miniaturadaimagem|direita|Uma ovelha mestiça amamenta seu cordeiro, o primeiro nascido durante a estação de parição da primavera de 2008 em uma fazenda de Coventry, Inglaterra
As ovelhas domesticadas são animais de manada criados para fins agropecuários. Um rebanho de ovelhas é coberto por um único carneiro, que pode ter sido selecionado por um agricultor ou, em populações de ovelhas selvagens, ter estabelecido sua dominância por meio de confrontos físicos com outros carneiros. As ovelhas possuem uma estação reprodutiva (tupping) durante o outono, embora algumas possam reproduzir-se ao longo de todo o ano.
Como resultado da influência humana sobre a criação de ovinos, as ovelhas frequentemente dão à luz múltiplos cordeiros. Esse aumento no número de cordeiros por parto, bem como no peso ao nascer, pode causar problemas durante o parto e comprometer a sobrevivência dos cordeiros, exigindo a intervenção de pastores. Comportamento sexual
As ovelhas geralmente atingem a maturidade sexual entre os seis e os oito meses de idade, enquanto os carneiros normalmente a alcançam entre os quatro e os seis meses (embora, ocasionalmente, cordeiros machos tenham fecundado suas próprias mães aos dois meses de idade). As ovelhas são animais poliéstricos sazonais. As fêmeas entram em cio aproximadamente a cada 17 dias, e cada ciclo dura cerca de 30 horas. Elas indicam receptividade sexual por meio de posturas corporais dirigidas aos carneiros e pela liberação de feromônios. Os carneiros apresentam a resposta de Flehmen ao cheirar a urina de uma ovelha em cio. O órgão vomeronasal possui receptores capazes de detectar o estrogênio presente na urina da fêmea. O carneiro manifesta esse comportamento estendendo o pescoço e curvando o lábio superior.
Freemartins, fêmeas bovinas que apresentam comportamento masculinizado e não possuem ovários funcionais, são comumente associadas aos bovinos, mas também ocorrem, em menor grau, entre ovinos. A ocorrência de freemartins em ovinos pode estar aumentando paralelamente ao crescimento da incidência de partos gemelares (os freemartins resultam da gestação de gêmeos de sexos diferentes).
miniaturadaimagem|Carneiro-selvagem exibindo a resposta de Flehmen. Época de acasalamento
Sem intervenção humana, os carneiros podem lutar durante o período de cio para determinar quais indivíduos poderão acasalar com as ovelhas. Carneiros, especialmente os que não se conhecem, também lutam fora da estação reprodutiva para estabelecer dominância; se deixados juntos livremente, podem matar uns aos outros. Durante o período de cio, mesmo carneiros normalmente dóceis podem tornar-se agressivos com seres humanos em razão do aumento dos níveis hormonais.
miniaturadaimagem|direita|Uma ovelha prenha da raça St. Croix
Historicamente, carneiros particularmente agressivos às vezes eram vendados ou tinham as pernas presas por meio de peias. Atualmente, os criadores de carneiros costumam preferir medidas preventivas menos severas, como permanecer próximo a uma rota de fuga desobstruída, nunca virar as costas para um carneiro e, eventualmente, lançar água ou uma solução diluída de água sanitária ou vinagre para desencorajar investidas. Gestação
Sem o uso de um ultrassom ou de outros instrumentos especializados, é difícil determinar se uma ovelha está prenha. As fêmeas somente passam a apresentar sinais visíveis de gestação cerca de seis semanas antes do parto; por isso, os pastores frequentemente presumem que um carneiro fecundará todas as ovelhas de um rebanho. Entretanto, ao equipar um carneiro com um peitoral denominado marking harness, que comporta um giz de cera especial (crayon ou raddle), as ovelhas montadas ficam marcadas com uma determinada cor. O corante também pode ser aplicado diretamente ao peito do carneiro (região inferior do tórax). Esse método não é utilizado em rebanhos destinados à produção de lã, pois a tinta do raddle pode manchar a lã. O giz do marking harness pode ser substituído ao longo da estação reprodutiva, permitindo prever a data do parto de cada ovelha.
