Isabel Velasco Cisneros

Isabel Velasco Cisneros foi uma escritora cubana do século XIX. Nascida em 1868, em Camagüey, Cuba, filha de Ciriaca Eusebia de Cisneros Betancourt Velasco (1825-1844) e do advogado patriota revolucionário Agustin Velasco y Agüero. Sobrinha de Salvador Cisneros Betancourt, I Marquês de Santa Lucía. Foi uma das precursoras da poesia cubana, se destacando por sua escrita nacionalista, característica marcante do romantismo.  

Infância e juventude   Isabel nasceu na antiga capital de Porto Príncipe, hoje Camagüey. Foi a quarta filha do casal Ciriaca Eusebia de Cisneros Betancourt Velasco e Agustin Velasco y Agüero. Irmã de Pompeyo, Adela, falecida em 1865, Cesar falecido em 1917, Elvira, que faleceu em 1938, de Julia e de Salvador (1828-1914), este, II marquês de Santa LucíaUniversidade da Florida. I Marqués de Santa Lucía. Sinópsis genealógica de su descendencia. S/d, pp. 13-14. Disponível em: https://ufdcimages.uflib.ufl.edu/FI/HU/00/44/96/00001/2011_11_09_18_54_15%20(dragged).pdf Acesso em: 02 de maio de 2026.. Migrou para o interior da província com seus pais e suas três irmãs, Amalia, Narcisa e Elvira e seu irmão Pompeyo, a fim de fugir dos conflitos políticos pungentes na capital na época, como a Guerra dos 10 Anos. Contudo, a mudança não foi o suficiente para salvaguardar a família das tropas espanholas: o pai de Isabel, Agustin Velasco y Agüero e Pompeyo o irmão mais velho, foram fuzilados na sua frente, na fazenda onde residiam.

Frente à tragédia do assassinato de seu esposo e filho, Ciriaca Eusebia, a mãe de Isabel, buscou apoio no acampamento do General Vicente García onde um dos comandantes do grupo, um militar veterano, as conduziu para a capital Habana. Lá, passaram por severas dificuldades financeiras, devido ao confisco dos bens da família e Isabel, sua mãe e suas irmãs trabalharam como costureiras na cidade. “Sem uma oficina, sem publicidade, sua casa era uma oficina de elegância, onde os membros mais distintos da alta sociedade de Havana vinham encomendar seus ternos e roupas finas, que eram tão valorizados quanto as melhores combinações nos centros de luxo e distinção”.

Vida profissional e obras Desde muito cedo, Isabel demonstrou interesse pelas letras e escrita. A educação erudita que recebeu de seus pais, permitiu sua inserção entre as camadas sociais letradas da Habana. Com instrução para o magistério, Isabel Velasco tornou-se diretora de uma das escolas municipais da capital.

Com um lirismo sensível e patriótico, a poesia de Isabel representa o romantismo cubano, movimento artístico e literário, que entre várias características, é marcado pelo amor fervoroso pela pátria e seus símbolos. No seu poema Himno a La Bandera Cubana (Hino à Bandeira Cubana) afirma: “Glória eterna aos heróis cubanos que, com profunda alegria, ergueram em sua pátria, alcançando os céus, a mais bela bandeira do mundo! A bandeira do triângulo vermelho, onde brilha a estrela divina, que, evocando tempos passados, ilumina nosso destino futuro…".

Seus poemas foram lançados postumamente em dois tomos intitulados Expansionesem 1917. Alguns de seus poemas também foram incluídos no Álbum poético-fotográfico de escritoras poetisas cubanas, publicado em 1926, por Domitila García de Coronado: El Río Clavellinas, Himno a La Bandera Cubana, Himno en Honor de la Avellaneda, Célebres Palmas e En la Muerte de la Srta. Mercedes.

