A Federação Americana de Professores (AFT, do inglês American Federation of Teachers) é o segundo maior sindicato de professores dos Estados Unidos, sendo o maior a National Education Association (NEA). A organização foi fundada em Chicago, no estado de Illinois. Entre seus fundadores estavam John Dewey e Margaret Haley.

Cerca de 60% dos membros da AFT atuam diretamente na educação, enquanto o restante é composto por paraprofissionais, funcionários ligados às escolas, servidores públicos municipais, estaduais e federais, docentes e funcionários do ensino superior, além de enfermeiros e outros profissionais da saúde. Desde a sua fundação, a AFT é filiada a federações sindicais: até 1955, integrou a American Federation of Labor (AFL) e, desde então, é afiliada à AFL–CIO.

História A AFT foi fundada em Chicago, no estado de Illinois, em 15 de abril de 1916. Charles Stillman foi seu primeiro presidente, enquanto Margaret Haley atuou como organizadora nacional. Em 9 de maio de 1916, a American Federation of Labor concedeu reconhecimento oficial (charter) à AFT. Em 1919, a organização contava com 100 sindicatos locais filiados e aproximadamente 11 mil professores associados, o que representava cerca de 1,5% do corpo docente do país. Em seus primeiros anos, a AFT distinguiu-se da National Education Association (NEA) por excluir administradores escolares de sua filiação. Diante da oposição de políticos e conselhos de educação, o número de associados caiu para 7 mil em 1930. Nesse período, a organização exerceu pouca influência sobre as políticas educacionais locais e nacionais.

O número de associados da AFT cresceu durante a Grande Depressão, alcançando 33 mil membros em 1939. Durante a década de 1930, a organização, cujos integrantes eram historicamente professores da educação básica, passou a contar também com a adesão de influentes professores universitários. Nesse mesmo período, o Partido Comunista dos Estados Unidos passou a exercer influência dentro da AFT. Em 1941, sob pressão da American Federation of Labor, o sindicato expulsou três sindicatos locais de Nova Iorque e Filadélfia — incluindo o influente Teachers Union (AFT Local 5), um de seus primeiros filiados — por estarem sob predominância comunista. A revogação dessas cartas constitutivas representou a perda de quase um terço dos membros da organização em âmbito nacional.

A década de 1940 foi marcada por uma série de greves de professores, incluindo 57 paralisações ocorridas entre 1946 e 1949. Em 1947, a AFT contava com 42 mil associados. As décadas de 1960 e 1970 também registraram numerosas greves de professores, incluindo mil paralisações envolvendo mais de 823 mil docentes entre 1960 e 1974.

A AFT possuía 59 mil membros em 1960, 200 mil em 1970 e 550 mil em 1980. Em 2017, o sindicato reunia cerca de 1,6 milhão de membros e registrava receitas provenientes de contribuições sindicais da ordem de US$ 35 milhões.

Desde 1977, a AFT publica trimestralmente a revista American Educator, voltada aos professores e dedicada a temas relacionados à educação e à infância. Em 1998, os membros da NEA rejeitaram uma proposta de fusão com a AFT. O número de associados da AFT corresponde aproximadamente à metade do da NEA.

Presidentes da AFT Albert Shanker Em 1974, Albert Shanker foi eleito presidente da AFT. Permaneceu no cargo até sua morte, em 22 de fevereiro de 1997. Durante 27 anos, Shanker escreveu uma coluna semanal intitulada Where We Stand, publicada como anúncio no The New York Times. Shanker foi um dos primeiros defensores das escolas charter. Também defendeu a criação de um exame nacional de qualificação para professores, a adoção de remuneração por mérito para docentes e requisitos mais rigorosos para a conclusão do ensino médio. Durante sua gestão como presidente da AFT, Shanker foi preso duas vezes por liderar greves consideradas ilegais.

Sandra Feldman Sandra Feldman exerceu a presidência da AFT de 1997 a 2004. Durante sua gestão, Feldman contribuiu para a elaboração da No Child Left Behind Act.

