miniatura|A Grande e General Estoria de Afonso X é uma das fontes da Historia troiana.

A Historia troiana é uma obra literária narrativa, escrita na Idade Média. Está conservada num manuscrito que combina dois testemunhos linguísticos diferenciados, um em galego-português e outro em castelhano. Genericamemente, enquadra-se no ciclo troiano, pois trata da história clássica e das lendas da cidade de Troia. Conserva-se num manuscrito da Biblioteca Menéndez Pelayo, em Santander.

A obra tem como fonte a tradição medieval do Roman de Troie, de Benoît de Sainte-Maure, e a tradição historiográfica afonsina, nomeadamente a Grande e General Estoria. O manuscrito conservado na Biblioteca Menéndez Pelayo é conhecido como Historia Troiana ou Historia Troiana bilingue e corresponde ao manuscrito 558. Estudos posteriores caracterizaram-no como um manuscrito originalmente redigido em castelhano, encomendado pelo rei Pedro I de Castela, que, depois de sofrer uma importante deterioração, foi restaurado e completado em galego no círculo nobiliárquico dos Andrade, na segunda metade do .

Manuscrito

Está composto por 220 fólios, 140 escritos em castelhano e 80 em galego-português, embora Ramón Lorenzo afirme que o manuscrito deve ter sido constituído originalmente por mais de 350 fólios. Contudo, a parte em galego-português é mais extensa em termos de linhas de texto.

A letra é da segunda metade do século XIV e a parte castelhana seria anterior. Durante muito tempo, o manuscrito foi caracterizado como bilingue pela combinação do castelhano e do galego. Estudos histórico-filológicos posteriores, contudo, indicam que se trata de um manuscrito originalmente castelhano, encomendado por Pedro I de Castela nos últimos anos do seu reinado, por volta de 1365–1369, que posteriormente foi recuperado, restaurado e completado em galego, cerca de 1369–1373, no círculo nobiliárquico dos Andrade.

É possível que existisse uma versão castelhana muito mutilada, que posteriormente foi completada em galego. A versão galega apresenta, entre outras particularidades, interpolações de episódios provenientes da Grande e General Estoria.

Fontes e transmissão

O ciclo troiano constituiu na Idade Média um dos ciclos narrativos de maior difusão na literatura europeia. Uma das suas principais fontes medievais foi o Roman de Troie, de Benoît de Sainte-Maure, obra que reelaborou a matéria troiana a partir de tradições atribuídas a Dictis de Creta e Dares Frígio.

Na tradição peninsular, a matéria do Roman de Troie foi objeto de várias traduções, prosificações e refundições. Entre os testemunhos relacionados com essa tradição encontram-se a Crónica troiana, a Historia troiana e a Historia troyana polimétrica.

A Historia troiana conservada no manuscrito 558 relaciona-se ainda com a tradição historiográfica de Afonso X, particularmente com a compilação troiana incorporada posteriormente na Grande e General Estoria.

A compilação troiana associada ao projeto de Pedro I de Castela teria utilizado duas tradições textuais conhecidas na época: a prosificação peninsular do Roman de Troie, transmitida pela Crónica Troyana promovida por Afonso XI, e a compilação troiana de Afonso X, posteriormente integrada nas primeiras partes da Grande e General Estoria.

Distribuição temática

A obra tem como fonte principal a tradição do Roman de Troie de Benoît de Sainte-Maure e, na parte galega, inclui episódios provenientes da Grande e General Estoria.

1–21 v. Inclui interpolações da Grande e General Estoria, com episódios anteriores à Guerra de Troia. 29–36 v. Nascimento e julgamento de Páris. 44–48 r. Infância de Aquiles. 48–49 v. Sacrifício de Ifigénia.

A presença de material proveniente da Grande e General Estoria constitui uma das características particulares da transmissão galega do manuscrito, que combina materiais provenientes de diferentes tradições textuais da matéria troiana.

Relação com outras obras troianas

A Historia troiana integra uma tradição mais ampla de obras medievais sobre a matéria de Troia. Entre os textos conservados em galego-português encontra-se a Crónica troiana, cuja tradução foi concluída em 1373 por Fernán Martís, capelão de Fernán Pérez de Andrade, O Boo. A Crónica troiana conserva-se no manuscrito 10233 da Biblioteca Nacional de Espanha, enquanto a Historia troiana é transmitida pelo manuscrito 558 da Biblioteca Menéndez Pelayo, em Santander.

A Historia troyana polimétrica constitui outro testemunho da receção peninsular do Roman de Troie. Trata-se de uma tradução e reelaboração em forma de prosimetrum, combinando prosa e verso. A obra chegou até nós de forma acéfala e truncada e é transmitida por dois manuscritos incompletos do século XIV. A sua cronologia, inicialmente situada por Ramón Menéndez Pidal por volta de 1270, foi posteriormente revista, tendo em conta as suas relações com o Poema de Alfonso Onceno, para o segundo quartel do século XIV, não depois de 1350.

Véxase tamén

Outros artigos

Crónica troiana Historia troyana polimétrica

Bibliografia

Categoria:Literatura galega medieval Categoria:Literatura medieval da Guerra de Troia