Macrama ibne Naufal, nascido Abu Safuane (Abu Almiçuar) Macrama ibne Naufal ibne Uabe ibne Abede Manafe Azuri Alcoraixi (; c. — Medina, ) foi um companheiro de Maomé, genealogista, historiador e tradicionalista árabe. Pertencente ao ramo dos zuraítas dos coraixitas, desempenhou papel destacado na sociedade mecana antes e depois do advento do islã, sendo reconhecido por seu conhecimento da história, da genealogia e da poesia tribal, bem como por sua atuação como árbitro em disputas entre indivíduos e clãs. Ainda no período pré-islâmico comandou o contingente dos zuraítas durante as Guerras Sacrílegas e participou da caravana comercial dirigida por Abu Sufiane ibne Harbe, cuja perseguição pelos muçulmanos culminou na Batalha de Badre. Após converter-se ao islã na Conquista de Meca, participou da Batalha de Hunaine, estabeleceu-se em Medina e recebeu de Omar importantes encargos administrativos relacionados à Grande Mesquita de Meca e à organização do registro militar e financeiro do califado. É também lembrado pela tradição islâmica por sua relação próxima com Maomé, pela residência conhecida como Dar Alcurra, associada ao ensino do Alcorão em Medina, e por ser pai do companheiro . Morreu em Medina em 54 A.H. (674), provavelmente aos 115 anos de idade.
Vida
Estima-se que Macrama tenha nascido cerca de sessenta anos antes da Hégira, por volta de 564. Era filho de Naufal ibne Uabe ibne Abede Manafe, pertencente ao ramo dos zuraítas dos coraixitas, e de Rucaica binte Abi Saifi, neta de Haxime ibne Abede Manafe. Por sua ascendência materna, era aparentado a Maomé, sendo sobrinho-neto de Amina binte Uabe, mãe do profeta, e primo de Sade ibne Abi Uacas. Era conhecido pelas cunhas Abu Safuane e Abu Almiçuar e casou-se com Atica, irmã de Abederramão ibne Aufe, uma das primeiras muçulmanas que emigraram para Medina durante a Hégira. Antes de converter-se ao islã, ocupou posição de destaque entre os coraixitas. Durante a Guerras Sacrílegas, comandou o contingente dos zuraítas no exército coraixita. Era reconhecido como transmissor da poesia tribal, profundo conhecedor da história e da genealogia dos árabes e frequentemente atuava como árbitro em disputas entre indivíduos e tribos. Em 624, integrou a caravana comercial conduzida por Abu Sufiane ibne Harbe que regressava da Síria e cuja perseguição pelos muçulmanos resultou na Batalha de Badre. Após a chegada segura da caravana a Meca, os zuraítas retiraram-se do exército coraixita que marchava para o confronto. Em represália, Abu Sufiane confiscou bens pertencentes a membros do clã, mas Macrama conseguiu convencê-lo a restituí-los, episódio que evidencia o prestígio de que desfrutava entre os coraixitas. Macrama converteu-se ao islã durante a Conquista de Meca de 630. Na ocasião, encontrava-se ao lado de Alabás ibne Abede Almotalibe quando este saiu ao encontro de Maomé em Niculucabe, segundo Atabari, ou em Sucia, conforme outra tradição preservada por Almacrizi.
Logo após sua conversão participou da Batalha de Hunaine ao lado do exército muçulmano. Considerado um dos muallafa al-qulub, recebeu de Maomé cinquenta camelos provenientes dos despojos da campanha. As fontes registram que, a partir desse momento, tornou-se um muçulmano sincero e dedicado. Depois da conquista, estabeleceu-se em Medina. Segundo Ibne Sade, Ibne Ume Maquetume hospedou-se, algum tempo após a construção da Sufa, na residência de Macrama conhecida como Dar Alcurra. Como Ibne Ume Maquetume emigrara para Medina muito antes da conquista de Meca, presume-se que a casa somente tenha passado à propriedade de Macrama em período posterior. Homem de temperamento severo, era tratado com especial brandura por Maomé. Um episódio preservado nas tradições relata que, ao saber da distribuição de vestes recebidas como presente pelo profeta, dirigiu-se à sua residência acompanhado do filho . Após este chamar Maomé à porta, o profeta saiu trazendo uma valiosa roupa e declarou que a havia reservado especialmente para Macrama, presenteando-o diante do filho. Durante o califado de Omar , Macrama foi encarregado, juntamente com outros companheiros, de demarcar os limites da Grande Mesquita de Meca. Em 641, quando o califa determinou a organização do divã, participou desse trabalho ao lado de Aquil ibne Abi Talibe e Jubair ibne Mutime. Em outra ocasião, foi condenado por Omar à pena prevista para o crime de falsa acusação após difamar um coraixita. Perdeu a visão durante o califado de Otomão e morreu em Medina em 54 A.H. (674), provavelmente com cerca de 115 anos de idade. O arabista Fuat Sezgin classificou-o equivocadamente entre os tabis na tradução árabe de sua Geschichte des Arabischen Schrifttums, embora as fontes clássicas o considerem um companheiro de Maomé.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Zuraítas Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras Sacrílegas