José Roberto Castilho Piqueira (Sorocaba, 22 de março de 1952) é um engenheiro e professor universitário brasileiro. É professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, instituição que dirigiu entre 2014 e 2018.
Sua obra reúne trabalhos de modelagem matemática aplicados a fenômenos de sincronismo e de propagação. Além da pesquisa em circuitos de sincronismo de fase, área em que atua desde a década de 1990, desenvolveu com colaboradores uma linha de estudos que transpõe modelos da epidemiologia matemática para a difusão de vírus de computador, posteriormente estendida à propagação de boatos e à pandemia de COVID-19.
Em 2016 recebeu o Prêmio Lagrange, concedido pela Society for Industrial and Applied Mathematics em reconhecimento ao conjunto de sua obra científica. É membro titular da Academia Nacional de Engenharia, ocupante da cadeira 107 desde 2014, e presidiu a Sociedade Brasileira de Automática na gestão de 2010 a 2012.
Formação
Piqueira ingressou em 1970 na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, onde se graduou em engenharia elétrica em 1974 e obteve o título de mestre na mesma área em 1983. Doutorou-se pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1987 e obteve a livre-docência em controle e automação pela mesma instituição em 1995. Tornou-se professor titular em concurso público realizado em 1999.
Carreira
Atuação na indústria
Antes de dedicar-se integralmente à vida acadêmica, Piqueira atuou por mais de uma década na indústria eletroeletrônica. Entre 1975 e 1977 foi engenheiro de sistemas na divisão de telecomunicações da S. A. Philips do Brasil (Divisão Inbelsa) e, de 1978 a 1988, exerceu funções de engenheiro de projetos, de desenvolvimento e de gerente de divisão na Elebra S.A. (Eletrônica Brasileira).
Carreira acadêmica
Ingressou na Escola Politécnica como professor assistente doutor em 1987, tornou-se livre-docente em 1995 e, em 1999, foi aprovado em concurso público para professor titular do Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle.
Ao longo da carreira exerceu os cargos de chefe de departamento, coordenador de graduação e coordenador de pós-graduação na mesma escola. Implantou, com recursos da FAPESP, os laboratórios de Sincronismo e de Modelos Computacionais para Engenharia Nuclear. Até 2026 havia orientado 29 dissertações de mestrado, 31 teses de doutorado, 17 programas de pós-doutorado e 23 iniciações científicas.
Direção da Escola Politécnica
Foi vice-diretor da Escola Politécnica entre 2010 e 2014 e diretor da unidade entre 2014 e 2018.
Ainda como vice-diretor, participou da reestruturação curricular da graduação implantada para os ingressantes de 2014, que flexibilizou os cursos de engenharia e criou um conjunto de disciplinas optativas em engenharia de sistemas complexos, permitindo que estudantes cursassem, a partir do terceiro ano, disciplinas de especialidades distintas da sua. À época, declarou que "o país precisa de engenheiros formados com transversalidade e que sejam capazes de lidar com situações complexas, que exigem conhecimentos de mais de uma disciplina".
Outros cargos
Presidiu a Sociedade Brasileira de Automática entre 2010 e 2012. Durante essa gestão foi aprovada a internacionalização do periódico da sociedade, a Revista Controle & Automação, que passou a ser publicada pela Springer a partir de 2013 sob o título Journal of Control, Automation and Electrical Systems. O periódico veio a ser indexado na Web of Science.
É membro do conselho superior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares desde 2012, órgão que presidiu entre 2016 e 2019 e para cuja presidência foi reconduzido em 2020. Atua também como diretor de operações da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).
Pesquisa
Integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Complexos, do CNPq, com atuação nas áreas de dinâmica não linear e de informação quântica, e é bolsista de produtividade em pesquisa de nível 1A desde 2013.
Sincronismo e circuitos de sincronismo
A linha de pesquisa mais antiga de Piqueira trata da dinâmica de circuitos de sincronismo de fase e das redes de sincronismo empregadas em telecomunicações. Nesse campo publicou estudos sobre o efeito dos termos de segunda harmônica na operação do detector de fase e sobre o emprego da teoria de bifurcações na determinação das faixas de captura de circuitos de terceira ordem.
Modelagem de propagação
Em trabalhos publicados a partir de 2008, Piqueira e colaboradores transpuseram modelos compartimentais da epidemiologia matemática para o estudo da difusão de vírus de computador em redes.
O artigo A modified epidemiological model for computer viruses, publicado em 2009 no periódico Applied Mathematics and Computation, propõe um modelo compartimental para a dinâmica de infecção em redes de computadores. É o trabalho mais citado de sua produção. A abordagem foi posteriormente aplicada à propagação de boatos e à modelagem de programas maliciosos com estratégias de quarentena.
Em 2020 o grupo estendeu o método à pandemia de COVID-19, propondo um modelo compartimental que incorpora a perda de imunidade, publicado no periódico Chaos, Solitons & Fractals.
Aplicações interdisciplinares
A produção de Piqueira alcança domínios distantes da engenharia de origem. Publicou estudos sobre redes de osciladores como modelo de sincronização neural e sobre reconhecimento de padrões visuais por redes oscilatórias de fase, sobre o emprego da entropia de Shannon na medição da variabilidade individual do canto do sabiá-laranjeira, sobre a complexidade da taxa de câmbio brasileira em períodos de crise financeira e sobre avaliação de cibersegurança na interface entre segurança operacional e proteção física em instalações nucleares.
Produção
Em levantamento de agosto de 2026, a coleção principal da Web of Science reunia 165 publicações de Piqueira, com 1 534 citações e índice h de 19. Na mesma data, seu perfil no Google Acadêmico registrava 3 461 citações, índice h de 29 e índice i10 de 88, e a base bibliométrica aberta OpenAlex atribuía-lhe 229 trabalhos e 2 030 citações, com índice h de 24.
Em 2022 foi incluído em lista de cientistas mais influentes elaborada a partir de levantamento da editora Elsevier, na categoria de tecnologias da informação e comunicação.
Prêmios e distinções
Prêmio Lagrange, concedido pela Society for Industrial and Applied Mathematics durante a sexta Conferência Internacional em Sistemas Não Lineares e Complexidade, realizada em 2016 no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2016). Membro titular da Academia Nacional de Engenharia, cadeira 107 (2014). Professor do Ano da Associação dos Ex-Alunos da Escola Politécnica (2017). Bolsista de produtividade em pesquisa nível 1A do CNPq.
Publicações selecionadas
Obras
Ligações externas
Referências
Categoria:Naturais de Sorocaba Categoria:Nascidos em 1952 Categoria:Alunos da Universidade de São Paulo Categoria:Professores da Universidade de São Paulo Categoria:Engenheiros do estado de São Paulo Categoria:Engenheiros eletricistas do Brasil