Durante o século XIII, diversos líderes líderes tentaram estabelecer uma aliança militar entre os cruzados francos e o Império Mongol contra os califados islâmicos, os seus inimigos em comum. Uma aliança deste tipo parecia ser a escolha óbvia: os mongóis já simpatizavam com o cristianismo, dada a presença de diversos cristãos nestorianos influentes na corte mongol. Os francos, tanto na Europa Ocidental como nos estados cruzados do Levante estavam abertos à ideia de apoio do oriente, em parte devido à antiga lenda de Preste João, um rei oriental de um reino oriental que muitos acreditavam que um dia viria em auxílio dos cruzados na Terra Santa.Jackson. Mongols and the West. pág. 4. "The failure of Ilkhanid-Western negotiations, and the reasons for it, are of particular importance in view of the widespread belief in the past that they might well have succeeded." Os Francos e os Mongóis partilhavam, também, um inimigo comum nos califados. No entanto, apesar de diversas mensagens, presentes, e emissários enviados ao longo de décadas, a aliança frequentemente proposta nunca se concretizou.Atwood. "Western Europe and the Mongol Empire" in Encyclopedia of Mongolia and the Mongol Empire. p. 583. "Despite numerous envoys and the obvious logic of an alliance against mutual enemies, the papacy and the Crusaders never achieved the often-proposed alliance against Islam".Ryan. pág. 411–421.

O contacto entre europeus e mongóis começou por volta de 1220, com mensagens ocasionais do papado e de monarcas europeus a líderes mongóis, tais como Grão-cã, e posteriormente aos Ilcãs na Pérsia conquistada pelos mongóis. As comunicações tendiam a seguir um padrão recorrente: os europeus perguntavam aos mongóis que se convertessem ao cristianismo ocidental, enquanto que os mongóis respondiam com exigências de submissão e tributo. Os mongóis já tinham conquistado diversos estados cristãos e islâmicos no seu avanço pela Ásia, e depois de destruírem os Nizaris de Alamut e as dinastias muçulmanas de Abássida e de Aiúbida, pelas gerações seguintes lutaram contra o poder islâmico remanescente na região, os mamelucos egípcios. Hetum I, rei do estado cristão da Arménia Cilícia, foi submetido aos mongóis em 1247, e encorajou vivamente outras monarcas a envolverem-se numa aliança cristã-mongol, mas apenas conseguiu persuadir o seu genro, o príncipe Boemundo VI do Estado cruzado de Antioquia, que se submeteu em 1260. Outros líderes cristãos, como os cruzados de Acre, desconfiávam mais nos mongóis, considerando-os a maior ameaça na região. Os barões de Acre estabeleceram, por isso, uma invulgar aliança passiva com os mamelucus muçulmanos, permitindo às forças egípcias avançar, sem oposição, pelo território dos cruzados para enfrentar e derrotar os mongóis na Batalha de Ain Jalut em 1260.Morgan. "The Mongols and the Eastern Mediterranean". pág. 204. "The authorities of the crusader states, with the exception of Antioch, opted for a neutrality favourable to the Mamluks."

As atitudes europeias começaram a mudar por volta de 1260, passando de uma percessão dos mongóis como inimigos a temer, a potenciais aliados contra os muçulmanos. Os mongóis procuraram tirar partido disto, prometendo aos europeus a reconquista de Jerusalém em troca de cooperação. As tentativas de consolidar uma aliança continuaram através de negociações com muitos líderes do Ilcato Mongol, desde o seu fundador Hulagu through his descendants Abaca, Argum, Gazã, e Öljaitü, mas sem sucesso. Os mongóis invadiram a Síria diversas vezes entre 1281 e 1312, por vezes em tentativas de operações conjuntas com os Francos, mas as dificuldades logísticas consideráveis envolvidas fizeram com que as forças chegassem com meses de diferença, nunca conseguindo coordenar as atividades de forma eficaz.Edbury. pág. 105. O Império Mongol acabou por se dissolver em guerra civil, e os mamelucos recapeturaram, com sucesso, toda a Palestina e a Síria aos cruzados. Após a queda de Acre em 1291, os restantes cruzados refugiaram-se na ilha de Chipre. Eles fizeram uma última tentativa de estabelecer uma cabeça de ponte na pequena ilha de Arruade ao largo da costa de Tartuce, novamente numa tentativa de coordenar uma ação militar com os mongóis, mas o plano falhou e os muçulmanos responderam sitiando a ilha. Com a queda de Arruade em 1302, os cruzados perderam o seu último ponto de apoio na Terra Santa.Demurger. "The Isle of Ruad". The Last Templar. pág. 95–110.

