Hanzala ibne Arrabi () foi um tamimita do ramo dos , companheiro e escriba de Maomé. Conhecido como Hanzala Alcátibe e Alcátibe em razão dessa atividade, foi um dos escribas da revelação e também redigiu outras correspondências para Maomé. Participou da Conquista de Meca e atuou como emissário durante o Cerco de Taife. Após a morte de Maomé, continuou exercendo funções de escriba sob o califa Abu Becre.

Hanzala participou posteriormente da conquista do Iraque e das batalhas de Cadésia e Niavande. Durante o cerco à casa de Otomão, defendeu que os habitantes de Medina auxiliassem o califa, mas, após seu assassinato, manteve-se afastado da Primeira Fitna, não participando das batalhas do Camelo e de Sifim. Estabeleceu-se em Cufa e posteriormente em Carquícia, onde provavelmente morreu em 45 A.H. (665), embora existam outras tradições acerca da data de sua morte. Foi também transmissor de hádices atribuídos a Maomé.

Vida

Hanzala ibne Arrabi ibne Saifi pertencia aos tamimitas, mais especificamente ao ramo dos . Era sobrinho de , conhecido como poeta e orador durante a Jailia, e irmão de , também contado entre os companheiros de Maomé. Hanzala tornou-se conhecido como Hanzala Alcátibe ou simplesmente Alcátibe em razão de sua atividade como escriba de Maomé. Além de atuar como um dos escribas da revelação, também redigia outras correspondências para Maomé. Hanzala participou da Conquista de Meca, em 630. Posteriormente, durante o Cerco de Taife, Maomé enviou-o como emissário aos habitantes da cidade para averiguar se estavam dispostos a negociar a paz. Hanzala continuou exercendo funções de escriba durante o califado de Abu Becre . Nesse período, participou das campanhas contra o Império Sassânida no Iraque no exército comandado por Calide ibne Alualide, que o encarregou de transportar os despojos de guerra ao califa. Durante o califado de Omar , participou das batalhas de Cadésia e Niavande.

Durante o cerco à casa do califa Otomão , Hanzala incentivou os habitantes de Medina a auxiliarem o califa contra os sitiantes provenientes do Egito. Depois do assassinato de Otomão, procurou manter-se afastado da Primeira Fitna e não participou da Batalha do Camelo nem da Batalha de Sifim. Estabeleceu-se em Cufa, mas posteriormente deixou a cidade em reação às ofensas dirigidas contra Otomão e mudou-se para Carquícia, situada entre os rios Eufrates e Cabur. Acredita-se que tenha morrido ali em 45 A.H. (665). Outras tradições situam sua morte durante o califado de Omar ou no ano 50 A.H. (670). A afirmação de que teria morrido na Batalha de Uude resulta de uma confusão com Hanzala ibne Abi Amir, que morreu naquela batalha.

A proximidade de Hanzala com Maomé também aparece em tradições relativas às suas funções de escriba. Maomé teria pedido que Hanzala lhe recordasse assuntos que eventualmente esquecesse e, em algumas ocasiões, confiava-lhe seu selo. Uma tradição transmitida pelo próprio Hanzala relata que, quando permanecia junto de Maomé, experimentava um estado de intensa devoção religiosa, mas não conseguia conservá-lo quando retornava à vida cotidiana. Temendo que isso constituísse hipocrisia, relatou sua preocupação primeiro a Abu Becre e depois a Maomé, que lhe explicou que uma pessoa não permanecia continuamente no mesmo estado espiritual. Hanzala também transmitiu hádices atribuídos a Maomé. Entre os que transmitiram tradições de sua autoridade encontram-se , , e Alhaçane de Baçorá. Duas tradições transmitidas por Hanzala foram preservadas no Sahih de Muslim ibne Alhajaje, bem como nas coleções de Atirmidi, Anaçai, Ibne Maja e no Musnad de Amade ibne Hambal.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VII Categoria:Conquista muçulmana da Pérsia Categoria:Tamimitas Categoria:Escribas da revelação