A Batalha de Baltimore ocorreu entre as forças britânicas e norte-americanas de 12 a 14 de setembro de 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812. As forças americanas repeliram as invasões britânicas por terra e mar contra o importante porto de Baltimore, impedindo que a terceira maior cidade dos Estados Unidos na época fosse capturada e pondo fim à campanha britânica na região da Baía de Chesapeake.direita|miniaturadaimagemBritânicos e norte-americanos enfrentaram-se inicialmente na Batalha de North Point. Embora os americanos tenham sido derrotados taticamente e obrigados a recuar, a batalha cumpriu seu objetivo estratégico de retardar o avanço britânico, causando baixas significativas, incluindo a morte do comandante britânico Robert Ross, além de permitir que os defensores de Baltimore se preparassem para o ataque seguinte.
A resistência do Fort McHenry durante o bombardeio da Royal Navy inspirou Francis Scott Key a escrever o poema "Defence of Fort M'Henry", que mais tarde se tornou a letra de The Star-Spangled Banner, o hino nacional dos Estados Unidos.
O futuro presidente dos Estados Unidos, James Buchanan, também participou da defesa de Baltimore como soldado raso.
Fundo Até abril de 1814, o Reino Unido estava em guerra contra a França Napoleônica, o que limitava seus objetivos militares na América do Norte. Enquanto isso, os britânicos adotavam principalmente uma estratégia defensiva, repelindo as invasões norte-americanas às províncias do Canadá Superior e do Canadá Inferior. Em 1813, os Estados Unidos conquistaram o controle naval do Lago Erie e ocuparam partes do oeste do Canadá Inferior. No Território do Mississippi, na região correspondente ao atual centro do estado do Alabama, o general Andrew Jackson destruiu o poder militar da nação Creek na Batalha de Horseshoe Bend.
Embora o Reino Unido não estivesse disposto a retirar um grande número de tropas da guerra contra a França, mantinha ampla superioridade naval. A Esquadra da América do Norte e das Índias Ocidentais, baseada nas Bermudas, bloqueou os portos norte-americanos na costa atlântica durante praticamente todo o conflito, prejudicando gravemente a economia dos Estados Unidos. Inicialmente, os portos do nordeste foram poupados do bloqueio, pois a opinião pública em Nova York e na Nova Inglaterra era majoritariamente contrária à guerra. A Royal Navy e os Royal Marines também ocuparam ilhas costeiras dos Estados Unidos e realizaram incursões ao longo do litoral, especialmente na região da Baía de Chesapeake. Durante essas operações, incentivaram pessoas escravizadas a desertarem para o lado britânico e recrutaram muitas delas para integrar o Corpo de Fuzileiros Coloniais.
Após a derrota de Napoleão Bonaparte no início de 1814, os britânicos adotaram uma estratégia mais agressiva, com o objetivo de forçar os Estados Unidos a negociar uma paz que restabelecesse a situação anterior ao conflito. Milhares de soldados britânicos experientes foram enviados para a América do Norte Britânica, principalmente para reforçar as defesas do Canadá. O Exército Britânico, as milícias canadenses e seus aliados indígenas conseguiram repelir as forças norte-americanas e expulsá-las de volta para os Estados Unidos. Entretanto, sem o controle naval dos Grandes Lagos, os britânicos não conseguiram abastecer suas tropas, o que resultou no fracasso da tentativa de capturar Plattsburgh durante a Segunda Batalha do Lago Champlain, obrigando-os a retirar-se do território norte-americano.
No início de julho de 1814, uma brigada comandada pelo major-general Robert Ross foi enviada, juntamente com diversos navios de guerra, para reforçar as forças já estacionadas nas Bermudas. O plano era utilizar essas tropas em ataques de distração ao longo da costa atlântica, obrigando os Estados Unidos a deslocarem forças que estavam atuando no Canadá. Alguns historiadores afirmam que Ross recebeu ordens para não realizar operações prolongadas e limitar seus ataques a alvos costeiros.
