Jubair ibne Mutime, nascido Abu Maomé (Abu Adi) Jubair ibne Mutime ibne Adi ibne Naufal ibne Abede Manafe Alcoraixi (; Meca, c. — 678/9) foi um companheiro de Maomé, tradicionalista, genealogista e membro da aristocracia dos coraixitas, pertencente ao ramo dos naufalitas. Filho de Mutime ibne Adi, sucedeu o pai como um dos mais respeitados conhecedores das genealogias árabes e desempenhou funções administrativas durante o Califado Ortodoxo. Inicialmente opositor do islã, participou das campanhas dos coraixitas contra os muçulmanos e esteve envolvido em diversos acontecimentos do período mecano, incluindo a Batalha de Badre, a Batalha de Uude e a execução de . Converteu-se após o Tratado de Hudaibia, ou, segundo outra tradição, durante a Conquista de Meca, passando a integrar o círculo dos companheiros de Maomé e participando das campanhas militares subsequentes. Reconhecido pela brandura de caráter, pela prudência e pelo amplo conhecimento da ciência das genealogias, foi discípulo de Abu Becre nessa disciplina e transmitiu cerca de sessenta hádices de Maomé. Seus relatos foram preservados nas principais coleções canônicas e exerceram influência sobre estudiosos das gerações posteriores.
Vida
Jubair nasceu em Meca por volta de 594. Era filho de Mutime ibne Adi, chefe dos naufalitas, um dos ramos dos coraixitas. Sua linhagem encontrava-se com a de Maomé em Abede Manafe ibne Cuçai, razão pela qual ambos eram considerados primos distantes. Em virtude da posição de sua família entre a aristocracia coraixita, desfrutava de elevado prestígio tanto antes quanto depois do advento do islã. Embora seu pai tenha protegido Maomé em diversas ocasiões durante o período mecano, Jubair permaneceu durante muitos anos entre os opositores do islã. Antes da Hégira, participou da reunião realizada em Dar Anadua na qual os chefes dos coraixitas decidiram assassinar Maomé, representando os naufalitas. Também combateu ao lado dos mecanos na Batalha de Badre e, após a derrota, integrou a delegação enviada a Medina para negociar a libertação dos prisioneiros coraixitas. Ao regressar a Meca, esteve entre os líderes que propuseram a Abu Sufiane ibne Harbe que os lucros da caravana coraixita fossem destinados integralmente aos preparativos para uma nova campanha contra os muçulmanos.
Na preparação da Batalha de Uude, Jubair pressionou o poeta a mobilizar apoio às forças mecanas e prometeu conceder liberdade ao seu escravo Uaxi ibne Harbe caso este vingasse a morte de seu tio , morto em Badre, assassinando Hâmeza ibne Abede Almotalibe. Quando Uaxi matou Hâmeza durante a batalha, Jubair manifestou grande satisfação. Posteriormente, participou da execução de , capturado após a . Após o Tratado de Hudaibia, abandonou a oposição ao islã e converteu-se em 628. Segundo uma tradição, participou da Batalha de Caibar, ocasião em que solicitou a Maomé uma parte do espólio em nome de seu clã. Outras fontes afirmam que somente abraçou o islã durante a Conquista de Meca de 630, sendo incluído entre os . Posteriormente participou da Batalha de Hunaine e recebeu vultosa parcela do espólio como integrante dos Muallafat al-Qulub.
Durante o califado de Omar , foi encarregado de colaborar na organização do divã em razão de seus conhecimentos da ciência das genealogias. O califa chegou a nomeá-lo governador de Cufa, mas a designação foi revogada antes que assumisse o cargo, sendo substituído por Almuguira ibne Xuba. No governo de Otomão , integrou a delegação enviada para negociar com os rebeldes que marchavam sobre Medina e, após o assassinato do califa, participou de seu sepultamento, havendo tradições segundo as quais dirigiu a oração fúnebre. Durante a Arbitragem de Sifim, foi um dos cinco notáveis coraixitas cuja consulta foi proposta por Anre ibne Alas durante as negociações com Abu Muça Alaxari. Reconhecido por seu temperamento brando e por sua prudência, adquiriu renome como genealogista, disciplina na qual tivera Abu Becre como mestre. Morreu em 59 A.H. (678 ou 679). Transmitiu cerca de sessenta hádices de Maomé. Seus relatos foram preservados nas principais coleções canônicas e exerceram influência sobre estudiosos das gerações posteriores.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:naufalitas Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo