Abuçaíde Alcudri (; c. –693/4), cujo nome era Sade ibne Maleque ibne Sinane (), foi um dos companheiros de Maomé e um destacado tradicionalista e jurista de Medina, pertencente aos cazerajitas. Impedido de participar da Batalha de Uude por ser ainda muito jovem, combateu posteriormente ao lado de Maomé em diversas campanhas, a começar pela Batalha da Trincheira, e esteve presente no Juramento de Riduão. Considerado um dos principais juristas entre os companheiros mais jovens de Maomé, Abuçaíde destacou-se sobretudo pela transmissão de hádices, figurando entre os sete companheiros aos quais são atribuídas mais de mil tradições. Transmitiu também ensinamentos recebidos de outros companheiros, como Abu Becre e Omar, e teve entre seus discípulos importantes estudiosos das gerações seguintes. Foi conhecido ainda por defender publicamente a observância da suna, chegando a censurar autoridades que considerava terem se afastado da prática de Maomé. Morreu em Medina em 74 A.H. (693–694) e foi sepultado no Cemitério de Albaqui.

Vida

Abuçaíde Alcudri pertencia aos cazerajitas de Medina e era conhecido sobretudo por sua cúnia. Sua nisba Alcudri (al-Khudrī) derivava de seu ancestral Cudra. Sua mãe, , pertencia aos e esteve entre as mulheres que prestaram baia a Maomé. O conhecido companheiro era seu meio-irmão por parte de mãe. Quando se apresentou para participar da Batalha de Uude, tinha treze anos. Embora seu pai, , afirmasse que o filho já possuía desenvolvimento físico suficiente para combater, Maomé não permitiu sua participação. Maleque morreu na batalha sem deixar meios de subsistência para a família, e a mãe de Abuçaíde enviou o filho a Maomé para pedir auxílio. Segundo a tradição, Maomé aconselhou-o a não pedir aos outros, a contentar-se com aquilo que possuía e a ser paciente; a partir de então, Abuçaíde não voltou a solicitar auxílio a ninguém. Sua primeira campanha ao lado de Maomé foi a Batalha da Trincheira, participando posteriormente de outras doze campanhas. Esteve também presente no Juramento de Riduão, figurando entre os companheiros que prestaram juramento a Maomé.

Pouco antes de morrer, Abuçaíde levou seu filho ao Cemitério de Albaqui e indicou-lhe um lugar afastado onde desejava ser sepultado. Determinou ainda que não fosse construído um mausoléu sobre sua sepultura e que não se realizasse luto por sua morte. Morreu em Medina em 74 A.H. (693–694) e foi sepultado no local que havia escolhido. A TDV considera incorretas as tradições que situam sua morte em 63, 64 ou 65 A.H. Existe nas proximidades da Mesquita de Caria, em Istambul, um túmulo simbólico atribuído a Abuçaíde, como ocorre com outros companheiros de Maomé. A tradição segundo a qual teria morrido durante um cerco de Constantinopla, capital do Império Bizantino, e sido sepultado nesse local não possui fundamento histórico.

Atividade intelectual

Abuçaíde tornou-se conhecido como um dos mais destacados juristas entre os companheiros mais jovens de Maomé, sendo referido pelos títulos de "imame" e "mufti de Medina". Numerosos pareceres jurídicos e opiniões atribuídos a ele foram preservados pelas fontes. Com 1 170 hádices atribuídos à sua transmissão, figura entre os sete companheiros dos quais foram transmitidos mais de mil hádices. Dele provém também a tradição mais difundida acerca da proibição, por Maomé, de registrar os hádices por escrito. Quando alguns de seus discípulos desejaram escrever as tradições que haviam memorizado, Abuçaíde recusou-se a autorizá-los, advertindo-os para que os hádices não fossem transformados em algo semelhante ao Alcorão e recomendando que fossem preservados pela memória. Além de transmitir diretamente de Maomé, Abuçaíde recebeu tradições de importantes companheiros, entre eles Abu Becre e Omar. Entre aqueles que transmitiram hádices recebidos dele figuraram Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, Jabir ibne Abedalá, Anas ibne Maleque, seus filhos e Abederramão, sua esposa , Abu Salama ibne Abederramão, Nafi ibne Hurmuz, Saíde ibne Almuçaíbe, , e Alhaçane de Baçorá. Recebia seus discípulos recordando uma tradição segundo a qual Maomé havia previsto que pessoas provenientes de diferentes regiões procurariam os companheiros para aprender o Islã e lhes recomendara que as tratassem bem.

O número de tradições atribuídas a Abuçaíde varia conforme as coleções. O Musnade de Baqui ibne Maclade contém 1 170, incluindo repetições, enquanto o Musnade de Amade ibne Hambal reúne 955 e os dois Sahih de Albucari e Muslim ibne Alhajaje contêm conjuntamente 111. Destas últimas, 43 aparecem em ambas as coleções, dezesseis somente na de Albucari e 52 somente na de Muslim. Suas tradições são consideradas particularmente relevantes por preservarem declarações e observações relacionadas ao período de Maomé e dos primeiros companheiros. Abuçaíde também é apresentado nas fontes como defensor da observância da prática de Maomé e disposto a censurar autoridades quando considerava que dela se afastavam. Quando Abu Muça Alaxari afirmou diante de Omar que Maomé recomendara retirar-se depois de bater três vezes a uma porta sem receber resposta, o califa exigiu uma testemunha para confirmar a tradição, e Abu Muça apresentou Abuçaíde. Em outra ocasião, Abuçaíde contestou Maruane ibne Aláqueme por fazer o sermão da festa religiosa antes da oração, afirmando que essa prática contrariava a suna. Também compareceu perante Moáuia em Damasco e censurou comportamentos que desaprovava, justificando sua atitude com uma tradição de Maomé segundo a qual quem conhecesse a verdade não deveria deixar de proclamá-la.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VII Categoria:Cazerajitas Categoria:Ançares Categoria:Naturais de Medina Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Naturais de Medina Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui