Azu Nwagbogu (Lagos, 1975) é um curador de arte nigeriano. É fundador e diretor da African Artists' Foundation (AAF) e do LagosPhoto Festival, além de criador da plataforma editorial Art Base Africa. Entre 2018 e 2019, foi diretor interino e curador-chefe do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa (Zeitz MOCAA), na Cidade do Cabo. Em 2023, foi nomeado Explorer at Large pela National Geographic Society, e, em 2024, realizou a curadoria do primeiro pavilhão nacional do Benim na Bienal de Veneza.

Vida e carreira Formação e criação de instituições Nwagbogu nasceu em 1975, em Lagos, onde vive e trabalha. Obteve um mestrado em saúde pública pela Universidade de Cambridge.

Em 2007, fundou a African Artists' Foundation, organização sem fins lucrativos sediada em Lagos e voltada à arte contemporânea africana. A entidade desenvolve exposições, festivais, concursos, residências e oficinas. Em 2010, Nwagbogu fundou o LagosPhoto Festival, festival internacional de fotografia realizado anualmente na cidade. Também criou a Art Base Africa, plataforma digital dedicada à arte contemporânea da África e de suas diásporas.

Atuação curatorial Como curador independente, Nwagbogu organizou exposições em diferentes instituições. Entre seus primeiros projetos estão This Is Lagos, na African Artists' Foundation (2009); Dey Your Lane! Lagos Variations, no Centre for Fine Arts de Bruxelas (2016); Tear My Bra, no festival Rencontres d'Arles (2016); Samuel Fosso: An African Odyssey, na PHotoESPAÑA, em Madri (2018); e James Ostrer: Johnny Just Came, na Gazelli Art House, em Londres (2018).

Ao longo de sua atuação curatorial, Nwagbogu trabalhou com artistas de diferentes gerações e contextos geográficos. Projetos sob sua curadoria ou direção curatorial apresentaram trabalhos de artistas como Samuel Fosso, William Kentridge, Zanele Muholi, Joana Choumali, Cristina de Middel, Ruth Ossai, Romuald Hazoumè, Chloé Quenum, Luiza Jesus do Prado, Ishola Akpo, Moufouli Bello, Satch Hoyt, Yuldus Bakhtiozina, Kyu Sang Lee, Stephen Tayo e Nadine Ijewere, entre outros.

Em 2018, em colaboração com Sven Beckstette, concebeu o núcleo Colomental da exposição Hello World. Revising a Collection, no Hamburger Bahnhof, em Berlim. O núcleo discutia o legado colonial alemão e os limites do cânone artístico ocidental.

Em 2017, foi nomeado curator at large de fotografia do Roger Ballen Foundation Centre for Photography, vinculado ao Zeitz MOCAA. Em junho de 2018, tornou-se diretor interino e curador-chefe do museu, funções que exerceu até agosto de 2019. Em 2019, organizou Still Here Tomorrow to High Five You Yesterday, mostra coletiva dedicada a temas como viagem, migração, imaginação e realidades alternativas, com obras de cerca de quarenta artistas da África e de sua diáspora. No mesmo ano, foi curador de Why Should I Hesitate: Putting Drawings to Work, retrospectiva de William Kentridge apresentada pelo Zeitz MOCAA.

Restituição, descolonização e projetos posteriores Em 2021, Nwagbogu lançou, entre Málaga e Lagos, o projeto de restituição Searching for Prince Adewale Oyenuga, centrado em uma coleção de fotografias e documentos pertencentes ao príncipe Emmanuel Adewale Oyenuga.

No ano seguinte, iniciou a série de exposições Dig Where You Stand – From Coast to Coast (DWYS), concebida em torno de questões de descolonização, restituição e repatriação. A primeira edição foi realizada no Savannah Centre for Contemporary Art (SCCA), criado por Ibrahim Mahama, em Tamale, no Gana. Edições posteriores da mostra examinaram arquivos locais e o potencial regenerativo da arte em diferentes regiões africanas e em suas diásporas.

Em 2022, Nwagbogu e Rita Ouédraogo foram anunciados como os primeiros curadores do Buro Stedelijk, plataforma de arte contemporânea vinculada ao Museu Stedelijk, em Amsterdã. Em janeiro de 2023, a National Geographic Society o nomeou Explorer at Large, título destinado a colaboradores que atuam como embaixadores da organização e desenvolvem projetos de documentação e narrativa.

Também em 2022, o presidente beninense Patrice Talon o designou curador-chefe do primeiro pavilhão nacional do Benim na Bienal de Veneza. Apresentado na edição de 2024, o pavilhão reuniu obras de Romuald Hazoumé, Chloé Quenum, Ishola Akpo e Moufouli Bello e abordou restituição, feminismos africanos e a tradição Gelede nas sociedades iorubás. Nwagbogu relacionou o projeto à exposição The Art of Benin of Yesterday and Today: From Restitution to Revelation, realizada em 2022 após a devolução ao país de 26 objetos saqueados por tropas francesas em 1892.

Júris e conselhos Nwagbogu integrou júris, conselhos consultivos e equipes curatoriais de organizações e prêmios de fotografia. Entre eles estão o Dutch Doc Photo Award, o POPCAP Photography Awards, o Greenpeace Photo Award, o New York Times Portfolio Review, o Magnum Photography Awards, o W. Eugene Smith Grant, o Foam Paul Huf Award, o World Press Photo Contest, o Photo Vogue Festival, o Prix Carmignac, o Leica Oskar Barnack Award e o FORMAT Festival.

Publicações Nwagbogu criou a plataforma editorial Art Base Africa, dedicada à arte contemporânea africana e de suas diásporas. Também escreveu ou colaborou em publicações e catálogos como Making Africa: A Continent of Contemporary Design (2015), Africa Under the Prism: Contemporary African Photography from LagosPhoto Festival (2015), Dey Your Lane! Lagos Variations (2015), Martin Roemers: Metropolis (2016), Joana Choumali: Hââbré, the Last Generation (2018) e Raquel van Haver: Spirits of the Soil (2018).

Reconhecimento Em 2021, a Royal Photographic Society, do Reino Unido, concedeu a Nwagbogu o prêmio de Curador do Ano. Foi incluído consecutivamente na lista Power 100, da revista ArtReview, entre 2021 e 2026; em 2025, ocupou a 45.ª posição. Em 2026, foi um dos medalhistas do Art Basel Awards na categoria curadoria.

Referências

Ligações externas

Azu Nwagbogu no World Press Photo Azu Nwagbogu na National Geographic Society Azu Nwagbogu na ArtReview

Categoria:Curadores Categoria:Arte contemporanea Categoria:Decolonial Categoria:Curadores de Arte