Na prática, porém, os britânicos lançaram três grandes ofensivas contra os três principais portos dos Estados Unidos: Baltimore, Nova York (por meio do Lago Champlain e do Rio Hudson) e Nova Orleans, entre agosto de 1814 e fevereiro de 1815. Cada uma dessas expedições contava com mais de 10 mil soldados britânicos, muitos deles veteranos das Guerras Peninsulares, demonstrando que não se tratava apenas de pequenas incursões diversionistas. Nessa mesma época, os britânicos já haviam ocupado a maior parte do atual estado do Maine e restabelecido a colônia da Coroa denominada Nova Irlanda, em setembro de 1814.
O plano para atacar Baltimore surgiu após uma carta enviada às Bermudas, em 2 de junho de 1814, por George Prevost, governador-geral do Canadá. Prevost solicitou uma ação de represália em resposta à "destruição deliberada de propriedades privadas ao longo da margem norte do Lago Erie" por tropas norte-americanas comandadas pelo coronel John Campbell em maio, sendo o episódio mais conhecido o ataque a Port Dover. Prevost argumentava que... "Em consequência da recente e vergonhosa conduta das tropas norte-americanas, que promoveram a destruição deliberada de propriedades privadas na margem norte do Lago Erie, caso a guerra contra os Estados Unidos continue, você poderá, se julgar apropriado, auxiliar na aplicação de uma represália que desestimule o inimigo a repetir atrocidades semelhantes." A carta foi analisada por Robert Ross e pelo vice-almirante Alexander Cochrane, que havia substituído John Borlase Warren no início daquele ano como comandante-chefe da Estação da América do Norte e das Índias Ocidentais da Royal Navy, sediada na Admiralty House, nas Bermudas. Ambos discutiram como empregar suas forças. O subordinado de Cochrane, o contra-almirante George Cockburn, já comandava os navios da esquadra que operavam na Baía de Chesapeake desde o ano anterior.
Em 25 de junho, Cockburn escreveu a Cochrane destacando que as defesas da região eram fracas e que várias cidades importantes estavam vulneráveis a um ataque. Cochrane sugeriu atacar Baltimore, Washington, D.C. e Filadélfia. Em 17 de julho, Cockburn recomendou que Washington fosse o alvo principal, devido à relativa facilidade de atacar a capital nacional e ao maior impacto político que isso produziria.
Em 18 de julho, Cochrane ordenou a Cockburn que, para "desencorajar o inimigo de repetir tais atrocidades", ele deveria "destruir e devastar as cidades e distritos que julgasse vulneráveis ao ataque". Ao mesmo tempo, determinou que fossem poupadas apenas as vidas dos civis desarmados dos Estados Unidos.
Em agosto, os navios estacionados nas Bermudas partiram do Estaleiro Naval Real e de Saint George para se juntar às forças que já operavam ao longo da costa atlântica norte-americana. Após derrotarem uma flotilha de canhoneiras da Marinha dos Estados Unidos, uma força de 4.370 homens, composta por soldados do Exército Britânico, fuzileiros navais da Royal Marines e destacamentos da Royal Navy para operações terrestres, sob o comando de Robert Ross, desembarcou na Virgínia. Depois de derrotarem uma força norte-americana de cerca de 1.200 homens em 23 de agosto, os britânicos atacaram, no dia seguinte, as posições defensivas preparadas da principal força dos Estados Unidos, composta por aproximadamente 6.400 soldados do Exército, milicianos, fuzileiros navais e marinheiros, na Batalha de Bladensburg.
Apesar da expressiva desvantagem numérica — já que a doutrina militar da época considerava necessário um atacante possuir superioridade de três para um para vencer posições fortificadas — e de sofrerem pesadas baixas, os britânicos derrotaram as forças norte-americanas, abrindo caminho para Washington. O presidente James Madison e todo o governo fugiram da cidade, refugiando-se em Brookeville, Maryland.
Em 24 de agosto de 1814, tropas britânicas lideradas por George Cockburn e Robert Ross entraram em Washington e capturaram a cidade com uma força de aproximadamente 4.500 soldados veteranos. Durante o episódio conhecido como Batalha de Washington, incendiaram diversos edifícios públicos, entre eles a Casa Branca e o Capitólio dos Estados Unidos. Os interiores e o conteúdo de ambos os edifícios sofreram grandes danos. Após a destruição, as tropas britânicas retornaram aos seus navios.
