thumb|Aplicação de fumacê na Indonéisa Fumacê é a aplicação de substâncias inseticidas pulverizadas no ar, geralmente por equipamentos instalados em veículos, com a finalidade de eliminar mosquitos adultos. A técnica é utilizada no controle de vetores de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Seu uso é questionado pela baixa capacidade de prevenir a proliferação dos mosquitos, uma vez que o inseticida atinge principalmente os insetos que estejam voando no momento da aplicação, sem eliminar os criadouros. Pesquisadores também alertam para seus impactos sobre a saúde humana e o meio ambiente, pois os produtos empregados não são seletivos e podem atingir abelhas, lagartas e outros organismos. Segundo pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os inseticidas contra mosquitos adultos não constituem um método de prevenção, nem no Brasil nem em outros países.
Fumacê no mundo thumb|Criança corre em meio à aplicação de fumacê em uma escola na Indonésia As recomendações destinadas à população variam conforme o país. Nos Estados Unidos, as autoridades orientam crianças e mulheres grávidas a evitar a exposição, recomendando que as pessoas permaneçam dentro de casa ou se afastem da área pulverizada por cerca de 30 minutos, fechem portas e janelas, desliguem aparelhos de ar-condicionado, protejam os olhos e lavem as roupas que entrarem em contato com o produto. Recomendações para manter portas e janelas fechadas também foram divulgadas em Bornéu e na França.
O emprego de inseticidas por fumacê também provoca oposição pública. Protestos contra a pulverização foram registrados no Canadá e nos Estados Unidos, onde manifestantes questionaram os possíveis efeitos dos pesticidas sobre a saúde e o meio ambiente.
No Brasil
No Brasil, o fumacê foi uma das principais estratégias empregadas, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990, na tentativa de reduzir a proliferação dos mosquitos transmissores de arboviroses. A continuidade de seu uso é criticada por especialistas, que apontam sua baixa eficácia, seus impactos ambientais e seu caráter antipedagógico, além da possibilidade de a visibilidade da medida torná-la politicamente conveniente para prefeitos e vereadores.
O Malathion, utilizado durante anos nos fumacês brasileiros, é considerado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer como provavelmente cancerígeno para seres humanos. Sua substituição pelo produto Cielo não encerrou as preocupações ambientais e sanitárias, pois a ficha de segurança do novo inseticida informa que ele pode ser nocivo se ingerido ou em contato com a pele, provocar irritação ocular e ser muito tóxico para organismos aquáticos, além de tóxico para abelhas, de acordo com seu fabricante.
Protestos contra fumacê pelo mundo O uso do fumacê e de outras modalidades de pulverização de inseticidas provocou protestos e campanhas em diferentes países. As mobilizações geralmente se concentraram nos possíveis efeitos sobre a saúde humana, os polinizadores e outros organismos não alvos, bem como na ausência de comunicação prévia às populações atingidas.
Bequia, São Vicente e Granadinas: moradores da ilha de Bequia organizaram uma petição pela proibição completa do fumacê. A campanha mencionou a ausência de comunicação prévia, possíveis danos aos polinizadores e o risco de deposição de inseticidas sobre telhados utilizados para captar água da chuva. Apesar da campanha, o governo de São Vicente e Granadinas continuou divulgando calendários de operações de fumacê na ilha.
Davis, Estados Unidos: em 2005, moradores da cidade californiana organizaram oposição à pulverização de inseticidas contra mosquitos transmissores do vírus do Nilo Ocidental. Uma reunião pública foi encerrada depois de protestos contra o formato adotado pelas autoridades, sendo posteriormente continuada sob a condução dos próprios manifestantes. A oposição permaneceu ativa nos anos seguintes, embora pulverizações aéreas tenham sido realizadas na região em 2006.
Miami Beach, Estados Unidos: também em 2016, centenas de moradores compareceram a reuniões e manifestações contra a pulverização aérea de Naled durante um surto de zika. Os protestos conseguiram adiar a operação por um dia, mas a aplicação foi posteriormente realizada. Em 2017, uma tentativa judicial de interromper novas pulverizações foi rejeitada por um juiz federal, que considerou insuficiente a petição apresentada pelos autores.
Piracicaba, Brasil: em 2024, um abaixo-assinado denominado Salve as abelhas urbanas solicitou que as autoridades municipais e estaduais avisassem antecipadamente os criadores de abelhas sobre as operações de fumacê. A campanha reconhecia a utilização do método durante epidemias, mas defendia medidas para reduzir a exposição de abelhas sem ferrão e outros polinizadores aos inseticidas.
Porto Rico: durante a epidemia de zika de 2016, agricultores, apicultores, médicos, ambientalistas e organizações comunitárias formaram a Frente Unido en Contra de la Fumigación Aérea. Centenas de pessoas participaram de manifestações contra a aplicação aérea do inseticida Naled, sob lemas como Del cielo solo lluvia. Após as mobilizações, o governador Alejandro García Padilla decidiu não autorizar a operação com Naled e anunciou a adoção do larvicida biológico Bti como alternativa.
Sri Lanka: em 2025, a campanha digital Protect Paradise: End Toxic Fogging and Support Smart Mosquito Control pediu a interrupção do fumacê indiscriminado e sua substituição por eliminação de criadouros, larvicidas biológicos, mosquitos infectados com Wolbachia e a técnica do inseto estéril. A iniciativa também reivindicou maior transparência sobre os inseticidas empregados pelas autoridades.
Alternativas
Entre as alternativas ao fumacê estão a eliminação dos focos de água parada, a limpeza de caixas-d’água, calhas, piscinas, tambores e cisternas, o uso de ovitrampas e mosquitoeiras e a recuperação ambiental. Também são mencionadas soluções como mosquitos modificados em laboratório e vacinas contra a dengue.
Ver também Abelhas e substâncias químicas tóxicas Impacto ambiental dos pesticidas Inseto geneticamente modificado Mosquitoeira Vacina contra a dengue
Categoria:Insecticidas Categoria:Controle de mosquitos