Abu Uabe Almutime ibne Adi ibne Naufal ibne Abede Manafe Anaufali Alcoraixi (; Meca, c. 524–533 — ), foi um líder dos naufalitas, ramo da tribo dos coraixitas. Sucedeu seu pai na chefia do clã e destacou-se entre os principais notáveis de Meca por sua atuação na administração dos serviços prestados aos peregrinos da Caaba. Embora tenha integrado a oposição tribal à pregação de Maomé, não participou das perseguições mais severas aos muçulmanos. Durante o boicote imposto aos haxemitas, auxiliou discretamente os sitiados, empenhou-se na revogação do bloqueio e concedeu proteção tribal a Maomé após seu retorno de Taife, permitindo-lhe reingressar em Meca sob sua garantia. Mutime nunca abraçou o islã e morreu pouco antes da Batalha de Badre. Apesar disso, sua conduta foi lembrada favoravelmente por Maomé e por diversos autores muçulmanos, que destacaram sua intervenção em favor dos haxemitas e a proteção concedida a Maomé nos últimos anos da missão em Meca.
Vida
Mutime nasceu em Meca entre 524 e 533. Era filho de Adi ibne Naufal, pertencente ao ramo dos naufalitas da tribo dos coraixitas. Sua linhagem encontrava-se com a de Maomé em Abede Manafe ibne Cuçai, razão pela qual ambos eram considerados primos distantes. Após a morte do pai, assumiu a chefia de seu clã e passou a exercer funções ligadas à assistência dos peregrinos que visitavam a Caaba. Segundo a tradição, adquiriu o poço de Sájela, originalmente escavado por Haxime ibne Abede Manafe, bisavô de Maomé, destinando-o aos naufalitas. Posteriormente, com a autorização de Abede Almotalibe, passou a distribuir água do poço de Zenzem aos peregrinos a partir de um reservatório construído nas proximidades do poço sagrado. Esses serviços contribuíram para consolidar seu prestígio entre os principais notáveis de Meca. Em data anterior ao surgimento do islã, Mutime integrou, ao lado de Abede Almotalibe, a delegação enviada ao encontro de Abramo com o objetivo de convencê-lo a desistir da campanha contra a Caaba. Embora posteriormente tenha se unido aos demais chefes tribais que procuravam impedir a expansão da pregação de Maomé, sua oposição não alcançou o mesmo grau de hostilidade demonstrado por outros líderes coraixitas. Durante o boicote imposto aos haxemitas e aos seus aliados, enviou-lhes alimentos secretamente e participou das negociações destinadas a pôr fim ao bloqueio. Juntamente com outros notáveis de Meca, trabalhou pela revogação do pacto e assumiu a responsabilidade de anunciar publicamente sua anulação, retirando do interior da Caaba o documento que continha os termos do boicote. Segundo a tradição islâmica, verificou então que todo o texto havia sido destruído por cupins, permanecendo intacta apenas a invocação Bismica Alauma (), fórmula empregada pelos árabes antes do islã.
Mutime também participou do resgate do líder cazerajita Sade ibne Ubada, capturado pelos coraixitas quando regressava a Medina após participar do Segundo Pacto de Ácaba. Atuando em conjunto com , conseguiu obter sua libertação e impedir que permanecesse prisioneiro em Meca. Um dos episódios mais conhecidos de sua vida ocorreu quando Maomé retornou de Taife, pouco antes da Hégira. Após alcançar a caverna de Hira, Maomé considerou imprudente entrar em Meca sem a proteção de um chefe tribal e enviou mensageiros a alguns dos principais líderes coraixitas solicitando-lhes garantia de segurança. Mutime foi o terceiro a ser consultado e aceitou conceder-lhe proteção. Dirigiu-se ao encontro de Maomé, acompanhou-o até a Mesquita Sagrada e anunciou publicamente aos mecanos que Maomé se encontrava sob sua proteção, conduzindo-o em seguida até sua residência. Segundo uma tradição preservada por , Maomé passou aquela noite na casa de Mutime antes de regressar ao seu próprio lar. Apesar desse gesto, Mutime jamais abraçou o islã e, mais tarde, participou da reunião realizada em Dar Anadua na qual os chefes coraixitas decidiram organizar o assassinato de Maomé antes de sua migração para Medina. Pouco antes da Hégira, Mutime chegou a pedir Aixa em casamento para seu filho Jubair ibne Mutime. Segundo a tradição, entretanto, receava que o casamento levasse o filho a converter-se ao islã em razão da influência da família de Abu Becre, motivo pelo qual a união não se concretizou. Mutime morreu em Sáfar de 2 A.H. (agosto de 623), poucos meses antes da Batalha de Badre. Algumas tradições afirmam que sua morte foi seguida por um ano de luto em Meca, testemunhando o elevado prestígio de que desfrutava entre seus contemporâneos.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Naufalitas Categoria:Naturais de Meca