miniatura|direita|O Filho pródigo. No cristianismo, o pecado é um ato imoral e uma transgressão da lei divina. A doutrina do pecado é central para a fé cristã, uma vez que sua mensagem fundamental trata da redenção em Cristo.Rahner, p. 1588

A hamartiologia, um ramo da teologia cristã dedicado ao estudo do pecado, descreve o pecado como um ato de ofensa a Deus — mediante o desprezo às Suas pessoas e à lei bíblica cristã, bem como através de danos causados ​​ao próximo.Sabourin, p. 696 A hamartiologia cristã está estreitamente relacionada aos conceitos de lei natural, teologia moral e ética cristã.

Para alguns estudiosos, o pecado é compreendido principalmente como uma infração legal ou violação contratual de estruturas filosóficas e perspectivas da ética cristã que não possuem caráter vinculante; consequentemente, a salvação tende a ser vista em termos jurídicos. Outros estudiosos cristãos compreendem o pecado como algo fundamentalmente relacional — uma perda de amor pelo Deus cristão e uma exaltação do amor próprio ("concupiscência", nesse sentido), conforme posteriormente proposto por Agostinho em seu debate com os pelagianos.On Grace and Free Will (ver Nicene and Post-Nicene Fathers, trad. P.Holmes, vol. 5; 30–31 [14–15]). Assim como ocorre com a definição jurídica de pecado, esta definição também afeta a compreensão cristã da graça e da salvação, as quais passam, então, a ser vistas em termos relacionais.Para uma revisão histórica dessa compreensão, veja R. N. Frost, "Sin and Grace", em Paul L. Metzger, Trinitarian Soundings, T&T Clark, 2005.

Etimologia Hamartiologia (do grego: ἁμαρτία, hamartia, "um afastamento dos padrões humanos ou divinos de retidão" e -λογια, -logia, "estudo").

Na Bíblia Antigo Testamento O primeiro uso de pecado como substantivo no Antigo Testamento grego cristão está em Gênesis, capítulo 4, versículo sete: "o pecado jaz à porta; a ti será o seu desejo, mas tu dominarás sobre ele", esperando para ser vencido por Caim, uma forma de teriomorfismo literário.Synthesis: bulletin du Comité national de littérature comparée / Comitetul Național pentru Literatură Comparată, Institutul de Istorie și Teorie Literară "G. Călinescu." – (2002). "O pecado é personificado como (um animal?) que 'espreita' à porta de Caim (Gn 4,7). Como observa Gerhard von Rad (Genesis, 105): 'A comparação do pecado com uma fera à espreita diante da porta é estranha, assim como o seu uso puramente decorativo'".

O livro de Isaías anunciava as consequências do pecado: "mas as vossas iniquidades são as que fizeram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados fizeram-lhe esconder de vós o seu rosto, de sorte que não vos ouça. Pois as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos de iniquidade; os vossos lábios falam mentiras, a vossa língua profere a iniquidade" — uma separação entre Deus e o homem, e adoração não correspondida.

Pecado original miniatura|400px|Representação do pecado de Adão e Eva por Jan Brueghel, o Velho, e Peter Paul Rubens.

O pecado original é a doutrina cristã de que os seres humanos herdam uma natureza impura e uma propensão ao pecado desde o nascimento. Teólogos caracterizaram essa condição de muitas maneiras, considerando-a como algo que varia desde algo tão insignificante quanto uma leve deficiência, ou uma tendência ao pecado sem culpa coletiva, referida como uma "natureza pecaminosa", até a depravação total ou culpa automática de todos os seres humanos por meio da culpa coletiva.

Os cristãos acreditam que a doutrina do estado de pecado da humanidade resultou da queda do homem, decorrente da rebelião de Adão no Éden, especificamente, o pecado de desobediência ao comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

O conceito de pecado original foi mencionado pela primeira vez no século II por Irineu, em sua controvérsia com certos gnósticos dualistas. Outros Padres da Igreja, como Agostinho de Hipona, também desenvolveram a doutrina, fundamentando-a no ensino do Apóstolo Paulo no Novo Testamento ( e ) e no versículo do , no Antigo Testamento."Preamble and Articles of Faith"; – V. Sin, Original and Personal – Church of the Nazarene. Acessado em 13 de outubro de 2013."Are Babies Born with Sin?" – Topical Bible Studies. Acessado em 13 de outubro de 2013. Tertuliano, Cipriano, Ambrósio e Ambrosiastro consideravam que a humanidade participa do pecado de Adão, transmitido pela geração humana. A formulação de Agostinho sobre o pecado original foi popular entre reformadores protestantes, como Martinho Lutero e João Calvino, que equiparavam o pecado original à concupiscência, afirmando que esta persistia mesmo após o batismo e destruía completamente a liberdade. O movimento jansenista, declarado herético pela Igreja Católica, também sustentava que o pecado original destruía o livre-arbítrio.

