Fatherland (no Brasil: A Terra do Meu Pai e ) é um longa-metragem biográfico dirigido pelo cineasta Paweł Pawlikowski e co-escrito com Hendrik Handloegten. Estrelado por Sandra Hüller e Hanns Zischler como Erika e Thomas Mann, respectivamente, a narrativa apresenta uma viagem de carro entre pai e filha pela Alemanha em 1949, alguns anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a queda do Terceiro Reich e retorno de Thomas após o exílio nos Estados Unidos. Coproduzido internacionalmente entre a Polônia, Alemanha, Itália e França, a obra é o terceiro filme da trilogia de filmes históricos de Pawlikowski, após Ida (2013) e Zimna wojna (2018).

Estreado na competição principal do 79º Festival de Cannes em 14 de maio de 2026, o filme rendeu a Pawlikowski o prêmio de Melhor Diretor, além de ter sido amplamente aclamada pela crítica, com destaques a direção, a cinematografia e as atuações.

Distribuído pela Kino Świat, chegou aos cinemas na Polônia em 19 de junho de 2026. No Brasil, o filme foi exibido na 50º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e chegou aos cinemas distribuído pela Mubi em parceria com a Imovision em 29 de outubro do mesmo ano.

Enredo Em 1949, após dezesseis anos de exílio nos Estados Unidos, o escritor alemão e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1929, Thomas Mann (Hanns Zischler), retorna à Alemanha acompanhado de sua filha Erika Mann (Sandra Hüller), atriz, escritora e pilota de rali. Os dois atravessam de carro um país devastado pela Segunda Guerra Mundial e dividido entre as zonas de ocupação ocidental e soviética, viajando de Frankfurt, sob controle estadunidense, até Weimar, na Alemanha Oriental. Durante a jornada, Thomas é recebido como uma importante figura cultural tanto no Ocidente quanto no Oriente, mas sua volta também o confronta com as consequências de seu exílio e com as diferentes formas como a nova Alemanha tenta lidar com o passado nazista. Erika, por sua vez, permanece profundamente preocupada com seu irmão Klaus Mann (August Diehl), cuja vida pessoal e posição política se encontram em conflito com a de seu pai. À medida que pai e filha percorrem o país, as tensões familiares se misturam às divisões políticas e morais de uma Alemanha em reconstrução, levando Thomas a confrontar as fraturas de sua própria família e as questões de identidade, culpa e pertencimento deixadas pelo exílio.

Elenco

Produção

Desenvolvimento

O diretor Paweł Pawlikowski recebeu The Magician, romance biográfico de Colm Tóibín sobre Thomas Mann, de Mario Gianani e Lorenzo Mieli, da Our Films, mas recusou a oportunidade de adaptar o livro para o cinema. Em vez disso, inspirado por um episódio específico — o retorno de Mann à Alemanha em 1949 —, decidiu reimaginar o acontecimento, coescrevendo o roteiro com Hendrik Handloegten. Pawlikowski considera o filme a parte final de sua trilogia de filmes históricos, seguindo Ida (2013) e Cold War (2018), embora, ao contrário dos outros dois, não possua conteúdo emocional e se concentre em sua interpretação puramente intelectual. Mais tarde, ele descreveu o filme como "a coisa que desenvolvi mais rapidamente em toda a minha carreira".

O filme marca o primeiro projeto realizado no âmbito de um acordo de coprodução, financiamento e distribuição com duração de três anos entre a Mubi e a Our Films. Em junho de 2025, a Arte France Cinéma foi anunciada como coprodutora do filme. A Canal+ Poland também atuou como coprodutora. Os produtores são Mario Gianani, Lorenzo Mieli, Ewa Puszczyńska, Jeanne Tremsal, Edward Berger, Lorenzo Gangarossa e Dimitri Rassam.

Em fevereiro de 2025, o filme recebeu um investimento de €200.000 do fundo de cinema Hessen. Mais tarde naquele ano, recebeu um subsídio de €1,42 milhão do Polish Film Institute e €150.000 da Eurimages. O filme também recebeu financiamento do Ministério da Cultura e do Patrimônio Nacional da Polônia, do Medienboard Berlin-Brandenburg e do Mitteldeutsche Medienförderung.

Elenco Sandra Hüller, Hanns Zischler, August Diehl, Anna Madeley, Devid Striesow e Theo Trebs foram anunciados como integrantes do elenco em 19 de agosto de 2025. Em novembro de 2025, Joanna Kulig anunciou que havia participado do filme, marcando sua quarta colaboração com Pawlikowski.

Filmagens

Łukasz Żal atuou como diretor de fotografia do filme, tendo anteriormente trabalhado na fotografia dos filmes de Pawlikowski Ida (2013) e Cold War (2018). Assim como em Ida e Cold War, o filme foi rodado em preto e branco. As filmagens também foram realizadas majoritariamente em ordem cronológica, pois a produtora Ewa Puszczyńska afirmou que "era muito importante [para o] elenco entrar na atuação, na jornada, na viagem".

