Ciro Mariano (Nápoles, 21 de novembro de 1951) é um criminoso italiano, membro da Camorra, fundador e histórico chefe do clã Mariano, ativo nos "Quartieri Spagnoli", um bairro histórico localizado na região central de Nápoles.
Biografia Conhecido pelo apelido “’o Piccuozzo”, atribuído por sua mãe durante a infância devido ao seu temperamento tranquilo, Ciro Mariano iniciou sua atividade criminosa nos Quartieri Spagnoli, passando de assaltos ao contrabando de cigarros e, posteriormente, envolvendo-se em atividades ilícitas mais estruturadas, entre elas o tráfico de drogas, a extorsão e as apostas clandestinas.
Durante o período de confronto entre a Nuova Camorra Organizzata (NCO) e a Nuova Famiglia (NF), Ciro Mariano teria inicialmente se aproximado da NCO por intermédio de Nicola Nuzzo. Posteriormente, teria se alinhado à NF após um confronto com integrantes da organização. Mais tarde, passou a ser apontado como uma das principais referências criminosas dos Quartieri Spagnoli, inserindo-se nas relações de poder entre as principais organizações da Camorra napolitana. Nesse contexto, a cidade encontrava-se dividida em áreas de influência entre diferentes grupos, entre eles o clã Giuliano, em Forcella e no centro histórico, o clã Licciardi, em Secondigliano, além dos próprios Mariano nos Quartieri Spagnoli. Seus interesses econômicos abrangiam o contrabando, o jogo clandestino e outras atividades relacionadas ao controle do território.
Em 1989, teria se envolvido em um conflito armado com o grupo conhecido como “Faiano”, ligado ao clã Di Biasi. A disputa resultou em diversos episódios de violência, culminando no tiroteio ocorrido em 16 de maio de 1990, no night club “San Francisco”, na Piazza Municipio, no qual foi morto Umberto Festa, guarda-costas de Ciro Di Biase. No mesmo episódio, Di Biase também ficou ferido. Inicialmente, durante as investigações, ele apontou Mariano como o mandante do ataque, mas posteriormente retirou essa declaração durante o processo judicial.
Cumpriu cerca de trinta anos de prisão ao todo, dos quais treze em regime de 41-bis, em diversos estabelecimentos penitenciários italianos, entre eles os de Asinara, Cuneo, Parma, Pianosa e Sulmona. Posteriormente, permaneceu detido no presídio de Spoleto, tendo sua prisão iniciado em 1991. Após sua libertação, entre 2018 e 2021, ficou submetido à liberdade vigiada e residiu nos Quartieri Spagnoli, na Vico Cariati. No entanto, em 2023, recebeu uma ordem de prisão para o cumprimento do restante da pena de prisão perpétua, expedida pela Procuradoria-Geral de Nápoles, o que resultou em seu retorno ao cárcere. Durante o período em liberdade, Mariano também se tornou conhecido por atividades culturais e poéticas, aparecendo ocasionalmente em plataformas de redes sociais, como o TikTok.
Vita privada Mariano é casado e tem cinco filhos. Um de seus irmãos, Marco Mariano, tornou-se colaborador da Justiça, enquanto outro irmão, Salvatore, cumpre pena de prisão perpétua.
Sua esposa, Concetta Tecchio (também conhecida como Concetta Mariano), faleceu após uma longa doença em 2021. Ela havia sido envolvida em um processo judicial, do qual foi posteriormente absolvida em 2016. É descrita como uma figura central na vida familiar de Mariano, apesar das questões judiciais e das tensões relacionadas ao contexto criminoso.
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