miniaturadaimagem|Fotografia de Fernando José Francisco Fernando José Francisco (1922 – Lisboa, 3 de janeiro de 2008) foi um pintor português associado ao surrealismo. Integrou o grupo Os Surrealistas, formado em Lisboa na década de 1940 em torno de Mário Cesariny, e participou nas primeiras exposições do grupo, realizadas em 1949 e 1950. Depois de um período de intensa atividade artística no final da década de 1940, afastou-se durante várias décadas dos circuitos expositivos, regressando às exposições públicas apenas no início do século XXI.

Biografia Fernando José Francisco nasceu em 1922 e morreu em Lisboa, em 3 de janeiro de 2008, aos 85 anos.

Durante a década de 1940, esteve ligado ao ambiente artístico que se desenvolveu em torno da Escola de Artes Decorativas António Arroio e de Mário Cesariny. A sua atividade artística viria a integrar-se no contexto do surrealismo português, ao lado de artistas como Mário Cesariny e João Artur da Silva do Cruzeiro Seixas.

Surrealismo Fernando José Francisco participou nas primeiras exposições do movimento Os Surrealistas, grupo associado a Mário Cesariny e caracterizado pela sua posição dissidente relativamente ao movimento surrealista português.

A sua participação expositiva iniciou-se nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, realizadas em 1947, 1948 e 1949. Em seguida, participou nas duas primeiras exposições de Os Surrealistas, realizadas em Lisboa em 1949 e 1950.

A primeira exposição de Os Surrealistas realizou-se em 1949 e constituiu um dos momentos fundamentais da afirmação do surrealismo dissidente em Portugal. Fernando José Francisco integrou o grupo juntamente com artistas como Mário Cesariny, João Artur da Silva e Cruzeiro Seixas e outros autores associados àquela corrente.

A Fundação Cupertino de Miranda inclui Fernando José Francisco entre os principais nomes do surrealismo português, identificando-o como artista do período 1922–2008 e incluindo obras suas no contexto das coleções dedicadas ao movimento surrealista.

Afastamento da atividade artística Depois da atividade desenvolvida durante a década de 1940, Fernando José Francisco afastou-se dos circuitos artísticos durante mais de quatro décadas. A sua ausência prolongada contribuiu para que permanecesse uma figura relativamente pouco conhecida do público, apesar da sua participação na formação do núcleo surrealista português.

O afastamento não significou, contudo, o desaparecimento da sua importância histórica no contexto do surrealismo português. A sua participação nas primeiras exposições de Os Surrealistas fez dele um dos artistas associados à fase inicial do movimento.

Regresso às exposições Após mais de 40 anos afastado dos circuitos artísticos, Fernando José Francisco voltou a apresentar publicamente o seu trabalho em 2006, numa exposição coletiva realizada na Perve Galeria, em Lisboa.

A exposição reuniu Fernando José Francisco com Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, dois outros nomes fundamentais da primeira geração surrealista portuguesa. A mostra constituiu um reencontro de três artistas associados às primeiras exposições de Os Surrealistas e foi apresentada como uma das últimas manifestações públicas da trajetória artística de Fernando José Francisco.

A RTP noticiou a exposição de 2006 como o regresso do artista aos circuitos expositivos depois de mais de quatro décadas de ausência. A mostra permitiu recuperar a obra de um dos participantes da fase inicial do surrealismo dissidente português.

A exposição foi também referida em 2020 pela revista Time Out, no contexto da mostra Cruzeiro Seixas — Fazedor do Nada Perfeito, realizada na Sociedade Nacional de Belas-Artes. A exposição apresentou obras de Cruzeiro Seixas realizadas em colaboração com diversos artistas, entre os quais Fernando José Francisco.

Obra e legado A produção de Fernando José Francisco é enquadrada na história do surrealismo português da década de 1940. A sua importância está particularmente associada à participação nas exposições de Os Surrealistas e à relação que manteve com alguns dos principais protagonistas do movimento.

A Fundação Calouste Gulbenkian inclui Fernando José Francisco na sua base de dados de artistas e participantes na história das exposições, registando a sua participação na exposição Os Anos 40 na Arte Portuguesa, realizada em 1982 na Fundação Calouste Gulbenkian e na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa.

A Fundação Cupertino de Miranda incluiu-o na exposição O Surrealismo na colecção da Fundação Cupertino de Miranda, realizada em 2007, que reuniu obras de artistas portugueses e internacionais relacionados com o surrealismo.

A importância de Fernando José Francisco no surrealismo português é também evidenciada pela sua associação com Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas. Os três participaram na primeira exposição de Os Surrealistas em 1949 e voltaram a expor juntos em Lisboa em 2006, mais de meio século depois.

Morte Fernando José Francisco morreu em 3 de janeiro de 2008, em Lisboa, aos 85 anos, após uma doença respiratória prolongada. A notícia do seu falecimento foi divulgada pela agência Lusa através da RTP.

A sua morte foi noticiada também pelo jornal Público, que o identificou como pintor surrealista e destacou o seu papel na história do surrealismo português.

Exposições selecionadas

1947 – Exposição Geral de Artes Plásticas 1948 – Exposição Geral de Artes Plásticas 1949 – Exposição Geral de Artes Plásticas 1949 – Primeira exposição de Os Surrealistas, Lisboa 1950 – Segunda exposição de Os Surrealistas, Lisboa 1982 – Os Anos 40 na Arte Portuguesa, Fundação Calouste Gulbenkian e Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa 2006 – Exposição coletiva com Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, Perve Galeria, Lisboa 2007 – O Surrealismo na colecção da Fundação Cupertino de Miranda, Fundação Cupertino de Miranda 2020 – Cruzeiro Seixas — Fazedor do Nada Perfeito, Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa

Referências

Ligações externas

Fernando José Francisco na Fundação Calouste Gulbenkian – História das Exposições Fernando José Francisco na Fundação Cupertino de Miranda Morreu pintor surrealista Fernando José Francisco na RTP

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