Aldo Nelson Bona (Foz do Iguaçu) é um professor universitário, historiador e gestor público brasileiro. É Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) desde 2023 e professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), instituição na qual também exerceu os cargos de vice-reitor e reitor.

Formação Bona é graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluída em 1992. Obteve o mestrado em Educação pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concluído em 1997, e o doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), concluído em 2010, com tese sobre Paul Ricoeur e a epistemologia da história centrada no sujeito.

Carreira acadêmica Iniciou a carreira docente em 1993, ano em que também ingressou no quadro da Unicentro, atuando no Departamento de História, no campus de Irati. É professor adjunto/associado da instituição, com atuação voltada aos fundamentos filosóficos da educação e à história e filosofia da ciência, com pesquisas nas áreas de educação, filosofia, epistemologia e teoria da história.

Ao longo da carreira na Unicentro, ocupou os cargos de pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (1998–2000), diretor do campus de Irati (1999–2004), vice-reitor (2003–2012) e reitor (2012–2018).

É autor de livros e artigos científicos nas áreas de educação e história, entre eles a obra História, verdade e ética: Paul Ricoeur e a epistemologia da história (2012), e orientou dissertações de mestrado e monografias de especialização em gestão educacional entre 2011 e 2016.

Atuação institucional e associativa Presidiu a Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Públicas (Apiesp) entre 2012 e 2014 e a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) entre 2016 e 2018. Também atuou como consultor do Instituto Internacional da UNESCO para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (IESALC) até dezembro de 2021.

Atuação no governo do Paraná Ingressou na gestão pública estadual em 2019, como superintendente-geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, cargo que ocupou até 2022. Em janeiro de 2023, assumiu a titularidade da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). Também exerce a diretoria regional Sul do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti).

Durante o período em que Bona esteve à frente da área de ciência, tecnologia e ensino superior do governo paranaense, o estado obteve reconhecimentos em rankings e premiações nacionais e internacionais relacionados a inovação e competitividade, como o 3º lugar entre os estados brasileiros no Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), elaborado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e a manutenção da 3ª colocação no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que inclui a inovação entre os pilares avaliados. No mesmo período, o orçamento das sete universidades estaduais do Paraná cresceu de forma expressiva, atingindo um recorde histórico de R$ 3,6 bilhões em 2025, o equivalente a um crescimento acumulado de 38,7% desde 2019.

Lei Geral das Universidades (LGU) Bona foi um dos principais formuladores da Lei Geral das Universidades (LGU), proposta elaborada pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sob sua liderança, com o objetivo declarado de estabelecer parâmetros uniformes de financiamento e de gestão de pessoal para as sete universidades estaduais do Paraná. O projeto foi apresentado em versões sucessivas a partir de 2019 e sancionado como a Lei nº 20.933, em 17 de dezembro de 2021.

A lei instituiu fórmulas de cálculo (como o "aluno-equivalente") para a distribuição de recursos entre as instituições e estabeleceu critérios para a reposição de quadros de pessoal, entre eles a realização escalonada de concursos públicos para preenchimento de vagas docentes. Segundo o governo do estado, a medida permitiu a retomada de concursos públicos em universidades que estavam havia anos sem realizar novas seleções para o quadro efetivo, como ocorreu, por exemplo, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que abriu concurso para professores efetivos após nove anos sem realizar esse tipo de seleção. A lei também previu autonomia das universidades para decidir a alocação de vagas de reposição de pessoal dentro dos parâmetros estabelecidos, sem necessidade de autorização caso a caso do governo estadual para cada contratação.

A LGU foi objeto de controvérsia entre parte da comunidade universitária paranaense. Sindicatos docentes, entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e seis das sete universidades estaduais se manifestaram contrárias ao anteprojeto ainda em 2019, e a lei sancionada em 2021 foi alvo de ações diretas de inconstitucionalidade movidas por partidos de oposição na Assembleia Legislativa, sob o argumento de que dispositivos da norma feririam a autonomia universitária prevista na Constituição. Em maio de 2025, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná julgou parcialmente procedente a ação, declarando inconstitucionais alguns artigos da lei — relacionados ao escalonamento de concursos públicos, ao limite de docentes em regime de dedicação exclusiva e à carga horária mínima de professores temporários —, por entender que feriam a autonomia das universidades estaduais.

A decisão foi classificada pelas próprias entidades docentes que moveram a ação como uma "vitória parcial", já que a maior parte dos dispositivos da lei, incluindo os critérios objetivos de distribuição orçamentária entre as universidades (como a fórmula do aluno-equivalente), foi mantida pelo tribunal, que não considerou inconstitucional, em si, a adoção de parâmetros objetivos para financiamento e alocação de pessoal.

Reconhecimentos Em dezembro de 2015, foi condecorado pelo Governo do Estado do Paraná com a Ordem do Pinheiro.

Em abril de 2026, recebeu da Câmara Municipal de Guarapuava o título de cidadão honorário do município, aprovado por unanimidade pelos vereadores, em homenagem à sua trajetória acadêmica e de gestão pública.

Referências

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