Coletivo Coletores é um coletivo cultural artístico brasileiro fundado em 2008, na Zona Leste de São Paulo, pelos artistas e pesquisadores Toni Baptiste e Flávio Camargo. A produção da dupla combina arte urbana, arte digital e intervenções multimídia, com destaque para o uso de videoprojeção e videomapping em fachadas, monumentos e outros espaços públicos. Seus trabalhos discutem temas como os apagamentos históricos e culturais, as identidades periféricas, a memória coletiva, as relações raciais e o direito à cidade.

Trajetória O coletivo foi criado quando Baptiste e Camargo cursavam artes visuais e trabalhavam como professores da rede pública. Os primeiros trabalhos reuniam fotografia, instalações, design, grafite, animação e jogos digitais. A partir de 2014, a videoprojeção ganhou centralidade na prática da dupla, que passou a utilizar o termo picho digital para descrever parte de suas ações sobre a arquitetura urbana.

O grupo desenvolveu projetos principalmente em espaços públicos, comunidades, ocupações, escolas e instituições culturais. Ao longo da trajetória, participou de eventos como o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e a Bienal de Dakar. A relação com os territórios periféricos da capital paulista, sobretudo São Mateus, Cidade Tiradentes e Penha, tornou-se um dos eixos de sua produção.

Durante a pandemia de COVID-19, o coletivo realizou projeções em bairros da Zona Leste de São Paulo, incluindo ações de conscientização sobre a doença e homenagens a profissionais da saúde. Em 2020, colaborou na realização de Brasil Terra Indígena, obra de Denilson Baniwa projetada sobre o Monumento às Bandeiras, em São Paulo. A intervenção questionava a representação dos bandeirantes e a memória colonial associada ao monumento.

Prática artística O Coletivo Coletores trata a cidade simultaneamente como tema, suporte e espaço de circulação da obra. Suas ações articulam imagens de arquivo, textos, símbolos políticos, fotografia, animação, instalação e tecnologias de projeção. A participação do público e a colaboração com moradores e organizações locais também integram seus processos de criação.

Entre suas pesquisas está a série Resistência, baseada em fotografias e registros históricos das lutas de populações negras, indígenas e periféricas. Outros trabalhos retomam figuras, acontecimentos e territórios ausentes ou marginalizados nas narrativas oficiais, propondo novas leituras para monumentos e espaços urbanos.

Exposições e reconhecimento Em 2022, o coletivo foi um dos quatro vencedores do Prêmio PIPA, ao lado de Josi, UÝRA e Vitória Cribb. Os trabalhos dos premiados foram reunidos em uma exposição no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, onde o Coletivo Coletores apresentou, entre outras obras, a série Bandana, o registro de Memórias insurgentes, uma videoinstalação e uma projeção na fachada do edifício.

Em 2023, quando completou quinze anos, o coletivo realizou a exposição Signos de Resistência, Bordas da Memória, com curadoria de Aline Ambrósio, no Museu Nacional da República, em Brasília. A mostra reuniu mais de 250 obras, entre intervenções urbanas digitais, fotografias, videomappings, animações, pichações e instalações multimídia.

Entre 2025 e 2026, participou da exposição coletiva Águas subterrâneas: narrativas de confluências, apresentada no Frac Poitou-Charentes, em Angoulême, na França, e posteriormente no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A mostra reuniu artistas brasileiros e franceses em torno das relações entre rios, memória, colonialismo, infraestrutura e crise climática.

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