Após o acasalamento, as ovelhas apresentam um período de gestação de aproximadamente cinco meses. Alguns dias antes do parto, as fêmeas começam a apresentar alterações de comportamento. Elas podem deitar-se e levantar-se repetidamente, escavar o solo com as patas ou agir de forma diferente do padrão normal do rebanho. O úbere aumenta rapidamente de volume e a vulva torna-se inchada. Também podem ocorrer prolapso vaginal, prolapso uterino ou prolapso retal, casos em que podem ser utilizadas suturas ou dispositivos de contenção para manter o orifício na posição caso o problema persista. Em geral, as ovelhas que apresentam complicações graves durante o parto, como prolapsos, são descartadas do rebanho para evitar novas complicações em gestações futuras. Inseminação artificial e transferência de embriões
Além da inseminação natural realizada pelos carneiros, a inseminação artificial e a transferência de embriões vêm sendo utilizadas há muitos anos em programas de melhoramento genético de ovinos na Austrália e na Nova Zelândia. Esses programas tornaram-se mais comuns nos Estados Unidos durante a década de 2000, à medida que aumentou o número de médicos-veterinários qualificados para realizar esses procedimentos com proficiência. Entretanto, a inseminação artificial em ovinos é relativamente mais complexa do que em outras espécies de criação. Ao contrário dos bovinos e caprinos, que possuem um colo do útero retilíneo passível de inseminação vaginal, as ovelhas apresentam um colo uterino curvo, de acesso mais difícil. Além disso, até recentemente, os criadores não conseguiam controlar o ciclo estral de suas ovelhas. Atualmente, o controle do ciclo estral é muito mais simples graças ao uso de produtos que sincronizam com segurança os ciclos de cio. Entre eles estão PG600, CIDRs, Estrumate e Folltropin V. Esses produtos contêm progesterona, que induz o cio em ovelhas durante o anestro sazonal, período em que elas normalmente não apresentam ciclos estrais regulares fora da estação reprodutiva.
Historicamente, a inseminação vaginal de ovinos alcançava taxas de sucesso de apenas 40% a 60%, motivo pelo qual era conhecida como shot in the dark ("tiro no escuro"). Na década de 1980, pesquisadores australianos desenvolveram um procedimento de inseminação laparoscópica que, combinado com o uso de progestagênios e da gonadotrofina coriônica equina (PMSG) obtida do soro sanguíneo de éguas prenhes, proporcionou taxas de sucesso muito mais elevadas (50% a 80% ou mais), tornando-se o método-padrão de inseminação artificial em ovinos no século XXI.
A coleta de sêmen é uma etapa fundamental desse processo. Após coletado, o sêmen pode ser utilizado imediatamente para inseminação ou ser congelado lentamente para uso posterior. O sêmen fresco é considerado a melhor opção, pois permanece viável por mais tempo e proporciona maiores taxas de concepção. O sêmen congelado também pode ser utilizado, mas deve ser de qualidade superior e as ovelhas precisam ser inseminadas duas vezes no mesmo dia. A comercialização de sêmen de carneiros constitui uma parte importante desse setor, permitindo que proprietários de reprodutores premiados rentabilizem o valor genético de seus animais mais renomados.
A transferência de embriões (TE) é um procedimento cirúrgico de pequeno porte, com risco mínimo de lesões ou infecções quando realizada corretamente. A laparoscopia em ovinos permite a introdução de genética superior, inclusive de raças que poderiam estar ausentes em determinados países devido às restrições à importação de animais vivos. Os procedimentos de TE possibilitam que os produtores maximizem a utilização das fêmeas que produzem os melhores cordeiros, seja para reposição do rebanho, seja para comercialização. A técnica também permite continuar utilizando ovelhas que, por limitações físicas, não conseguem gestar ou amamentar adequadamente uma ninhada. Dessa forma, um rebanho pode ser expandido rapidamente com animais geneticamente superiores e de linhagens semelhantes. Nos Estados Unidos, essa tecnologia é utilizada principalmente por criadores e expositores de cordeiros destinados a exposições agropecuárias. Seu uso também é comum na ovinocultura comercial da Austrália, Nova Zelândia e América do Sul.