Em seguida, os britânicos enviaram uma esquadra pelo Rio Potomac para cortar o acesso de Washington à água e ameaçar os prósperos portos de Alexandria, localizada rio abaixo da capital, e Georgetown, rio acima. A simples aproximação da frota levou os defensores norte-americanos a abandonarem o Fort Warburton sem disparar um único tiro, permitindo que Alexandria se rendesse sem resistência. Durante vários dias, os britânicos saquearam centenas de toneladas de mercadorias pertencentes aos comerciantes da cidade.
Depois disso, voltaram sua atenção para Baltimore, onde esperavam desferir um golpe decisivo contra os norte-americanos, então desmoralizados. Baltimore era um porto movimentado e os britânicos acreditavam que dali operavam muitos dos corsários responsáveis por atacar navios mercantes britânicos. O plano consistia em uma operação combinada: Robert Ross lançaria um ataque terrestre em North Point, enquanto Alexander Cochrane cercaria o Fort McHenry, principal fortificação defensiva do porto de Baltimore.
As defesas de Baltimore haviam sido planejadas e supervisionadas pelo comandante da milícia estadual, o major-general Samuel Smith.
Forças opostas
Americano
10º Distrito Militar
General de Brigada William Winder, Exército dos EUA DivisãoBrigadaRegimentos e outras unidadesTerceira Divisão da Milícia de Maryland
Samuel Smith
Major-generalPrimeira Brigada (condados de Harford e Cecil)
Brigadeiro-general Thomas M. Forman 30.º Regimento 40.º Regimento 42.º Regimento 49.º RegimentoTerceira Brigada (Baltimore)
Brigadeiro-general John Stricker 5.º Regimento — Tenente-coronel Joseph Sterrett Voluntários de York (Pensilvânia) — Capitão Michael L. Spangler 6.º Regimento — Tenente-coronel William McDonald Voluntários de Marietta (Pensilvânia) — Capitão John G. Dixon 27.º Regimento — Tenente-coronel Kennedy Long 39.º Regimento — Tenente-coronel Benjamin Fowler Voluntários de Hanover (Pensilvânia) — Capitão Frederick Metzger Voluntários de Hagerstown (Maryland) — Capitão Thomas Quantrill 51.º Regimento — Tenente-coronel Henry Amey 1.º Batalhão de Fuzileiros — Major William PinkneyDécima Primeira Brigada (Condado de Baltimore)
Brigadeiro-general Tobias E. Stansbury 7.º Regimento 15.º Regimento 36.º Regimento 41.º Regimento 46.º Regimento1.º Regimento de Artilharia Tenente-coronel David Harris Artilharia Union de Baltimore — Capitão John Montgomery Artilharia Columbian — Capitão Samuel Moale Artilharia Franklin — Capitão John Myers Artilharia United Maryland — Capitão James Piper 1.ª Artilharia Voluntária de Baltimore — Capitão Abraham Pyke Eagle Artillerists — Capitão George J. Brown American Artillerists — Capitão Richard Brown Magruder 1.ª Artilharia Naval da União — Capitão George Stiles Artilharia Steiner de Frederick — Capitão Henry Steiner5.º Regimento de Cavalaria Tenente-coronel James Biays 1.º Hussardos de Baltimore Dragões Ligeiros Independentes Caçadores de Maryland Dragões Ligeiros de Fells PointDefesas do porto de Baltimore
Major George ArmisteadForte McHenry Major George Armistead (comandante) Companhia Evans, Corpo de Artilharia dos EUA — Capitão Frederick Evans Companhia Bunbury, Sea Fencibles dos EUA — Capitão Matthew S. Bunbury Companhia Addison, Sea Fencibles dos EUA — Capitão William H. Addison Destacamento da Infantaria dos EUA — Tenente-coronel William Steuart (38.º Regimento), Major Samuel Lane (14.º Regimento) Companhia do 12.º Regimento de Infantaria — Capitão Thomas Sangster Companhia do 36.º Regimento de Infantaria — Capitão Joseph Hook Companhia do 36.º Regimento de Infantaria — Tenente William Rogers