A Expedição aos Nadiritas ou Gázua aos Nadiritas () foi uma expedição liderada por Maomé contra os nadiritas, uma das principais tribos judaicas estabelecidas nas proximidades de Medina, em Rabi Aluala de 4 A.H. (agosto de 625). O episódio ocorreu num contexto de deterioração das relações entre os nadiritas e os muçulmanos após a Batalha de Badre e a Batalha de Uude. As fontes apresentam tradições diferentes sobre o acontecimento que precipitou a expedição, mas ambas relatam uma tentativa dos nadiritas de matar Maomé, após a qual ele determinou que deixassem Medina no prazo de dez dias.
Embora inicialmente se preparassem para partir, os nadiritas decidiram resistir depois de receberem uma promessa de auxílio de Abedalá ibne Ubai. Maomé então cercou suas posições durante quinze dias, sem que chegasse o apoio esperado pelos sitiados. Os nadiritas acabaram aceitando deixar Medina, levando os bens que pudessem transportar, e parte deles estabeleceu-se posteriormente em Caibar. Suas propriedades deixadas em Medina foram consideradas fai e atribuídas a Maomé, enquanto alguns dos exilados participaram mais tarde da formação da coalizão que combateu os muçulmanos na Batalha da Trincheira.
Antecedentes
Os nadiritas eram uma das três principais tribos judaicas estabelecidas nas proximidades de Medina, juntamente com os curaizaítas e os cainucaítas. Antes da Hégira, haviam participado da Batalha de Buate ao lado dos curaizaítas e dos aucitas, contra os cazerajitas, que eram apoiados pelos cainucaítas. Após a chegada de Maomé a Medina, os nadiritas participaram da chamada Constituição de Medina como aliados dos aucitas e habitavam a periferia da cidade, nas proximidades do cemitério dos hatemaítas. Após a Batalha de Badre e a expulsão dos cainucaítas de Medina, as relações entre os nadiritas e Maomé se deterioraram. A morte do poeta nadirita Cabe ibne Alaxerafe, que se opunha a Maomé, contribuiu para aumentar a tensão entre as partes, embora um novo acordo tenha sido estabelecido posteriormente. Durante os preparativos para a Batalha de Uude, os nadiritas forneceram a Abu Sufiane informações sobre os muçulmanos e, após a batalha, passaram a demonstrar maior disposição para romper o acordo com Maomé.
Expedição
As fontes apresentam duas tradições distintas para o episódio que levou à expulsão dos nadiritas. Segundo uma delas, após o Incidente de Bir Mauna, ocorrida em Sáfar de 4 A.H. (julho de 625), Anre ibne Omaia Adameri, um dos sobreviventes, matou durante seu retorno a Medina dois homens dos amiritas que confundiu com integrantes do grupo responsável pelo ataque. Como os mortos mantinham um acordo com Maomé, este dirigiu-se com alguns companheiros aos nadiritas e solicitou que contribuíssem para o pagamento do preço de sangue, conforme o acordo existente entre eles. Enquanto aguardava junto a um muro, os nadiritas teriam planejado matá-lo fazendo cair sobre ele uma grande pedra. Segundo outra tradição, os coraixitas teriam proposto aos nadiritas que matassem Maomé. Estes então o convidaram a comparecer acompanhado de três homens para discutir com três rabinos a respeito do Islã, mas teriam preparado em seu lugar um grupo encarregado de assassiná-lo.
Em ambas as versões, Maomé tomou conhecimento da tentativa e enviou aos nadiritas uma ordem para que deixassem Medina no prazo de dez dias, sob pena de morte para aqueles que permanecessem depois desse período. Inicialmente, prepararam sua partida, mas Abedalá ibne Ubai prometeu apoiá-los com dois mil homens e afirmou que também receberiam auxílio dos curaizaítas e dos gatafanitas. Diante dessa promessa, os nadiritas decidiram permanecer em suas posições e resistir. Maomé concluiu seus preparativos em Rabi Aluala de 4 A.H. (agosto de 625) e inicialmente dirigiu-se aos curaizaítas, com os quais estabeleceu um acordo de neutralidade. Em seguida, cercou os nadiritas em suas posições. O cerco prolongou-se por quinze dias e o auxílio esperado pelos sitiados não chegou. Diante dessa situação, os nadiritas solicitaram permissão para deixar Medina levando os bens que pudessem transportar em seus camelos, condição que foi aceita.
Desdobramentos
Após o acordo, parte dos nadiritas deixou Medina transportando seus bens em cerca de 600 camelos e dirigiu-se à Síria e a Adriate, enquanto um grupo menor estabeleceu-se em Caibar. As propriedades deixadas em Medina foram posteriormente consideradas fai e atribuídas a Maomé, conforme os versículos 6–10 da sura al-Ḥashr, também conhecida como Surata dos Nadiritas. Parte desses bens foi destinada às despesas pessoais e familiares de Maomé, parte a finalidades militares e parte foi distribuída entre pessoas por ele escolhidas. Entre os bens deixados pelos nadiritas encontravam-se cinquenta armaduras, cinquenta capacetes e 340 espadas. Alguns dos nadiritas que se estabeleceram em Caibar participaram posteriormente da formação da coalizão que combateu os muçulmanos na Batalha da Trincheira. Em 7 A.H. (628), Maomé realizou uma expedição contra Caibar e, após a capitulação de seus habitantes, permitiu que permanecessem cultivando as antigas propriedades mediante a entrega de parte da produção.
Bibliografia
Categoria:625 Categoria:Nadiritas Categoria:Expedições lideradas por Maomé