Mazé Torquato Chotil, nome pelo qual é conhecida Maria José Soares Torquato, (Glória de Dourados, 1958) é uma jornalista, escritora e pesquisadora brasileira. Sua produção reúne romances, biografias, memórias e trabalhos sobre migração, exílio e história social. Parte de seus livros foi publicada também em francês.
Biografia Nascida em Glória de Dourados, Mazé Torquato Chotil mudou-se para o estado de São Paulo, onde viveu em Osasco e trabalhou na imprensa local. Posteriormente, estabeleceu-se na França, passando a residir em Paris em 1985, onde tirou seu pós-doutorado na École des hautes études en sciences sociales (EHESS).
Na França, desenvolveu pesquisas acadêmicas relacionadas à história de trabalhadores brasileiros exilados durante a ditadura militar brasileira. Sua pesquisa de pós-doutorado na EHESS esteve ligada ao estudo do exílio de trabalhadores e das relações sindicais entre Brasil e França. Esse tema deu origem ao livro Trabalhadores Exilados (1964–1985), publicado em português e, em francês, sob o título L'Exil ouvrier. La saga des Brésiliens contraints au départ (1964–1985).
Chotil também escreveu uma biografia do sindicalista José Ibrahim, dirigente da greve de Osasco de 1968. O livro José Ibrahim: O líder da grande greve de 1968 foi publicado em 2018.
Outro tema de sua produção é a recuperação de trajetórias de mulheres e artistas brasileiras. Em Maria d'Apparecida: negroluminosa voz, publicado em 2020, abordou a trajetória da cantora lírica brasileira Maria d'Apparecida.
Em 2022, Mazé Torquato Chotil participou da fundação, em Paris, da União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa (UEELP), entidade criada por autores lusófonos residentes na Europa com o objetivo de promover a literatura em língua portuguesa e ampliar sua circulação e tradução no continente europeu. Torquato Chotil foi a primeira presidente da associação, que passou a reunir escritores estabelecidos em diferentes países europeus e a participar de iniciativas de divulgação da literatura lusófona, incluindo atividades relacionadas à Feira do Livro de Frankfurt.
Em 2026, a UNIFAL-MG divulgou o lançamento de uma obra de Chotil dedicada à pintora Lucy Citti Ferreira.
Mares Agitados Em 2024, publicou o romance Mares Agitados: na periferia dos anos 1970, ambientado durante a ditadura militar. A narrativa acompanha uma jovem que deixa Mato Grosso do Sul para estudar e trabalhar na região metropolitana de São Paulo, enquanto acontecimentos políticos do período se desenvolvem ao seu redor.
O romance retoma temas presentes em outros trabalhos da autora, entre eles a migração interna, a formação educacional e as transformações sociais ocorridas no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. A obra foi apresentada na Festa Literária Sesc Osasco em novembro de 2024. Em 2025, recebeu o Prêmio Romance da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB).
Obras Em português Minha Paris Brasileira (ADC, 2010) Lembranças do sítio (ADC, 2012) Minha aventura na colonização do Oeste (ADC, 2014) Trabalhadores Exilados (1964–1985) (Prisma, 2016) Lembranças da Vila (Letra Livre, 2017) José Ibrahim: O líder da grande greve de 1968 (Alameda, 2018) Na rota de traficantes de obras de arte (Penalux, 2019) Maria d'Apparecida: negroluminosa voz (Alameda, 2020) No Crepúsculo da vida (Patuá, 2021) Na sombra do ipê (Patuá, 2022) Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terena (Biblio, 2022) Jornal de bordo: Brasil de 2021 (Penalux, 2023) Mares Agitados: na periferia dos anos 1970 (2024) Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo (Patuá, 2026)
Em francês Ouvrières chez Bidermann. Une histoire des vies (Estaimpuis, 2010) L'Exil ouvrier. La saga des Brésiliens contraints au départ (1964–1985) (Estaimpuis, 2015) Maria d'Apparecida – Une Maria pas comme les autres (Édition de l'Auteure, 2019) Mon enfance dans le Mato Grosso (Le Poisson Volant, 2022) Sources vivantes (Édition de l'Auteure, 2022) Au coeur du trafic d'oeuvres d'art (Hello Editions, 2026)
Prêmios e distinções Prêmio Biografia da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), por obra dedicada a Maria d'Apparecida. Prêmio Romance da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), em 2025, por Mares Agitados: na periferia dos anos 1970.
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