thumb|Carregamento de mísseis Aster (Sea Viper) a bordo do contratorpedeiro britânico HMS Diamond.
O Aster 15 e o Aster 30 formam uma família franco-italiana de mísseis superfície-ar operáveis sob quaisquer condições meteorológicas com disparo a partir de sistemas de lançamento vertical (VLS).Eurosam: Naval Systems – Aster 15 & 30/PAAMS, consultado em 14 de fevereiro de 2014. A denominação "Aster" deriva originalmente da contração do projeto "Aérospatiale Terminale", tendo a fabricante aeroespacial francesa Aérospatiale atuado como líder industrial antes da consolidação de suas divisões de mísseis no consórcio MBDA. O nome também faz referência à palavra grega antiga "aster" (), que significa "estrela". Os mísseis e seus sistemas de combate associados são manufaturados pelo consórcio Eurosam, composto pela MBDA França, MBDA Itália e o Grupo Thales (com participação societária de 33,3% cada).
A linha de mísseis Aster foi concebida para interceptar e neutralizar o espectro integral de ameaças aeroespaciais contemporâneas, englobando desde caças de alto desempenho, aeronaves remotamente pilotadas (VANTs) e helicópteros, até mísseis de cruzeiro, mísseis antirradiação e projéteis antinavio supersônicos em voo rasante sobre a lâmina d'água (sea-skimming). As variantes Aster 30 Block 1 e Block 1 NT foram adicionalmente projetadas com capacidade de interceptação antibalística.
O sistema é operado prioritariamente pelas forças armadas de França e Itália, bem como pela Marinha Real Britânica (onde o sistema integrado PAAMS é designado operacionalmente como Sea Viper). No domínio naval, o míssil equipa as fragatas de defesa aérea da classe Horizon (na França e na Itália) e os contratorpedeiros Type 45 (no Reino Unido). Encontra-se igualmente em serviço a bordo das fragatas da classe FREMM francesas e italianas por meio de arquiteturas integradas de combate derivadas.
História Durante a década de 1980, os arsenais antiaéreos predominantes nas marinhas francesa e italiana consistiam em sistemas de curto alcance com envolventes operacionais limitadas a cerca de dez a quinze quilômetros, tais como o francês Crotale, o italiano Selenia Aspide e o norte-americano RIM-7 Sea Sparrow. Algumas belonaves operavam o míssil norte-americano de médio e longo alcance RIM-66 Standard. Ambos os países decidiram formalizar o desenvolvimento conjunto de uma arquitetura nacional de mísseis superfície-ar com previsão de entrada em serviço no início do século XXI, almejando envelopes de alcance equivalentes aos do Standard norte-americano e do britânico Sea Dart, porém com maior manobrabilidade terminal contra alvos evasivos.
Considerou-se prioritária a capacidade de abater a nova geração de mísseis antinavio supersônicos, a exemplo do míssil russo-indiano BrahMos. O projeto estruturou-se em torno de uma configuração modular apta a operar tanto na defesa de ponto aproximada de embarcações singulares quanto na defesa de área estendida para escolta de forças-tarefa e frotas navais.
Em maio de 1989, os governos de Paris e Roma firmaram um memorando de entendimento para viabilizar a família de mísseis, criando na sequência o consórcio Eurosam. Em julho de 1995, os parâmetros de desenvolvimento do Aster 30 foram consolidados e ocorreu o primeiro ensaio de tiro real: o míssil interceptou com sucesso um alvo aéreo a uma altitude de 15.000 metros e com velocidade de 1.000 km/h. Em 1997, foi outorgado o contrato da Fase 2, orçado em 1 bilhão de dólares, visando à pré-produção de baterias navais e terrestres.
Nos ensaios de validação de voo entre 1993 e 1994, foram homologados os envelopes de altitude, aceleração e separação dos estágios. Em maio de 1996, tiveram início os testes com a cabeça de busca eletromagnética ativa do Aster 15 contra alvos reais, registrando sucesso pleno em todas as seis tentativas. Ao longo de 1997, o Aster foi submetido a baterias de testes rigorosos contra alvos teleguiados Aerospatiale C.22 e mísseis antinavio Exocet de primeira geração. Em diversos ensaios, o míssil registrou impacto cinético direto (hit-to-kill) contra o alvo: em um teste em novembro de 1997 sob densas contramedidas eletrônicas, o Aster foi disparado sem ogiva explosiva para medição de distância de passagem; ao ser recuperado, o drone C22 apresentava dois cortes profundos provocados pelo impacto mecânico direto das aletas do míssil.
