Tribunais da Consciência. Inquisidores, Confessores, Missionários é um livro historiográfico que narra ações inquisitoriais, escrito por Adriano Prosperi publicado pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) em 2013. O livro retrata a presença da Igreja na Itália Moderna e aborda as Reformas e Contrarreformas no período inquisitorial italiano.
O livro é dividido em três partes: A Inquisição, A Confissão e Os Missionários. Internalizando a ideia do poder político e religioso da Igreja Católica diante do papel da confissão como instrumento fundamental de conversão.
Tema do livro Prosperi narra o poder da Igreja Católica como instituição e sua capacidade de vincular o religioso ao político. A Inquisição na Era Moderna apresenta várias faces, que serão abordadas pelo autor, mas ele ressalta, principalmente, o poder da Confissão (sacramento) como arma e instrumento para o controle dos fiéis somado ao privilégio de conversão.
Ao vincular o religioso ao político, Prosperi mostra que a heresia não seria apenas contra Igreja Católica, mas também contra o próprio Príncipe. Na Época Moderna, assim, a heresia estaria vinculada ao próprio Estado.
Origem do título De acordo com o prefácio do livro Tribunais da Consciência, o título do trabalho tem origem em trecho da obra de Tommaso Campanella em 1604:
"Vê-se ainda que hoje não se vive apenas com as leis de Cristo, mas com as leis civis, porque a maldade e a fragilidade não se espera observá-las, mas a lei de Cristo tem os tribunais da consciência perante os quais cada um deve penitenciar-se das culpas, fazendo em si justiça voluntária, e bem-aventurados seríamos se não houvesse necessidade de outro tribunal, e cada um demandasse pena de sua culpa, sem esperar que outrem o acuse, e chame testemunhas. E isso foi desejo de Sócrates, e dizia que assim quer a razão natural, e que não haja oradores para defender as causas, nem legistas glosadores, como menciona Platão. Não disse apenas isso Sócrates, mas que tampouco deve-se o homem defender e desculpar, e se condenado por erro, deve receber a sentença com humildade, esperando de Deus recompensa após a morte. E isso fez e disse Sócrates imitando Cristo, que ele não conhecia em carne, mas em natureza racional."
O presente título fundamenta-se em um Tribunal realizado por si mesmo, Tommaso Campanella aponta as visões de Sócrates e Platão indicando que o Tribunal deveria ser de "razão natural", ou seja, a penitência realizada em detrimento de sua própria consciência e sua pena seria demandada a partir de sua culpa, seguindo as leis de Cristo. Ele argumenta que não deveriam haver oradores para defender as causas do tribunal, e, no mesmo sentido, não haverá acusadores, tendo em vista que o "réu" seria seu próprio acusador.
Importância Uma crítica realizada por Gabriel Cardoso Bom, propõe uma análise comparativa acerca de Adriano Prosperi e Paolo Prodi, os quais apresentam uma metodologia de pesquisa para a análise da Inquisição moderna. Em conjunto com Paolo Prodi, na década de 1990, Adriano Prosperi foi responsável por uma renovação fundamental no campo de pesquisas da Inquisição, nesse sentido, suas obras são apresentadas de duas formas ao abordar o processo inquisitorial moderno.
Ambas as obras mostram a importância e papel da Inquisição para analisar o catolicismo moderno e a missão jesuíta na América e na Ásia. Adriano Prosperi analisa a documentação inquisitorial e missionária, enquanto Paolo Prodi busca fazer uma história jurídica da Europa.
Prosperi aponta que a Inquisição ajudou a construir identidades coletivas por meio de processos de exclusão dos diversos. A Inquisição Italiana não era apenas uma instituição de punição jurídica, era considerada também um mecanismo de controle social, político e das consciências individuais através da combinação do confessionário e da polícia da fé.
Referências
Categoria:Tribunais Categoria:Livro Categoria:Inquisição Categoria:Escritores