A Guerra do Vietnã foi um importante acontecimento que moldou o curso do mundo na segunda metade do século XX. Embora tenha sido um conflito regional ocorrido na Península da Indochina, também afetou os interesses estratégicos da República Popular da China, da União Soviética e dos Estados Unidos, bem como as relações entre essas grandes potências. A China, em particular, também desempenhou um papel importante nas guerras do Vietnã desde a Primeira Guerra da Indochina. A China apoiou militarmente o Vietnã do Norte, fornecendo amplo auxílio logístico, treinamento e material.

Contexto histórico Em outubro de 1949, foi estabelecida a República Popular da China (RPC) na China continental e, em janeiro de 1950, a República Democrática do Vietnã (RDV) foi oficialmente reconhecida pela RPC. Isso alterou a situação na Primeira Guerra da Indochina, envolvendo o Việt Minh, e posteriormente influenciou diretamente a Guerra do Vietnã. O governo chinês, sob a liderança de Mao Tsé-Tung, assumiu um papel ativo na Primeira Guerra da Indochina. Em abril de 1950, o Việt Minh solicitou formalmente ajuda militar, incluindo equipamentos, assessores e treinamento. A RPC começou a enviar assessores e posteriormente formou o Grupo Consultivo Militar Chinês (CMAG) para auxiliar o Việt Minh, liderado pelo general Wei Guoqing, juntamente com o general sênior Chen Geng. Esse foi o início da assistência chinesa.

Razões para o envolvimento da China Realidades geopolíticas Durante a década de 1950 e a maior parte da década de 1960, Mao considerava os Estados Unidos a principal ameaça à segurança e à revolução chinesas. A Indochina constituía uma das três frentes — as outras eram a Coreia e Taiwan — que Mao considerava vulneráveis a uma invasão por países imperialistas. Assim, o apoio de Mao a Ho Chi Minh começou como uma preocupação de segurança. No fim da década de 1960 e início da década de 1970, com a deterioração das relações entre a China e a União Soviética, especialmente após o conflito fronteiriço sino-soviético de março de 1969, Mao esclareceu ainda mais que a União Soviética era a principal ameaça à segurança nacional da China. Em seguida, começou a ajustar sua política em relação aos Estados Unidos e incentivou os norte-vietnamitas a concluir um acordo de paz.

Obrigações internacionais O senso de responsabilidade internacional de ajudar camaradas fraternos e promover a revolução anti-imperialista foi outro fator crucial na política de Pequim para a Indochina. Durante a visita de Mao à União Soviética em dezembro de 1949, Stalin procurou obter a ajuda de Mao para apoiar os comunistas vietnamitas contra a França na Primeira Guerra da Indochina. Mao aceitou a visão de Stalin de uma "revolução comunista mundial" e concordou em compartilhar "a responsabilidade internacional" e apoiar os comunistas vietnamitas. Após o retorno de Mao à China, o país começou a enviar assessores militares e ajuda militar aos vietnamitas.

"Acreditando que a China tinha um papel especial a desempenhar na reformulação de uma futura ordem revolucionária mundial", Mao pretendia transformar não apenas a velha China, mas também a velha ordem mundial. No fim da década de 1950 e início da década de 1960, a propaganda de Pequim apresentava a China como "uma aliada natural dos povos oprimidos do mundo em sua luta pela libertação nacional", justificando os esforços para ajudar o Vietnã do Norte.

Personalidade As personalidades dos líderes também contribuíram para mobilizar o apoio da RPC ao Vietnã do Norte. Foram especialmente importantes as interações pessoais de Ho Chi Minh com Mao, Zhou Enlai, Liu Shaoqi e outros dirigentes do PCCh. Ho tornou-se próximo deles quando trabalhou para o Partido Comunista Francês em Paris e posteriormente atuou como agente da Internacional Comunista em Cantão, auxiliando os movimentos operário e camponês locais. "Ao decidir ajudar o Việt Minh em 1950, Mao ressaltou a importância de retribuir a amizade."