Edward J. McElroy Edward J. McElroy, secretário-tesoureiro da AFT desde 1992, foi eleito presidente da organização em 2004, sucedendo Sandra Feldman. Em 12 de fevereiro de 2008, McElroy anunciou que se aposentaria durante a convenção bienal ordinária do sindicato, realizada em julho. Em 14 de julho de 2008, Randi Weingarten foi eleita para sucedê-lo.

Randi Weingarten Em 14 de julho de 2008, Randi Weingarten, então presidente da United Federation of Teachers, foi eleita presidente da AFT em substituição a Edward J. McElroy. Em setembro de 2008, anunciou a criação do AFT Innovation Fund, iniciativa liderada pelo sindicato e apoiada por uma fundação privada para conceder subsídios aos sindicatos filiados à AFT destinados ao desenvolvimento e à implementação de inovações na educação. Em 2014, Weingarten anunciou que a AFT encerraria a parceria de cinco anos entre a Bill & Melinda Gates Foundation e o AFT Innovation Fund.

Atividades políticas Desde 1980, a AFT e a NEA contribuíram com quase US$ 57,4 milhões para campanhas federais, um montante cerca de 30% superior ao de qualquer empresa ou outro sindicato individual. Aproximadamente 95% das doações políticas provenientes dos sindicatos de professores foram destinadas ao Partido Democrata.

Em 2008, a AFT destinou US$ 1.784.808,59 em contribuições de campanha para Hillary Clinton e US$ 1.997.375,00 para Barack Obama.

Em julho de 2015, a AFT declarou apoio à democrata Hillary Clinton na eleição presidencial de 2016. Clinton e a presidente da AFT, Randi Weingarten, são amigas de longa data. O apoio oficial da AFT à candidatura de Clinton gerou controvérsia entre alguns membros do sindicato, que consideraram o endosso prematuro e argumentaram que ele não refletia a opinião da base da organização, parte da qual apoiava Bernie Sanders.

As contribuições pagas pelos membros financiam grande parte das atividades políticas da AFT. Em 2015, quatro professores da Califórnia processaram a AFT e sua afiliada estadual, a California Federation of Teachers, pelo uso das contribuições dos membros em atividades políticas. Os autores alegaram que os sindicatos violavam seu direito constitucional à liberdade de expressão ao obrigá-los a apoiar causas e candidatos favorecidos pela organização ou, alternativamente, perder o acesso a benefícios profissionais importantes, como seguro de vida e cobertura por invalidez.

Em 2018, a decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Janus v. AFSCME resolveu essa questão ao concluir que a cobrança de contribuições sindicais obrigatórias no setor público violava a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, por compelir não filiados a subsidiar discursos privados sobre assuntos de relevante interesse público. Desde então, os sindicatos passaram a necessitar do consentimento expresso de cada professor antes de efetivar sua filiação.

Atividades

Relações raciais A AFT foi um dos primeiros sindicatos a permitir que afro-americanos e outras minorias se tornassem membros plenos da organização sindical. Em 1918, a AFT defendeu a igualdade salarial para professores afro-americanos, a eleição de afro-americanos para conselhos escolares locais e a obrigatoriedade da frequência escolar para crianças afro-americanas. Em 1919, o sindicato passou a defender a igualdade de oportunidades educacionais para crianças afro-americanas e, em 1928, propôs que as contribuições sociais, políticas, econômicas e culturais dos afro-americanos fossem ensinadas nas escolas públicas.Eaton, The American Federation of Teachers, 1916–1961, 1975, p. 61–72.

Em 1951, o sindicato deixou de conceder cartas constitutivas a seções locais segregadas. Em 1954, apresentou um amicus curiae no processo de dessegregação Brown v. Board of Education, julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Em 1957, a AFT expulsou todas as seções locais que se recusaram a implementar a dessegregação, o que resultou na perda de mais de 7 mil filiados. Em 1963, a AFT apoiou ativamente a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade.

Negociação coletiva No final da década de 1940, a AFT passou gradualmente a adotar a negociação coletiva como política oficial. Ao final da década de 1970, acordos de negociação coletiva abrangiam 72% dos professores das escolas públicas.

