A Expedição de Hâmeza ibne Abede Almotalibe ou Saria de Hâmeza ibne Abede Almotalibe (), também conhecida como Expedição de Sife Albar ou Saria de Sife Albar (), foi uma das primeiras expedições militares organizadas por Maomé após a Hégira. Realizada em Ramadã de 1 A.H., no sétimo mês após sua chegada a Medina, foi comandada por Hâmeza ibne Abede Almotalibe, à frente de trinta cavaleiros, com o objetivo de interceptar uma caravana dos coraixitas que regressava da Síria para Meca. As forças encontraram-se em Sife Albar, na região de Alis, onde a caravana era acompanhada por cerca de trezentos homens, entre eles Abu Jal. Embora os dois grupos tenham se preparado para o combate, a intervenção de , aliado de ambas as partes, evitou o confronto, e os dois contingentes retiraram-se sem combater.
Geografia
Alis é uma localidade situada entre Meca e Medina, na direção da costa do Mar Vermelho, numa região atravessada pela rota comercial utilizada pelas caravanas dos coraixitas em suas viagens para a Síria. Historicamente, encontrava-se em território dos juainaítas e era uma região arborizada utilizada pelas caravanas como ponto de repouso. Havia ali uma fonte conhecida como Danabane Alis. Iacute Alhamaui descreveu Alis como uma localidade nas terras dos soleimitas, dotada de uma fonte chamada Danabane Alis, e situou-a na região de Du Almarrua, junto à costa, na rota utilizada pelos coraixitas em suas viagens à Síria.
Expedição
Em Ramadã do primeiro ano após a Hégira, no sétimo mês depois da chegada de Maomé a Medina, Maomé enviou uma força comandada por Hâmeza ibne Abede Almotalibe em direção à costa do Mar Vermelho. Segundo Aluaquidi, esta foi a primeira ocasião em que Maomé entregou um estandarte a um comandante depois de sua chegada a Medina. Hâmeza partiu à frente de trinta cavaleiros, e uma das tradições recolhidas pelo autor divide o contingente igualmente entre quinze emigrantes e quinze ançares. Entre os primeiros, Aluaquidi menciona Abu Ubaida ibne Aljarrá, Abu Hudaifa ibne Oteba, , , , Zaíde ibne Harita, , seu filho e ; entre os ançares, cita Ubai ibne Cabe, , , , , , , , e . Aluaquidi registra, contudo, uma tradição divergente segundo a qual Maomé não enviou ançares em expedições militares antes de participar pessoalmente com eles da Batalha de Badre, pois entendia que o compromisso assumido pelos ançares dizia respeito à sua proteção dentro do território de Medina.
O próprio Aluaquidi considera confirmada esta versão, o que põe em dúvida a tradição que divide os trinta homens da expedição de Hâmeza igualmente entre emigrantes e ançares. A força alcançou Sife Albar, na região de Alis, onde Hâmeza avançou contra uma caravana dos coraixitas que regressava da Síria para Meca. A caravana era acompanhada por cerca de trezentos cavaleiros de Meca e entre eles encontrava-se Abu Jal. Os dois grupos encontraram-se e chegaram a formar suas linhas para o combate, mas , que mantinha relações de aliança com ambas as partes, interveio e negociou entre elas até conseguir impedir o confronto. Hâmeza regressou então a Medina com seus companheiros, enquanto Abu Jal prosseguiu para Meca com a caravana, sem que houvesse combate. Ao retornar a Medina, Hâmeza relatou a Maomé a intervenção de Májedi e a maneira justa como este havia procedido entre os dois grupos. Aluaquidi acrescenta que, quando posteriormente alguns homens ligados a Májedi compareceram perante Maomé, este lhes deu roupas e os tratou favoravelmente, além de elogiar a conduta de Májedi.
Bibliografia
Categoria:623 Categoria:Expedições ordenadas por Maomé