Juairia binte Alharite (; ca. – Medina, ) foi uma das esposas de Maomé e uma das "mães dos crentes". Filha de Alharite ibne Abi Dirar, chefe dos mustaliquitas, ramo dos cuzaaítas, foi capturada após a derrota de sua tribo na Expedição de Almuraici, em 5 A.H. (626–627), e posteriormente libertada e desposada por Maomé. Seu casamento levou os muçulmanos a libertarem outros cativos mustaliquitas e contribuiu para a aproximação da tribo ao Islã. Conhecida por sua dedicação religiosa, transmitiu sete hádices atribuídos a Maomé. Morreu em Medina em 56 A.H. (676), embora outra tradição situe sua morte em 50 A.H. (670).
Biografia
Juairia nasceu por volta de 607 e era filha de Alharite ibne Abi Dirar, chefe dos mustaliquitas, ramo dos cuzaaítas. Antes de seu casamento com Maomé, era casada com um primo paterno. Seu nome original era Barra, termo que possui o sentido de "virtuosa" ou "mulher piedosa". Posteriormente, Maomé, que desaprovava nomes que pudessem ser entendidos como uma forma de autoelogio, mudou seu nome para Juairia. Em 5 A.H. (626–627), os mustaliquitas prepararam-se para combater os muçulmanos, levando Maomé a organizar uma campanha contra a tribo, que terminou com sua derrota na Expedição de Almuraici. Centenas de mustaliquitas foram feitos prisioneiros e levados a Medina, onde foram distribuídos entre os participantes da expedição. O marido de Juairia morreu durante o confronto, e ela, então com cerca de vinte anos, foi capturada e coube a Tábite ibne Caice ou a um primo deste. Juairia acordou com Tábite o pagamento necessário para obter sua liberdade e dirigiu-se a Maomé, apresentou-se e solicitou sua ajuda para quitar a quantia. Maomé pagou o valor e propôs-lhe casamento, proposta que ela aceitou, tornando-se uma das esposas de Maomé e, consequentemente, uma das "mães dos crentes".
As fontes preservam outra versão das circunstâncias de sua libertação e casamento, atribuída à própria Juairia. Segundo esse relato, seu pai, Alharite, dirigiu-se a Medina para resgatá-la e, depois de pagar o resgate, entregou-a em casamento a Maomé. Uma tradição transmitida por um liberto de Juairia igualmente apresenta seu pai como responsável por seu resgate e subsequente casamento. O casamento teve consequências para os demais prisioneiros mustaliquitas. Ao saberem que Maomé havia se casado com Juairia, os muçulmanos libertaram os cativos pertencentes à tribo por considerá-los agora parentes por afinidade de Maomé. Segundo Savaş, o casamento contribuiu para pôr fim à hostilidade entre os mustaliquitas e os muçulmanos e aproximou a tribo do Islã, sendo seguido pela conversão dos mustaliquitas. Juairia era conhecida por sua dedicação às práticas religiosas, característica mencionada por Aixa. Transmitiu sete hádices atribuídos a Maomé, dos quais um foi incluído no Sahih al-Bukhari e outro no Sahih Muslim. Entre aqueles que transmitiram tradições de sua autoridade encontravam-se Abedalá ibne Abas, Jabir ibne Abedalá, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe e Mujaíde ibne Jabre. Juairia morreu em Medina em Rabi Alaual de 56 A.H. (fevereiro de 676). Outra tradição situa sua morte em 50 A.H. (670).
Bibliografia
Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Esposas de Maomé Categoria:Mustaliquitas