Abu Umama Açade ibne Zurara ibne Udus Alançari (; m. ) foi um dos primeiros ançar a converter-se ao islão e uma das principais lideranças muçulmanas de Iatrebe antes da Hégira. Pertencente aos najaritas, um clã da tribo dos cazerajitas, participou do Primeiro e do Segundo Pacto de Ácaba, ocasião em que Maomé o nomeou representante (naquibe) de seu clã e chefe dos doze naquibes da comunidade de Iatrebe. Exerceu papel destacado na difusão do islão na cidade ao lado de Muçabe ibne Omeir, presidiu a primeira oração de sexta-feira realizada em Iatrebe e foi o primeiro membro dos ançar sepultado no cemitério de Albaqui após a Hégira.
Vida
Açade ibne Zurara pertencia aos najaritas, um dos clãs dos cazerajitas. Seu irmão também foi um dos companheiros de Maomé. Segundo uma tradição, Açade e Dacuane ibne Abede Alcaice viajaram a Meca para encontrar Oteba ibne Rabia, um dos principais chefes dos coraixitas. Durante a viagem conheceram Maomé, que lhes apresentou o islão e recitou passagens do Alcorão. Ambos converteram-se imediatamente e desistiram de procurar Oteba, regressando a Iatrebe, onde passaram a difundir a nova religião cerca de três anos antes da Hégira. Ibne Isaque, entretanto, afirma que Açade se converteu juntamente com o grupo de seis cazerajitas que encontrou Maomé em Ácaba. Açade participou tanto do Primeiro quanto do Segundo Pacto de Ácaba. Segundo a tradição mais difundida, embora fosse o mais jovem do grupo, foi o primeiro a prestar juramento de fidelidade a Maomé, ainda que outra tradição atribua essa primazia a . Na ocasião, Maomé nomeou Açade representante (naquibe) dos najaritas e designou outros onze representantes para os demais clãs de Iatrebe. Durante o encontro, Açade advertiu os presentes de que o compromisso significava combater árabes e não árabes, jins e seres humanos em defesa do islão. Depois que os participantes afirmaram estar dispostos a combater quem os combatesse e a fazer paz com quem buscasse a paz, Açade pediu que Maomé expusesse as condições do juramento. O profeta respondeu que deveriam crer em Deus e em sua missão, realizar as orações, pagar o zacate, obedecer-lhe, confiar as responsabilidades a quem fosse competente e protegê-lo da mesma forma que protegiam suas próprias famílias.
Após os compromissos de Ácaba, Açade continuou a difundir o islão em Iatrebe, inicialmente ao lado dos primeiros convertidos e, depois, juntamente com Muçabe ibne Omeir, enviado por Maomé para instruir a comunidade local. Entre os convertidos por sua atuação estavam Uçaíde ibne Hudair e seu primo materno Sade ibne Muade, ambos chefes tribais. Segundo a tradição, graças à influência desses líderes restavam apenas quatro casas em Iatrebe onde o islão ainda não havia penetrado. Antes da Hégira, Açade construiu uma mesquita em Iatrebe, onde dirigia as cinco orações diárias e também a oração de sexta-feira. A tradição lhe atribui a celebração da primeira oração de sexta-feira realizada na cidade, da qual participaram quarenta fiéis. Após a chegada de Muçabe ibne Omeir, este passou a dirigir as orações por determinação de Maomé, sendo substituído por Açade sempre que se ausentava. Também se relata que, após a Hégira, o próprio Maomé rezou nessa mesquita antes da construção da Mesquita do Profeta.
Pouco depois da chegada de Maomé a Iatrebe, Açade contraiu difteria ou escarlatina. Segundo uma tradição, o próprio profeta cauterizou-lhe a garganta em duas ocasiões. Durante sua enfermidade, alguns judeus afirmaram que, se Maomé fosse realmente um profeta, deveria ser capaz de curar seu companheiro. Em resposta, Maomé declarou que não podia beneficiá-lo nem prejudicá-lo diretamente, evidenciando não possuir poderes sobre-humanos. Açade morreu em xaual do primeiro ano da Hégira (abril de 623), quando a Mesquita do Profeta ainda estava em construção. Maomé lavou seu corpo, envolveu-o na mortalha, presidiu sua oração fúnebre e acompanhou o cortejo até o sepultamento. Açade foi o primeiro membro dos ançar a morrer após a Hégira, o primeiro cuja oração fúnebre foi conduzida por Maomé e o primeiro ançar sepultado no cemitério de Albaqui. Após sua morte, os najaritas solicitaram a Maomé a nomeação de um novo representante, mas ele respondeu: "Vós sois meus parentes maternos; eu próprio sou vosso naquibe". Açade não deixou filhos homens. Antes de morrer, confiou ao cuidado de Maomé suas filhas Cabixa, Habiba e Furaia. O profeta encarregou-se de sua criação até que se casassem. Um neto de Açade, nascido de Habiba durante a vida de Maomé, recebeu o nome e a cunha do avô: . Algumas tradições afirmam que Açade ibne Zurara teria sido um dos escribas de Maomé, mas essa atribuição não possui fundamento histórico confiável.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Najaritas Categoria:Ançares Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui