Ubaide Alá ibne Alabás (; Meca, – Medina, ) foi um companheiro e primo paterno do profeta islâmico Maomé, membro dos haxemitas e filho de Alabás ibne Abede Almotalibe e Lubaba binte Alharite. Irmão mais novo do célebre estudioso Abedalá ibne Abas, destacou-se sobretudo pela atuação política durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, como partidário de seu primo Ali e, posteriormente, de Haçane ibne Ali. Durante o califado de Ali, Ubaide Alá exerceu o governo do Iêmen e foi encarregado em diferentes ocasiões da direção do haje. Em 660–661, diante da invasão do Iêmen por Bixer ibne Abi Artate, refugiou-se em Cufa, enquanto dois de seus filhos foram mortos pelas forças de Bixer; posteriormente retornou ao governo da província. Após o assassinato de Ali, Haçane nomeou-o governador do Azerbaijão e colocou-o à frente de uma vanguarda de 12 mil homens enviada contra . Durante a campanha, contudo, Ubaide Alá abandonou o comando e passou para o lado de Moáuia, decisão cujas circunstâncias são apresentadas de maneira divergente pelas fontes. Ubaide Alá também se tornou conhecido por sua riqueza, hospitalidade e generosidade, qualidades que lhe valeram o epíteto de Taiar Alfurate ("corrente do Eufrates"). Ao contrário de seu irmão Abedalá, teve pouca importância como transmissor de hádices. A TDV situa sua morte em Medina em 58 A.H. (678), embora registre outras tradições que a colocam durante o reinado de ou nos anos 85 A.H. (704) e 87 A.H. (706).
Vida
Ubaide Alá nasceu em Meca em 620. Era filho de Alabás ibne Abede Almotalibe, tio paterno de Maomé dois ou três anos mais velho que o profeta, e de Lubaba binte Alharite, irmã de Maimuna binte Alharite, uma das esposas de Maomé. Era, portanto, primo paterno do profeta e irmão mais novo de Abedalá ibne Abas, que se tornaria conhecido como estudioso e transmissor de tradições. Segundo relatos preservados pela tradição, Maomé, conhecido por sua afeição pelas crianças, por vezes colocava Ubaide Alá na garupa de sua montaria e promovia corridas entre ele e seus irmãos Abedalá e , abraçando-os e beijando-os quando chegavam até ele. Membro destacado dos haxemitas, Ubaide Alá participou ativamente da política desde o califado de Otomão e desempenhou papel importante nas disputas entre haxemitas e omíadas. Durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, apoiou seu parente, o califa Ali , contra . Ali nomeou-o governador do Iêmen e encarregou-o de dirigir o haje em 36 e 37 A.H. (656–658). Em 39 A.H. (659–660), foi novamente designado emir do haje, mas Moáuia, que disputava o poder com Ali, nomeou para a mesma função. A rivalidade entre os dois representantes provocou uma grave disputa em Meca, solucionada por um acordo segundo o qual dirigiria a peregrinação.
Durante a disputa entre haxemitas e omíadas pelo controle do Iêmen e do Barém, Ubaide Alá tornou-se alvo das forças de Moáuia. Em 40 A.H. (660–661), este enviou ao Iêmen um exército comandado por Bixer ibne Abi Artate. Ao saber da aproximação de Bixer, Ubaide Alá deixou como seu representante o sogro, , e fugiu para Cufa. Ao chegar ao Iêmen, Bixer matou Abedalá, um filho deste e dois filhos ainda jovens de Ubaide Alá, e . Madelung registra igualmente que os dois meninos, confiados aos parentes maternos quinanaítas, foram mortos durante a campanha de Bixer. A esposa de Ubaide Alá, , que teria presenciado a morte do pai, do irmão e dos dois filhos, perdeu a sanidade em consequência do episódio. Ubaide Alá posteriormente retornou ao governo do Iêmen e permaneceu no cargo até o assassinato de Ali, em 661. Após a morte de Ali, seu filho Haçane ibne Ali foi reconhecido como califa em Cufa e nomeou Ubaide Alá governador do Azerbaijão. Quando Moáuia avançou com seu exército contra Haçane, este colocou Ubaide Alá à frente de uma vanguarda de 12 mil homens enviada para conter o avanço adversário em até a chegada do corpo principal do exército. Ubaide Alá recebeu instruções para não iniciar o combate e para consultar Caice ibne Sade, seu segundo em comando. Madelung interpreta a escolha de Ubaide Alá, que anteriormente havia abandonado o Iêmen diante do avanço de Moáuia sem oferecer combate, como indício de que Haçane esperava alcançar uma solução pacífica para o conflito.
Em meio às manobras de Moáuia destinadas a enfraquecer a autoridade de Haçane e a moral de seu exército, Ubaide Alá abandonou o comando e passou para o lado omíada. As razões dessa decisão foram objeto de versões divergentes nas fontes. Segundo uma tradição, Ubaide Alá percebeu que Haçane pretendia chegar a um acordo com Moáuia e decidiu mudar de lado; outra versão afirma que Moáuia lhe ofereceu um milhão de dirrãs para desertar, quantia que teria sido efetivamente paga. Parte da historiografia islâmica posterior acusou-o de traição, enquanto outros autores explicaram sua decisão pela percepção de que Haçane acabaria por concluir a paz com Moáuia. Segundo um dos relatos, cerca de oito dos 12 mil soldados da vanguarda seguiram Ubaide Alá para o campo de Moáuia. A deserção contribuiu para o enfraquecimento das forças de Haçane, que acabou renunciando ao califado em favor de Moáuia em Rabi Alual de 41 A.H. (julho de 661); com isso, terminaram também o governo de Ubaide Alá no Azerbaijão e suas funções militares.
Após afastar-se da atividade política, Ubaide Alá dedicou-se também ao comércio e viveu como homem abastado. Tornou-se particularmente conhecido por sua generosidade e hospitalidade: compartilhava seus bens, oferecia frequentemente banquetes e sacrificava animais cuja carne distribuía entre outras pessoas. Sua liberalidade tornou-se proverbial entre os árabes e valeu-lhe o epíteto de Taiar Alfurate (, "corrente do Eufrates"). Uma máxima tradicional sobre os filhos de Alabás afirmava que quem procurasse conhecimento de fiqh, generosidade ou beleza deveria dirigir-se à casa deles, pois "o fiqh está em Abedalá, a generosidade em Ubaide Alá e a beleza em Alfadle ibne Alabás". A EI2 também destaca sua reputação pela hospitalidade. Há divergências quanto à data e ao local da morte de Ubaide Alá. A TDV adota 58 A.H. (678), em Medina, mas registra tradições que situam sua morte em 85 A.H. (704), 87 A.H. (706) ou, sem data precisa, durante o califado de , havendo ainda um relato segundo o qual teria morrido no Iêmen. A EI2, por sua vez, menciona como possibilidades o reinado de Iázide I, 85 A.H. (704) ou 87 A.H. (706), e afirma que Ubaide Alá passou o restante da vida em Medina, onde teria morrido em idade avançada. Poucas tradições foram transmitidas por ele. É-lhe atribuída uma narração proveniente diretamente de Maomé, embora também tenha sido considerada , além de um pequeno número de hádices recebidos de outros companheiros. Entre aqueles que transmitiram tradições de Ubaide Alá estavam seu filho Abedalá e os tabis Atá ibne Abi Rabá, Ibne Sirine e .
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Hilálios Categoria:Árabes do século VII Categoria:Primos de Maomé Categoria:Naturais de Meca Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Primos de Ali