Treinamentos para situações de atirador ativo Em 2020, a AFT e a National Education Association publicaram um relatório manifestando oposição à realização de treinamentos para situações de atirador ativo em escolas, defendendo que essas simulações fossem reformuladas ou eliminadas.

Share My Lesson Em 2012, a AFT firmou uma parceria com a britânica TES Connect para criar um portal de compartilhamento de planos de aula denominado Share My Lesson. A AFT e a TES investiram US$ 10 milhões no desenvolvimento da plataforma.

Críticas Em 2010, quatro documentários norte-americanos, sobretudo Waiting for "Superman", retrataram a AFT como uma organização que prejudicava os estudantes ao se opor às escolas charter e proteger professores considerados incompetentes.Whitmire, Richard. The Bee Eater: Michelle Rhee Takes on the Nation's Worst School District. John Wiley & Sons, 2011. p. 126. .

Liderança Presidentes 1916–1923: Charles Stillman 1923–1925: Florence Rood 1925–1931: Mary C. Barker 1931–1934: Henry R. Linville 1934–1936: Raymond F. Lowry 1936–1939: Jerome C. Davis 1939–1942: George S. Counts 1942–1943: John M. Fewkes 1943–1947: Joseph F. Landis 1947–1952: John M. Eklund 1952–1964: Carl J. Megel 1964–1968: Charles Cogen 1968–1974: David Selden 1974–1997: Albert Shanker 1997–2004: Sandra Feldman 2004–2008: Edward J. McElroy 2008–presente: Randi Weingarten

Secretários-tesoureiros 1916–1926: F. G. Stecker 1926–1935: Florence Curtis Hanson 1935–1936: George Davis 1936–1953: Irvin R. Kuenzli 1953–1963: Cargo vago 1963–1992: Robert Porter 1992–2004: Edward J. McElroy 2004–2008: Nat LaCour 2008–2011: Antonia Cortese 2011–2020: Lorretta Johnson 2020–presente: Fedrick C. Ingram

Membros notáveis da AFT J. Quinn Brisben, candidato do Partido Socialista dos Estados Unidos à presidência dos Estados Unidos na eleição presidencial nos Estados Unidos em 1992. Ralph Bunche, ex-Subsecretário-Geral das Nações Unidas e laureado com o Prêmio Nobel da Paz. Tony Danza, ator de cinema e televisão. Paul Douglas, senador dos Estados Unidos por Illinois. John Dewey, educador. Albert Einstein, cientista. Michael Harrington, ativista político. Hubert Humphrey, ex-Vice-presidente dos Estados Unidos e senador por Minnesota. Mike Mansfield, ex-Líder da Maioria no Senado dos Estados Unidos e embaixador dos Estados Unidos no Japão. Frank McCourt, escritor vencedor do Prêmio Pulitzer. Robert Oppenheimer, cientista.Herken, Gregg. Brotherhood of the Bomb: The Tangled Lives and Loyalties of Robert Oppenheimer, Ernest Lawrence, and Edward Teller. 2002, p. 30. Donna Shalala, ex-representante dos Estados Unidos pela Flórida e ex-Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Elie Wiesel, laureado com o Prêmio Nobel da Paz. Kshama Sawant, ativista socialista e integrante do Conselho Municipal de Seattle.

Seções locais e federações notáveis da AFT Atuais Chicago Teachers Union Cincinnati Federation of Teachers Education Minnesota Florida Education Association Health Professionals and Allied Employees Montana Federation of Public Employees New York State United Teachers Ohio Federation of Teachers Professional Staff Congress (Universidade da Cidade de Nova Iorque) Public Employees Federation (estado de Nova Iorque) Rhode Island Federation of Teachers and Health Professionals Temple University Graduate Students Association United Federation of Teachers (Cidade de Nova Iorque) United Teachers Los Angeles United Teachers of New Orleans University Health Professionals (estado de Connecticut) Washington State Nurses Association

Antigas Chicago Teachers Federation

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