Em maio de 2001, o Aster completou os testes finais de qualificação industrial, sendo instalado a bordo do porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle. Em junho daquele ano, realizou uma interceptação em baixa altitude contra um míssil simulado Arabel em menos de cinco segundos de voo. O primeiro disparo operacional a partir do convés do Charles de Gaulle ocorreu em outubro de 2002.
Em novembro de 2003, a Eurosam recebeu o contrato de produção em série da Fase 3, avaliado em 3 bilhões de euros, deflagrando a fabricação e as entregas para a França, Itália, Arábia Saudita e Reino Unido. O projeto alcançou modularidade estrutural ao empregar um mesmo "dardo" de interceptação terminal compartilhado entre as versões, ao qual são acoplados propulsores aceleradores (boosters) de dimensões distintas conforme a classe de alcance desejada.
Entre 2002 e 2005, a fragata experimental italiana Carabiniere serviu de banco de provas para homologar os disparos do Aster 15 a partir de lançadores Sylver A43 com o radar EMPAR e os disparos do Aster 30 em lançadores Sylver A50. Até 2012, o governo francês havia investido 4,1 bilhões de euros (a preços de 2010) na aquisição de 10 baterias terrestres SAMP/T, 375 mísseis Aster 30 e 200 mísseis Aster 15. Outros 80 mísseis Aster 30 e 40 mísseis Aster 15 foram adquiridos para equipar as fragatas da classe Horizon francesas.
Em janeiro de 2023, os ministérios da Defesa de França e Itália firmaram com a MBDA um aditivo de 2 bilhões de dólares para a produção em lote de quase 700 mísseis adicionais da família Aster.
Em janeiro de 2026, a Marinha Real Britânica abriu estudos de viabilidade para integrar operacionalmente o míssil Aster 30 às células do sistema de lançamento vertical Mark 41 (Mk 41 VLS).
Características A família Aster é estruturada em torno de duas versões principais: o Aster 15, voltado para curto e médio alcance, e o Aster 30, destinado a engajamentos de longo alcance. Os corpos centrais de sustentação aerodinâmica de ambos são idênticos em instrumentação e ogiva; a divergência de alcance e velocidade resulta da adição no Aster 30 de um estágio acelerador (booster) com maior volume de propelente sólido. O peso total do Aster 15 é de 310 kg, enquanto o Aster 30 alcança 450 kg.
O comprimento do Aster 15 é de 4,2 metros, elevando-se para 4,9 metros no Aster 30. O diâmetro do dardo é de 180 mm. Emprega o sistema de manobra PIF-PAF (Pilotage en Force – Pilotage Aérodynamique Fort), combinando superfícies aerodinâmicas convencionais com jatos laterais expelidos a partir do centro de gravidade do míssil, conferindo acelerações laterais superiores a 50 g para interceptações na fase final. Devido ao comprimento do Aster 30, as embarcações requerem células de lançamento vertical mais profundas, a exemplo dos silos Sylver A50 ou A70, sendo também compatível com o sistema norte-americano Mark 41 de comprimento de ataque.
Variantes thumb|Maquete do míssil Aster 30 Block 1NT (à direita) no Salão do Le Bourget. Aster 15: Versão de curto a médio alcance destinada à autodefesa naval de ponto e proteção aproximada de força naval (alcance entre 1,7 e 30 km). Aster 15 EC: Variante sob desenvolvimento a partir de 2023 com alcance operacional duplicado (> 60 km), com previsão de entrega operacional para 2030. Aster 30 Block 0: Versão de médio a longo alcance para defesa de área naval e terrestre (alcance de 3 a 120 km), capaz de manobras que excedem 50 g. Aster 30 Block 1: Variante antibalística otimizada para engajar mísseis balísticos de curto alcance (SRBMs) da classe de até 600 km de alcance, empregada no sistema terrestre SAMP/T. Aster 30 Block 1NT: (New Technology) Variante com buscador eletromagnético em banda Ka capaz de interceptar mísseis balísticos de curto e médio alcance com alcance de lançamento de até 1.500 km. Aster 30 Block 2 BMD: Projeto voltado ao abate exoatmosférico de mísseis balísticos manobráveis da classe de 3.000 km de alcance; o programa não teve continuidade formal confirmada após a revisão das prioridades orçamentárias.
