O Chafariz de São José é um chafariz edificado em 1749 em Tiradentes, no Brasil, e um grande exemplo de arquitetura e arte barroca. O chafariz é abastecido pelas águas da reserva florestal Bosque da Mãe D’Água, que fica localizada atrás do Chafariz e aos pés da Serra de São José. O chafariz de São José possui quatro fachadas e ele é composto primariamente de quartzito. É considerado como um dos mais belos e imponentes exemplares de chafarizes do Brasil Colonial.

O monumento foi tombado pelo IPHAN como parte do conjunto arquitetônico de Tiradentes em 1938, e individualmente em 1949, ano de seu bicentenário. O chafariz é a única edificação tombada inserida na APA-Área de Proteção Ambiental da Serra de São José (Decreto Nº 30.934, de 16/2/1990).

História Ao longo dos séculos XVIII e XIX, haviam poucas edificações em Minas Gerais com fornecimento de água potável, o abastecimento sendo feito, em geral, por meio de alcatruzes. Assim, por muito tempo, o Poço da Matriz foi um dos principais pontos de abastecimento de água potável da antiga Vila de São José del-Rei. Isso mudou quando, ainda na primeira metade do século XVIII, a Câmera ordenasse a construção de um chafariz público. No entanto, toda documentação referente à construção do Chafariz foi perdida.

Após a conclusão de sua construção, o local passou a ser intensamente frequentado pelas mulheres, que ali lavavam roupas e coletavam água potável para abastecer suas casas. Também se tornou um espaço de convivência para a população escravizada da cidade, que o utilizava nos momentos de descanso, reunindo-se para cantar e dançar — prática registrada pelo viajante irlandês Reverendo Robert Walsh durante sua passagem pelo Brasil.

Ao longo do século XX, o chafariz foi um dos principais espaços de sociabilidade da cidade. Além de fornecer água potável, reunia as lavadeiras e atraía rapazes nos fins de tarde, tornando-se cenário constante de fotografias hoje preservadas no Arquivo Central do IPHAN. Em 1924, a Caravana Modernista registrou o local, com Tarsila do Amaral registrando cenas do chafariz em alguns desenhos.

O monumento e seu largo também serviram de cenário para documentários, filmes e minisséries, valorizados por sua ambiência elegante e bucólica. No final do século XX, o chafariz perdeu suas funções originais de abastecimento e lavanderia pública, permanecendo como patrimônio histórico que, ao longo do tempo, recebeu intervenções de manutenção e restauro.

Características O Chafariz de São José possui um pátio frontal fechado por mureta, com banco na fachada principal e acesso marcado por dois pináculos e um parapeito que originalmente impedia a entrada de animais. O corpo do chafariz é levemente elevado, alcançado por quatro degraus e disposto de forma centralizada.

A fachada apresenta uma composição que remete ao frontispício de uma capela. Na base encontra-se o tanque principal, de linhas abauladas, típicas do estilo barroca. O tanque é enquadrado por duas colunas ladeadas por volutas em forma de “S” e rematado por cimalha. No pano há uma área pintada em azul cobalto, e nela se encontram três carrancas antropomorfas. Sobre a carranca central está inscrita a data de construção do monumento, 1749. Acima das carrancas e encaixado na cimalha, está localizado o oratório, que abriga uma imagem de São José de Botas, em terracota, provavelmente de origem portuguesa. Sobre a cimalha há dois arranques em volutas que sustentam pináculos semelhantes aos da entrada. Ao centro destaca-se o brasão das armas de Portugal, e acima dele o acrotério com cruz.

À direita do chafariz, localiza-se o tanque destinado às lavadeiras. O pátio é calçado com blocos de quartzito aparelhados e possui duas bicas: uma para abastecimento de água e outra é o ladrão do tanque localizado no lado esquerdo, que era utilizado para matar a sede de animais, especialmente das tropas que transitavam pela localidade.

Ver também

Barroco no Brasil Barroco mineiro Arquitetura colonial do Brasil

CRUZ, Luiz Antonio da. Chafariz de São José da cidade de Tiradentes e sua intervenção de restauro. Geonomos, v. 24, n. 2, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.18285/geonomos.v24i2.881.

Categoria:Patrimônio tombado pelo IPHAN em Tiradentes Categoria:Arquitetura do Brasil do século XVIII

Categoria:Fontes e chafarizes de Minas Gerais Categoria:Fontes e chafarizes tombados pelo IPHAN Categoria:Barroco mineiro Categoria:Arquitetura barroca no Brasil Categoria:Arquitetura colonial no Brasil