Francisco Moreira Sampaio (Salvador, 1851 — Rio de Janeiro, 1901) foi um dramaturgo, jornalista, poeta e médico brasileiro, um dos principais nomes do teatro de revista no Brasil na segunda metade do século XIX.
Foi colaborador de Artur Azevedo, com quem escreveu várias das primeiras e mais célebres "revistas do ano" brasileiras, entre elas O Mandarim (1884), considerada a peça fundadora do gênero no país. Moreira Sampaio também assinou sozinho dezenas de peças, entre comédias, mágicas (o gênero da féerie francesa) e traduções de operetas e vaudevilles europeus. Formado em medicina, exerceu ainda funções públicas no Império e atuou no jornalismo carioca, tendo integrado a redação do periódico Novidades ao lado de Artur Azevedo, Alcindo Guanabara, Olavo Bilac e Coelho Neto.
Vida e carreira Nascido em Salvador, na Bahia, em 1851, Francisco Moreira Sampaio formou-se em medicina, tendo defendido em 1873 uma tese sobre aleitamento natural, artificial e misto no Rio de Janeiro, cidade para a qual se transferiu e onde construiu o essencial de sua carreira. Além do exercício da medicina, foi funcionário público do Império e dedicou-se ao jornalismo e às letras, publicando poesia e colaborando em periódicos como Minerva (1867) e Aurora Literária (1869), ainda antes de firmar-se como dramaturgo.
A partir da década de 1870, Moreira Sampaio voltou-se ao teatro, gênero em que se notabilizaria como um dos principais colaboradores de Artur Azevedo, ao lado de quem viria a consolidar, nos anos 1880, o teatro de revista no Brasil, um formato que satirizava, em quadros e números musicados, os acontecimentos e personagens do ano que passava. A dupla estreou o gênero em bases definitivas em 1884 com O Mandarim, considerada a primeira revista de ano genuinamente nacional, e manteve a parceria ao longo da década seguinte em títulos como Cocota (1885), O Bilontra (1886), O Carioca (1887), Mercúrio (1887) e O Homem (1887, baseada no romance homônimo de Aluísio Azevedo).
Paralelamente à parceria com Azevedo, Moreira Sampaio assinou sozinho um número expressivo de peças, sobretudo no gênero da "mágica" (adaptação brasileira da féerie francesa, baseada em efeitos cênicos, transformações e maquinaria de palco), do qual foi um dos principais praticantes no país, com obras como A Cornucópia do Amor. Atuou também como tradutor e adaptador de operetas, vaudevilles e comédias europeias para os palcos cariocas. Integrou a redação do jornal Novidades, no Rio de Janeiro, onde teve como colegas Artur Azevedo, Alcindo Guanabara, Olavo Bilac e Coelho Neto. Faleceu no Rio de Janeiro em 1901.
Obras Entre o Cassino e a Fênix (1876) As Desgraças de um Ambrósio (1876) Grogs e Apoiados (1876) O Martins no Inferno (1877) O Diabo e o Sapateiro (1880) O Carnaval em 1882 (1882) Fagundes & Cia. (1882) Os Botocudos (1882) O Meu Anjo Camillo (1882) Rosa da Pureza (1882) O Napoleão das Moças (1883) A Rosa Murcha (1884) O Mandarim (1884) (com Artur Azevedo) Cocota (1885) (com Artur Azevedo) O Bilontra (1886) (com Artur Azevedo) O Carioca (1887) (com Artur Azevedo) Mercúrio (1887) (com Artur Azevedo) O Homem (1887) (com Artur Azevedo) A Dama de Espadas (1888) (adaptação; original de E. Leterrier e A. Vanloo) D. Sebastiana: Revista Fluminense de 1888 (1889) Amores de Psiquê (1891) Dez Dias nos Pirineus (1892) Abacaxi (1893) (com Vicente Reis) A Cornucópia do Amor (1894) A Romã (1894) Vovó (1894) (com Vicente Torres da Silva Reis) Quatro Milhões (1898) (com Luís de Castro) A Borboleta de Ouro (1898) (com Orlando Teixeira) O Genro de Muitas Sogras (1908) (com Artur Azevedo)
Ver também Teatro de revista Artur Azevedo Teatro do Brasil
Referências
Categoria:Nascidos em 1851 Categoria:Mortos em 1901 Categoria:Dramaturgos do Brasil Categoria:Naturais de Salvador Categoria:Jornalistas da Bahia Categoria:Médicos da Bahia