Isabel, também tem como objeto lírico a cidade em que nasceu ae passou boa parte da juventude: Camaragüey. Em poemas como  El Río Clavellinas, a cubana exalta os revolucionários da cidade.

“Os bravos homens de Camagüey

reuniram-se ali,

naquele quatro de novembro,

de merecida fama

Enquanto os valentes partiam,

em direção à zona do Mambí,

cada um prendia ao peito

uma daquelas belas flores [...]

Assim, seguiram a galope,

com expressões de alegria,

para o coração das montanhas;

Talvez para perderem a vida!

Mas não se importavam

com a morte em plena luz do dia,

contanto que

nossa pátria fosse redimida [...]

Quarenta anos se passaram

desde aquele encontro,

e o rio jamais esquece

suas margens floridas

Hoje, com firme resolução,

o venerável Cisneros,

Marquês de Santa Lucía, o percorreu de joelhos”.

O poema homenageia também o patriota Salvador Cisneros Betancourt, I Marquês de Santa Lucía, seu tio, irmão de Ciriaca, mãe de Isabel. Outra característica dos poemas de Isabel, muito comum na literatura romancista, é a representação de eventos e processos políticos/sociais em elementos da natureza; neste caso, Isabel relembra o ato dos revolucionários de Camagüey nas margens floridas do rio. As flores representam os ideais independentistas que germinaram na província.  

Em um ensaio publicado no jornal La Discusión em agosto de 1910, Isabel relembrou o conflito de 1851 com as tropas espanholas, em que os quatro revolucionários independentistas Joaquín de Agüero, José Tomás Betancourt, Fernando de Mompox y Zayas e Miguel Antonio Benavides Pardo foram assassinados por liderarem intentos revolucionários no Arroyo Méndez, no centro da cidade. Como as autoridades espanholas proibiam estátuas e monumentos dedicados ao movimento de independência, em memoria dos quatro mártires fuzilados foram plantadas quatro palmeiras na antiga Praça de Armas, posterior Parque de Agramonte e atual praça Parque Mayor General Ignacio Agramonte. Hoje a praça é um ponto histórico turístico, reconhecido pela Unesco como l Patrimônio Mundial. miniaturadaimagem|As quatro palmas homenageiam quatro revolucionários independentistas assassinados pelas tropas espanholas pelos intentos de independência e abolição da escravatura na província. No poema Célebres Palmas, Isabel “consagra os quatro nomes desses mártires da independência” quando afirma: “De janeiro a janeiro, entre essas quatro palmeiras, uma ostenta este nome imortal: Joaquín de Agüero! A da direita representa Fernando de Zayas, cuja morte é lembrada como um triunfo político. À frente, bem próximo, está Miguel Benánvides, que compartilhou o mesmo destino por voto popular. O distinto grupo se encerra com Tomás Betancourt, outro cubano mais do que merecedor da homenagem que ostenta”. Ataulmente a palma real, (Roystonea regia) é arvore simbolo nacional não oficial de Cuba.

Legado   O século XIX foi marcado por intensas e complexas movimentações sócio-políticas, que se refletem nas artes e literatura. Em Cuba, grupos revolucionários letrados preconizavam o amor à pátria livre e à identidade nacional em construção. Nesse contexto, a obra de Isabel Velasco contribuiu exaltando os símbolos pátrios – bandeira e palmeiras –, os heróis independentistas e a paisagem natural na poesia que se propõe a romper padrões líricos clássicos. Desse modo,Isabel trouxe à esfera pública a visão de uma mulher sobre a emergente nação cubana.

Morte   Isabel faleceu em 5 de novembro de 1916, mas o contexto de sua morte é desconhecido. Foi sepultada no Cementerio de Colón, na Habana. Categoria:Cuba Categoria:Revolução Categoria:Século XIX Categoria:Século XX Categoria:Poesia Categoria:Romantismo Categoria:Nacionalismo Categoria:Patriotismo Categoria:Mulheres Categoria:Imprensa