Os historiadores modernos debatem se uma aliança entre os Francos e os Mongois teria sido bem-sucedida na na alteração do equilíbrio de poder na região e se teria sido uma escolha sábia por parte dos europeus.Abate and Marx. pág. 182–186 Tradicionalmente, os mongós tendiam a ver os grupos externos como súbditos ou inimigos, deixando pouco espaço entre essas duas categorias para um conceito como o de aliados.Jackson. Mongols and the West. pág. 46., pág. 181–182. "For the Mongols the mandate came to be valid for the whole world and not just for the nomadic tribes of the steppe. All nations were de jure subject to them, and anyone who opposed them was thereby a rebel (bulgha). In fact, the Turkish word employed for 'peace' was that used also to express subjection ... There could be no peace with the Mongols in the absence of submission."Jackson. Mongols and the West. pág. 121. "[The Mongols] had no allies, only subjects or enemies".

Contexto (1209-1244)

Haviam rumores e expectativas entre os europeus ocidentais de que um grande aliado cristão viria do Oriente. Estes rumores circulavam desde a Primeira Cruzada (1096-1099), e, usualmente, ganhavam popularidade após os cruzados perderem uma batalha. Surgiu uma lenda sobre uma figura conhecida como Preste João, que vivia na longínqua Índia, na Ásia Central, ou, talvez, até na Etiópia. Esta lenda ganhou vida própria, e alguns indivídus que vinham do Oriente eram recebidos com expectativas de que pudessem ser forças enviadas pelo tão aguardado Preste João. Em 1210, notícias chegaram ao Ocidente das batalhas do mongol Kuchlug (que morreu em 1218), líder da tribu predominantemente cristã dos Naimanos. As forças de Kuchlug combatiam o poderoso Império Corásmio, cujo líder era o muçulmano Muhammad II de Corásmio. Na europa, rumores circulavam de que Kuchlug era o mítico Preste João, a batalhar, novamente, com os muçulmanos no Oriente.Foltz. pág. 111–112.

Durante a Quinta Cruzada (1213-1221), enquanto os cristãos sitiavam, sem sucesso, a cidade egípcia de Damieta, a lenda de Preste João misturou-se com a realidade do Império de Gengis Khan, que se expandia rapidamente. Entre 1219 e 1221, grupos de ataque mongóis começaram a invadir o mundo islâmico oriental na Transoxania e na Persia. Amitai. "Mongol raids into Palestine (AD 1260 and 1300)". pág. 236. Corriam rumores entre os cruzados de que um "rei cristão das Índias", um rei David que, ou era Preste João, ou um dos seus descendentes, vinha a atacar muçulmanos no Oriente e vinha estava a caminho para ajudar os cristãos nas cruzadas.Knobler. pág. 181–197. Numa carta datada a 20 de junho de 1221, o Papa Honório III chegou até a comentar "forças vindas do Extremo Oriente para resgatar a Terra Santa".Citado em "Runciman". pág. 246.

Após a divisão do Império Mongol em 1259, o seu império foi dividido pelos seus descendentes em quatro secções, ou Canatos, que degeneraram em guerra civil, embora os imperadores de Yuan detivessem o título nominal de khagan do império.

O Canato Quipechaques do noroeste, conhecido como Canato da Horda Dourada, expandiu em direção à europa, principalmente através da Hungria e da Polónia, enqunato os seues líderes se opunham simultaneamente ao domínio dos seus primos na capital mongol. A secção sudoeste, conhecida como Ilcanato, estava sob a liderança de Hulagu Cã, neto de Gengis Cã. Ele continuou a apoiar o seu irmão, o Grão-cã, e, por isso, estava em guerra com a Horda Dourada, enquanto que, ao mesmo tempo, avançava em direção à Préssia e à Terra Santa.Morgan. The Mongols. pág. 133–138.

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