Considerações políticas internas "A intenção de usar a luta internacional para promover agendas políticas internas figurava frequentemente de modo proeminente nas deliberações de Mao sobre o Vietnã." Na sua visão, a percepção de que a China enfrentava graves ameaças externas seria um instrumento eficaz para reforçar a dinâmica da mobilização revolucionária interna, assim como sua autoridade e posição de controle na vida política chinesa. Assim, ajudar o Vietnã servia ao objetivo de Mao de obter apoio para reformular o Estado e a sociedade chineses.

Processo do envolvimento da China Durante a Primeira Guerra da Indochina O líder guerrilheiro comunista chinês Chu Chia-pi, de Iunã, juntou-se ao Việt Minh em sua luta contra os franceses em 1948.

Em janeiro de 1950, a República Popular da China tornou-se o primeiro Estado a estabelecer relações diplomáticas com a República Democrática do Vietnã, e a base das relações passou de partido a partido para Estado a Estado. No início da década de 1950, os comunistas vietnamitas enfrentavam inimigos formidáveis e Ho Chi Minh buscava avidamente conselhos e armas da China. A RPC começou a enviar seus assessores e posteriormente formou o Grupo Consultivo Militar Chinês (CMAG), para auxiliar as forças do Việt Minh lideradas por Wei Guoqing e Chen Geng. O CMAG e o Việt Minh iniciaram o treinamento para sua primeira campanha. Em setembro de 1950, foram lançadas as Campanhas da Fronteira. Entre abril e setembro de 1950, a China enviou ao Việt Minh 14.000 fuzis e pistolas, 1.700 metralhadoras e canhões sem recuo, 150 morteiros, 60 peças de artilharia e 300 bazucas, além de munições, medicamentos, materiais de comunicação, roupas e 2.800 toneladas de alimentos.

Além disso, um "grupo consultivo político" foi enviado da China ao norte do Vietnã em 1950, liderado por Luo Guibo. Luo foi a Tonquim para "transmitir a experiência da China em trabalho financeiro e econômico, retificação da ideologia e do estilo de trabalho dos quadros, trabalho governamental e mobilização das massas". Entre 1951 e 1954, os chineses ajudaram os vietnamitas a treinar seus comandantes militares e a reorganizar seus sistemas de defesa e finanças. Também auxiliaram os vietnamitas a mobilizar os camponeses em apoio à guerra por meio de campanhas de reforma agrária. A China treinou vietnamitas em uma academia de oficiais e em escolas de comunicações, mecânica e tecnologia em Quancim e Iunã. Em termos gerais, houve uma transferência em grande escala da experiência revolucionária chinesa aos vietnamitas.

A China equipou e treinou um batalhão vietnamita de foguetes e um batalhão de canhões sem recuo de 75 mm que foram empregados na Batalha de Dien Bien Phu. Também forneceu suprimentos de guerra e ajudou a preparar o Việt Minh para o atendimento médico em campo e para a prontidão de hospitais de campanha.

De agosto de 1950 a março de 1954, o governo chinês forneceu ao Vietnã US$ 43,2 bilhões em ajuda na forma de material de guerra, medicamentos e combustível.

Conferência de Genebra Nos anos que se seguiram à conclusão da Conferência de Genebra (1954), a China desejava um ambiente internacional pacífico para concentrar-se na reconstrução interna. O Partido Comunista do Vietnã (PCV) enfrentava duas tarefas fundamentais: reconstruir o Norte e reunificar o Sul.

Ho Chi Minh não participou da Conferência de Genebra, e Zhou Enlai reuniu-se com Ho em Liuzhou. A China pressionou Ho a aceitar a divisão do Vietnã e substituir a luta militar pela luta política. Essa abordagem foi criticada por alguns dirigentes vietnamitas, entre eles Lê Duẩn, que mais tarde afirmou que "foi precisamente Zhou Enlai quem dividiu nosso país em dois". Mao posteriormente disse a Phạm Văn Đồng que a abordagem chinesa havia sido um erro:

Eu disse, de fato, que cometemos um erro quando fomos à Conferência de Genebra em 1954. Naquela época, o presidente Ho Chi Minh não estava totalmente satisfeito. Foi difícil para o presidente Ho desistir do Sul e agora, quando penso melhor, vejo que ele estava certo.