O Aster 30 Block 1 é a munição padrão das baterias terrestres SAMP/T da Força Aérea e do Espaço francesa e do Exército Italiano. A França iniciou o desenvolvimento da variante Block 1NT em 2015, com a adesão formal da Itália em 2016. Em 2022, o Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou a atualização de seus contratorpedeiros Type 45 com mísseis Aster 30 Block 1 para prover capacidade contra mísseis balísticos antinavio.
Aceleração de produção Em dezembro de 2024, em audiência na Assembleia Nacional francesa, o Delegado Geral de Armamentos, Emmanuel Chiva, informou uma expansão drástica na cadência fabril das linhas do míssil Aster. Enquanto a previsão para 2025 limitava-se a cerca de 32 mísseis anuais, a formação de um comitê especial unindo a DGA, os estados-maiores e a indústria elevou a produção imediata para 80 a 100 unidades ao ano, com a meta de alcançar uma cadência de 300 mísseis anuais até 2028.Assembleia Nacional da França, Audiência da Comissão de Defesa com Emmanuel Chiva, 6 de dezembro de 2024.
Em 13 de julho de 2026, os governos da França e da Ucrânia subscreveram um protocolo autorizando a fabricação sob licença de mísseis Aster por instalações industriais ucranianas.
Emprego em combate e desdobramento
Sistemas navais
Marinha Francesa Embarcações em serviço: 1 × porta-aviões Charles de Gaulle (4 × lançadores Sylver A43 com 8 células para Aster 15 cada) 2 × fragatas da classe Horizon (6 × Sylver A50 com 8 células para Aster 15 / Aster 30 cada) 4 × fragatas da classe Aquitaine (FR-ASW) (2 × Sylver A43 com 8 células para Aster 15 e 2 × Sylver A70 com 8 células cada) 2 × fragatas da classe Aquitaine (FR-ASW) (2 × Sylver A50 e 2 × Sylver A70 para Aster 15 / Aster 30) 2 × fragatas da classe Aquitaine (FR-AAW) (4 × Sylver A50 para até 32 mísseis Aster 15 / Aster 30)
Embarcações futuras: 5 × fragatas de defesa e intervenção da classe Amiral Ronarc'h (FDI) (com lançadores Sylver A50) 1 × porta-aviões de nova geração (PANG)
Marinha Italiana thumb|O contratorpedeiro italiano Caio Duilio (D 554), da classe Orizzonte, equipado com mísseis Aster 15 e 30. Embarcações em serviço: 1 × porta-aviões Cavour (4 × lançadores Sylver A43 com 8 células para Aster 15 cada) 1 × navio de assalto anfíbio Trieste (2 × lançadores Sylver A50 com 8 células para Aster 15 / Aster 30 cada) 2 × contratorpedeiros da classe Orizzonte (6 × lançadores Sylver A50 com 8 células cada) 10 × fragatas da classe Bergamini (FREMM-IT) (2 × lançadores Sylver A50 com 8 células para Aster 15 / Aster 30 cada) 7 × navios de patrulha oceânica da classe Thaon di Revel (PPA) (2 × lançadores Sylver A70 para mísseis Aster 15 / Aster 30 ou MdCN)
Embarcações futuras: 2 × contratorpedeiros de mísseis guiados da classe DDX 2 × fragatas da classe FREMM-EVO 2 × navios de patrulha oceânica da classe Thaon di Revel adicionais 8 × corvetas de patrulha europeias (MMPC)
Marinha Real Britânica Embarcações em serviço: 6 × contratorpedeiros Type 45 (6 × lançadores Sylver A50 com 8 células para Aster 30 cada). Os navios passam por modernização estrutural para incorporar 24 silos dedicados ao míssil CAMM, liberando as 48 células Sylver A50 exclusivamente para o emprego do Aster 30.
Outras marinhas (Marinha Nacional da Argélia): 1 × navio de transporte anfíbio Kalaat Béni Abbès (2 × lançadores Sylver A50 para Aster 15). (Marinha do Egito): 1 × fragata da classe Aquitaine e 2 × fragatas da classe Bergamini. (Marinha Helênica): 4 × fragatas da classe Kimon (FDI HN) armadas com Aster 30 Block 1.