Ácime ibne Badala (), cujo nome completo era Abu Becre Ácime ibne Abi Anajude Badala Alaçadi Alcufi (; m. ), foi um recitador do Alcorão e tradicionalista muçulmano da geração dos tabis, ativo em Cufa. Maula dos , ramo dos açaditas, destacou-se sobretudo como mestre das leituras do Alcorão e foi posteriormente reconhecido como um dos sete imames das leituras canônicas. Recebeu tradições de leitura de e , vinculadas respectivamente a Ali ibne Abi Talibe e Abedalá ibne Maçude, e sucedeu ao primeiro como um dos principais mestres de recitação de Cufa.
A leitura de Ácime foi transmitida principalmente por e , cujas transmissões foram posteriormente incorporadas à sistematização das leituras canônicas. A transmissão de Háfece alcançou difusão particularmente ampla e, nos tempos modernos, tornou-se a forma de recitação predominante em grande parte do mundo muçulmano. Ácime também transmitiu hádices e teve entre aqueles que narraram por sua autoridade Sufiane Atauri e Sufiane ibne Uiaina, embora sua reputação nesse campo tenha sido mais variável que sua autoridade como recitador: alguns críticos consideraram-no confiável, enquanto outros apontaram limitações de memória e erros em suas transmissões.
Vida
Ácime ibne Badala nasceu em Cufa durante o reinado do califa e passou a vida nessa cidade. Seu nome completo era Abu Becre Ácime ibne Abi Anajude Badala Alaçadi Alcufi. Era maula dos , um ramo dos açaditas, razão pela qual era conhecido pelas nisbas Alaçadi e Alcufi. Algumas fontes afirmam que Badala seria o nome de sua mãe e que seu pai se chamaria Abede ou Abedalá, embora Adaabi tenha rejeitado essa versão. Ácime era cego, mas não se sabe quando perdeu a visão; o fato de ter sido conhecido na juventude como ḥannāṭ, termo relacionado segundo as fontes ao comércio de trigo ou à preparação dos mortos com medicamentos e perfumes, indica que provavelmente não nasceu cego. Ácime encontrou ainda jovem e , que haviam conhecido Maomé, circunstância pela qual foi incluído entre os tabis. Dedicou-se sobretudo às leituras do Alcorão, embora também transmitisse hádices. Entre aqueles dos quais recebeu tradições estavam , , e . Entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade estiveram Atá ibne Abi Rabá, , , Abu Anre ibne Alalá, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina e . Ácime morreu provavelmente em Cufa no final de 127 A.H. (745). Também se afirmou que morreu na Síria e são transmitidos como alternativas os anos de 120 (737–738), 128 (745–746) e 129 A.H. (746–747). A Encyclopaedia of Islam situa igualmente sua morte em 127 ou no início de 128 A.H.
Leitura do Alcorão
Ácime destacou-se principalmente como recitador e mestre das leituras do Alcorão, sendo posteriormente reconhecido como um dos sete imames das leituras canônicas. Era conhecido pela qualidade de sua voz e de sua recitação. Estudou com Abu Abederramão Açulami, que havia sido encarregado de ensinar o Alcorão de acordo com o códice oficial enviado a Cufa durante o califado de Otomão . Por intermédio dele, Ácime recebeu a leitura atribuída a Ali ibne Abi Talibe. De Zirre ibne Hubaixe, por sua vez, recebeu a tradição de leitura atribuída a Abedalá ibne Maçude. Após a morte de Abu Abederramão Açulami, sucedeu-lhe como um dos principais mestres de recitação em Cufa. Numerosos estudantes reuniram-se em torno de Ácime para aprender a recitação. Entre eles estiveram , Abu Becre Xuba ibne Aiaxe, Alamaxe, , Abu Anre ibne Alalá e . Também se afirma que Abu Hanifa estudou com ele as leituras do Alcorão. Segundo uma tradição transmitida pelo próprio Ácime, ensinou a Háfece a leitura que havia recebido de Abu Abederramão Açulami, enquanto transmitiu a Abu Becre Xuba ibne Aiaxe aquela que recebera de Zirre ibne Hubaixe. Esses dois discípulos tornaram-se os principais transmissores de sua leitura, e as tradições de ambos foram posteriormente privilegiadas por no Kitāb al-Sabʿa e pelas obras dedicadas às sete e às dez leituras canônicas.
A difusão da leitura de Ácime não foi imediata. Segundo Ibne Mujaíde, ela inicialmente não gozava de grande preferência entre os habitantes de Cufa, onde a leitura de Hâmeza ibne Habibe Azaiate teria alcançado maior circulação. , porém, sustentou posteriormente que os cufanos haviam adotado a leitura de Ácime e continuavam a segui-la em sua própria época. Sua difusão aumentou sobretudo através da transmissão de Háfece, ultrapassando posteriormente os limites de Cufa e do Oriente Médio. No , a transmissão de Háfece da leitura de Ácime havia se tornado a forma de recitação utilizada pela grande maioria dos muçulmanos.
A Encyclopaedia of Islam destaca igualmente a posição de Ácime entre os sete leitores cujos sistemas adquiriram estatuto canônico e atribui particular importância à transmissão de Hafes para a posterior predominância de sua leitura. Por meio desse discípulo, o sistema de pontuação e vocalização associado à leitura de Ácime tornou-se a forma predominante do texto corânico no mundo islâmico. Sua tradição de leitura caracterizava-se também pela relativa simplicidade e pela ausência, com poucas exceções, de formas de recitação consideradas difíceis para falantes não árabes, fator apontado como uma das razões de sua ampla difusão posterior. Ácime também participou de questões relacionadas à divisão do texto corânico. Não considerava certas combinações de letras isoladas presentes no início de algumas suras, como Ṭā Hā, Kāf Hā Yā ʿAyn Ṣād, Ḥā Mīm e Alif Lām Mīm, como versículos independentes. Essa posição é mencionada entre os fatores que contribuíram para as particularidades da tradição cufana na determinação do número de versículos do Alcorão.
Hádice
Embora a autoridade de Ácime no campo das leituras do Alcorão fosse amplamente reconhecida, sua posição como transmissor de hádices recebeu avaliações mais variadas. Amade ibne Hambal e Abu Zura Arrazi consideravam-no confiável, enquanto Abu Hatim Arrazi o classificou como ṣadūq. Outros críticos observaram que sua memória para o hádice era limitada e que, apesar de sua confiabilidade pessoal, cometia erros com relativa frequência nesse campo. Suas tradições foram, ainda assim, incorporadas às seis principais coleções canônicas de hádice, embora Albucari e Muslim as tenham utilizado como transmissões corroborativas. A Encyclopaedia of Islam também distingue sua posição excepcional nas leituras corânicas de sua participação mais limitada na transmissão de hádices, salientando que sua reputação se baseava sobretudo em sua condição de qāriʾ e mestre de qirāʾa. Ácime possuía, contudo, numerosos discípulos e transmissores, e sua posição entre os grandes mestres cufanos permitiu que tanto suas tradições corânicas quanto seus hádices circulassem entre importantes estudiosos das gerações seguintes.
Bibliografia
Categoria:Pessoas cegas Categoria:Açaditas Categoria:Naturais de Cufa Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Pessoas do Califado Omíada