Em julho de 1954, o acordo sobre a Indochina foi assinado em Genebra pelo Việt Minh, França, China e União Soviética. O aspecto mais importante dos acordos foi a divisão do Vietnã no paralelo 17, com a República Democrática do Vietnã, liderada pelos comunistas, no Norte, e o Estado do Vietnã, sob Bảo Đại, no Sul.

Após a Conferência de Genebra Para reconstruir o Norte, o PCV recebeu imediatamente assistência da China após a Conferência de Genebra. Para ajudar a RDV a "aliviar a fome, reconstruir os sistemas de transporte, reativar a agricultura, reconstruir a economia urbana e melhorar as forças armadas", Pequim concordou em fornecer arroz e enviou ao Vietnã do Norte uma equipe de assessores econômicos e especialistas. Em dezembro de 1954, a China enviou mais de 2.000 trabalhadores ferroviários à RDV para reparar ferrovias, estradas e pontes. Durante a visita oficial de Ho Chi Minh à China em 1955, Pequim concordou em conceder US$ 200 milhões para a construção de diversos projetos. Depois disso, os dois países também estabeleceram um programa de intercâmbio de mão de obra. Entre 1955 e 1957, além da assistência chinesa, a União Soviética também desempenhou um papel importante na reconstrução e no desenvolvimento da economia da RDV.

Quando a 15.ª Plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores do Vietnã autorizou, em 1959, o uso da luta armada no Sul, Hanói continuou solicitando ajuda militar a Pequim. Nessas circunstâncias e em resposta aos pedidos de Hanói, a China ofereceu assistência militar substancial ao Vietnã antes de 1963. Segundo fontes chinesas, "durante o período de 1956–63, a ajuda militar chinesa ao Vietnã totalizou 320 milhões de yuans. Os carregamentos de armas da China ao Vietnã incluíram 270.000 armas de fogo, mais de 10.000 peças de artilharia, 200 milhões de projéteis de diversos tipos, 2,02 milhões de projéteis de artilharia, 15.000 transmissores com fio, 5.000 transmissores de rádio, mais de 1.000 caminhões, 15 aviões, 28 embarcações navais e 1,18 milhão de conjuntos de uniformes militares." Foi a ajuda chinesa ao Vietnã do Norte entre 1955 e 1963 que efetivamente forneceu ao Norte os recursos necessários para iniciar a insurgência no Sul.

No início da década de 1960, a empresa estatal chinesa Anshan Iron and Steel Works (Angang) apoiou a construção da primeira siderúrgica moderna do Vietnã, a Thai Nguyen Iron and Steel Company. A empresa enviou especialistas à siderúrgica e treinou centenas de trabalhadores vietnamitas. Quando ataques americanos posteriormente danificaram as instalações, a Angang participou da restauração, inclusive fabricando equipamentos essenciais.

Confronto com a escalada dos Estados Unidos O catalisador da Guerra do Vietnã foi o controverso Incidente do Golfo de Tonquim, em agosto de 1964. "Para enfrentar a crescente pressão dos Estados Unidos na Indochina, Pequim intensificou sua coordenação com os partidos vietnamita e laosiano." As unidades do Exército de Libertação Popular nas áreas fronteiriças com o Vietnã aumentaram em número, e a China passou a fornecer assistência militar ao Vietnã do Norte.

Em resposta aos bombardeios dos Estados Unidos contra o Vietnã do Norte, a China lançou a campanha "Resistir aos Estados Unidos, Ajudar o Vietnã". Os temas da campanha denunciavam o imperialismo dos Estados Unidos e promoviam a resistência vietnamita. Quadros locais do partido comunista organizaram reuniões de massa e manifestações de rua, e milhões de pessoas em todo o país marcharam em apoio à campanha entre 9 e 11 de fevereiro de 1965. O partido comunista expandiu a campanha para meios culturais, como exposições de cinema e fotografia, concursos de canto e apresentações de rua.