As taxas médias de sucesso da transferência de embriões, medidas pelo número de embriões recuperados, variam amplamente. Cada raça responde de maneira distinta ao procedimento. Em geral, ovelhas de face branca apresentam maior fertilidade do que as de face negra. O número de embriões viáveis obtidos em uma única coleta pode variar de zero até pouco mais de vinte. Ao longo de um ano, a média é de 6,8 embriões transferíveis por doadora, com uma taxa de concepção de aproximadamente 75% para esses embriões. Infertilidade
A infertilidade pode ser atribuída a diversos aspectos relacionados às práticas de manejo, bem como a fatores de saúde. Uma das principais causas dos baixos índices de parição observados em um rebanho é a deficiência de minerais e vitaminas. Os principais nutrientes que desempenham papel importante na fertilidade são o selênio, o cobre e as vitaminas A e D. Outros fatores que afetam a fertilidade e podem provocar abortos incluem doenças infecciosas, condição corporal inadequada e toxinas presentes na alimentação. Parto
À medida que o momento do parto se aproxima, o cordeiro desce em direção ao canal do parto, fazendo com que a ovelha apresente o dorso arqueado, comportamento inquieto e uma depressão visível na região anterior aos ossos do quadril. Quando o parto é iminente, começam as contrações, e a inquietação da ovelha tende a aumentar.
O trabalho de parto normal pode durar de uma a várias horas, dependendo do número de cordeiros, da idade da ovelha e de sua condição física e nutricional antes do parto. Embora algumas raças produzam regularmente ninhadas maiores (há registros de até nove cordeiros em um único parto), a maioria das ovelhas dá à luz um ou dois cordeiros. O número de cordeiros produzidos por uma ovelha em um ano é conhecido como porcentagem de parição. A condição corporal da ovelha durante a estação reprodutiva influencia tanto a porcentagem de parição quanto o tamanho dos cordeiros. Em determinado momento, geralmente no início do trabalho de parto ou logo após o nascimento, a ovelha e seus cordeiros podem ser mantidos em pequenos currais de maternidade. Esses currais, que normalmente medem entre 0,6 e 2,4 metros de comprimento e largura, destinam-se a facilitar a observação cuidadosa da ovelha e fortalecer o vínculo entre ela e seus cordeiros.
miniaturadaimagem|O segundo cordeiro de um parto gemelar nascendo em uma pastagem da Nova Zelândia
A obstetrícia em ovinos pode apresentar dificuldades. Ao selecionar, durante várias gerações, ovelhas que produzem múltiplos cordeiros com maior peso ao nascer, os criadores contribuíram involuntariamente para que algumas ovelhas domesticadas passassem a ter maior dificuldade durante o parto. Entretanto, é um mito que as ovelhas não conseguem parir sem assistência humana; muitas dão à luz diretamente nas pastagens sem qualquer ajuda. Conciliar facilidade de parto com elevada produtividade é um dos principais desafios do melhoramento genético de ovinos. Embora a maioria dos partos transcorra normalmente e não exija intervenção, diversas complicações podem ocorrer.
O cordeiro pode apresentar-se na posição considerada normal (com a cabeça e as duas patas dianteiras voltadas para a frente), mas ser grande demais para atravessar o canal de parto. Isso ocorre frequentemente quando carneiros de grande porte são cruzados com ovelhas de menor porte, uma vez que os machos são naturalmente maiores que as fêmeas. Os cordeiros também podem apresentar-se com um dos ombros voltado para o lado, totalmente voltados para trás ou com apenas alguns membros projetando-se para fora. Além disso, podem ocorrer abortos espontâneos ou natimortos.