Vertentes significativas da compreensão hamartiológica — incluindo as tradições católica, presbiteriana, reformada continental e batista reformada — subscrevem a doutrina do pecado original, a qual acreditam que Paulo defende em e que Agostinho de Hipona popularizou no cristianismo ocidental, desenvolvendo-a na noção de "pecado hereditário". Agostinho ensinou que Deus responsabiliza todos os descendentes de Adão e Eva pelo pecado de rebelião de Adão e que, por isso, todas as pessoas merecem a ira e a condenação de Deus — independentemente de quaisquer pecados efetivos que elas pessoalmente cometam.Bavinck, Herman. Reformed Dogmatics Vol. 3. (Grand Rapids: Baker Academic, 2004). Páginas 75–125 detalham o desenvolvimento histórico da hamartiologia, incluindo a posição de Pelágio e as posições intermediárias)

Em contrapartida, o pelagianismo sustenta que os seres humanos ingressam na vida como "tábulas rasas" (tabulae rasae) morais, responsáveis ​​pela sua própria natureza moral. A Queda, ocorrida quando Adão e Eva desobedeceram a Deus, afetou a humanidade apenas minimamente, ao estabelecer um precedente moral negativo.

Uma terceira corrente de pensamento adota uma posição intermediária, afirmando que, desde a Queda, o pecado de Adão afetou naturalmente os seres humanos de tal modo que eles possuem tendências inatas a se rebelar contra Deus (rebelião na qual, por escolha pessoal, todos os seres humanos capazes de prestar contas — exceto Jesus e, para os católicos, Maria — optarão ou já optaram por incorrer). Esta é a posição hamartiológica das igrejas cristãs orientais — frequentemente denominada "pecado ancestral", em contraposição ao "pecado original" —, mas que, no Ocidente, é por vezes vista como semipelagianismo, especialmente pelos reformados.

Pecado geracional A Bíblia fala sobre o pecado geracional em , que afirma que "as iniquidades dos pais recaem sobre os filhos e as filhas — até a terceira e a quarta geração". Esse conceito implica que "questões não resolvidas são transmitidas de geração em geração", mas que "Jesus é Aquele que rompe os laços de escravidão... [e] Ele é capaz de quebrar o ciclo dessa maldição, mas apenas se nós quisermos que Ele o faça". A teóloga Marilyn Hickey explica esse conceito, ensinando que faz referência à "conexão invisível e misteriosa entre os pecados de um pai e a trajetória de seus filhos"; ela apresenta um exemplo no qual, se um "pai é mentiroso e ladrão, seus filhos estão propensos ao mesmo comportamento". Hickey afirma que, "pelo poder de Jesus Cristo, nenhuma maldição geracional precisa permanecer em nossa linhagem familiar", e diz que a oração é eficaz para encerrar o ciclo do pecado ancestral. James Owolagba acrescenta que, além da oração, a frequência assídua à igreja — incluindo a recepção regular dos sacramentos, especialmente a Sagrada Comunhão — ajuda a libertar o indivíduo do pecado geracional.

Ver também Céu no Cristianismo Ética cristã Lei bíblica Reconciliação Sacramentos católicos

Bibliografia

Farrell, Walter, A Companion to the Summa vol. 2 The Pursuit of Happiness (2ª ed. reimpressa em 1985). Westminster, Maryland; Londres: Christian Classics, Sheed & Ward, (GB); (EUA). p. 467.

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Pieper, Josef, The Concept of Sin (2001), traduzido por Edward T. Oakes SJ, South Bend, Indiana: St. Augustines Press, , pp. 128. Rahner, Karl, Schoonberg, Piet. "Sin", em: Encyclopedia of Theology: A Concise 'Sacramentum Mundi' . (1986) Tunbridge Wells, Kent, GB: Burns & Oates, , pp. 1579–1590. Sabourin, Leopold SJ, Sin, em: The Oxford Companion to the Bible (1993). Bruce M. Metzger, Michael D. Coogan (ed.) Nova Iorque – Oxford: Oxford University Press, , pp. 696. Pinckaers, Servais, The Sources of Christian Ethics, (traduzido do francês por M. T. Noble O.P.), Washington, D.C., The Catholic University of America Press, 1995. Reimpresso: Edinburgh: T&T Clark, p. 489

Ligações externas