prevalência do tabagismo por nível educacional Menos anos de escolaridade (sem diploma) 24,1% Certificado EJA 35,3% Diploma do ensino médio 19,6% Ensino superior incompleto (sem diploma) 17,7% Diploma de associado 14,0% Graduação 6,9% grau de pós-graduação 4,0% Prevalência do tabagismo por raça/etnia Nativo-americanos não hispânicos/nativos do Alasca 20,9% Outras raças não hispânicas 19,7% Negros não hispânicos 14,9% Brancos não hispânicos 15,5% hispânicos 8,8% Asiático não hispânico 7,2%miniaturadaimagem|Vendas de cigarros e mortalidade por câncer de pulmão nos Estados Unidos (em inglês). Legislação Na década de 1950, evidências científicas mostraram claramente que fumar causa câncer de pulmão. Em 1966, as primeiras mensagens de aviso apareceram em embalagens de cigarros, afirmando "Advertência: fumar cigarros pode ser perigoso para a sua saúde". Este aviso foi atualizado em 1970 e 1985.

Em fevereiro de 2009, a Lei de Reautorização do Programa de Seguro de Saúde Infantil foi sancionada, elevando a taxa federal de imposto sobre cigarros de US$ 0,39 por maço para US$ 1,01 por maço, a partir de 1º de abril de 2009.

Lobby e organizações do setor tabagista A indústria do tabaco dos EUA, desde seus primeiros anúncios até suas campanhas de relações públicas mais recentes, há muito tempo retrata o tabagismo como uma atividade inofensiva. Um filme de 1999, The Insider, centrou-se na produção de um segmento jornalístico sobre a "grande indústria do tabaco" e seus métodos de comunicação. No século XXI, a crescente influência das mídias sociais nos Estados Unidos proporcionou às novas gerações de adolescentes e jovens adultos uma nova plataforma em que se tornam vulneráveis ao marketing tabagista não controlado. Custos O Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relatou em 2011 que 443.000 americanos morreram devido ao tabagismo ou à exposição ao fumo passivo a cada ano. Para cada morte relacionada ao tabagismo, outras 20 pessoas sofreram com uma doença relacionada ao tabagismo.miniaturadaimagem|330x330px|Declaração corretiva, determinada judicialmente, sobre a venda de tabaco em uma loja de conveniência nos EUA, 2025.A taxa de tabagismo adulto na Califórnia caiu quase 50% desde que o estado iniciou o programa de controle do tabaco mais longo do país, em 1988. O governo estadual da Califórnia relatou uma economia total de US$ 86 bilhões em custos de saúde após destinar US$ 1,8 bilhão para o controle do tabaco; isso representou um retorno de investimento de 50:1 em comparação com o custo total do programa de controle do tabaco do estado em seus primeiros 15 anos.

Empresas e práticas Algumas das empresas de tabaco mais notáveis nos EUA são:

Philip Morris EUA (Altria), fabricante de Marlboro; R. J. Reynolds Tobacco Company (British American Tobacco), fabricante do Camel; ITG Brands, fabricante de Winston desde 2015; US Smokeless Tobacco Company, fabricante do Skoal.

Marketing para a comunidade negra