Embora o filme se passe na Alemanha, a equipe de produção optou por rodá-lo principalmente na Polônia devido a restrições orçamentárias. Como Pawlikowski prefere não filmar em estúdios, ele procurou locações extensivamente por todo o país, enquanto cenários foram construídos para se adequarem às áreas ao redor. Puszczyńska afirmou: "Não havia nenhuma locação em que [fosse apenas] chegar e filmar. Construíamos o cenário na rua para combinar com os edifícios existentes."

As gravações começaram no distrito de Kartuzy, em Legnica, em 13 de agosto de 2025. Mais tarde naquele mês, as filmagens foram transferidas para Bielsko-Biała e Cieszyn. No início de setembro, as filmagens ocorreram brevemente em Varsóvia, antes de retornarem a Legnica. Em 30 de setembro, as filmagens ocorreram em Weimar, especificamente no Deutsches Nationaltheater und Staatskapelle Weimar e Goethes Gartenhaus na Park an der Ilm. No início de outubro, as filmagens começaram no em Wrocław. Mais tarde naquele mês, as filmagens ocorreram na Igreja do Salvador em Wałbrzych. As locações também incluíram Pieńsk, Goszcz, Bielawa e o Castelo de Kliczków. As filmagens foram concluídas em meados de dezembro de 2025, após 38 dias de gravações.

Para recriar a residência de Thomas Mann. os diretores de arte Marcel Sławiński e Katarzyna Sobańska visitaram o próprio local e estudaram plantas, fotografias e imagens de vídeo da residência. Móveis e objetos de cena foram obtidos na Alemanha para garantir autenticidade. Pawlikowski também queria que a villa fosse repleta de livros e obras de arte para enfatizar "a quintessência do mundo de [Mann]: cultura, literatura, música".

A figurinista Aleksandra Staszko, que já havia trabalhado com Pawlikowski em Ida e Cold War, recriou a moda dos anos 1940 para o filme, tendo de enfatizar as diferenças de estilo entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, além dos Estados Unidos. Enquanto os figurinos dos personagens principais foram feitos sob medida, os figurinos dos figurantes foram obtidos em depósitos de Berlim, Łódź e Varsóvia.

Lançamento A The Match Factory detém os direitos de vendas internacionais do filme, que foi apresentado no European Film Market em fevereiro de 2026. Kino Świat distribuirá o filme na Polônia, enquanto Mubi distribuirá o filme na América do Norte, América Latina, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria, Benelux, Itália, Espanha, Turquia, Austrália, Nova Zelândia e Índia. O filme também será lançado pela Pathé na França, pela Neue Visionen na Alemanha e pela Polyfilm na Áustria. A Mubi ainda firmou um acordo para que a Madman Entertainment distribuísse o filme na Austrália e na Nova Zelândia.

O filme teve sua estreia mundial na competição principal do 79º Festival de Cannes em 14 de maio de 2026, onde concorreu à Palma de Ouro. Antes de sua estreia, a Mubi divulgou um primeiro teaser do filme. Durante a temporada de festivais, o longa foi exibido no 73º Festival de Cinema de Sydney em junho de 2026, onde integrou a Competição Oficial; abriu o 32º Festival de Cinema de Sarajevo em 14 de agosto de 2026; estreou na América do Norte no 53º Festival de Cinema de Telluride; foi selecionado para exibições no 74º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián em setembro de 2026; integrou a Mostra Principal do Festival de Cinema de Nova York de 2026; participou do Festival de Cinema de Adelaide em 18 de outubro de 2026; e por fim, foi exibido na 50º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

No final de maio de 2026, após sua estreia em Cannes, o filme foi adquirido para distribuição pela Nonstop Entertainment na Escandinávia, Spentzos Film na Grécia, GAGA no Japão, Challan na Coreia do Sul, Andrews Film em Taiwan, Lev Cinemas em Israel, Cinelibri na Bulgária, MegaCom Film na antiga Iugoslávia, Vertigo Média na Hungria, Zero Gravity na República Tcheca e na Eslováquia, Arthouse Traffic na Ucrânia, Gulf Film no Oriente Médio e Norte da África, Nitrato em Portugal, Edko Films em Hong Kong, Transilvania Film na Romênia e Kino Pavasaris nos países bálticos.

O primeiro trailer foi lançado em 28 de maio de 2026. Por sua vez, em 15 de junho de 2026, teve sua sessão de estreia no Palácio da Cultura e Ciência em Varsóvia, foi lançado nos cinemas da Polônia em 19 de junho de 2026, e na Alemanha em 3 de setembro, na Itália em 16 de outubro, na França em 2 de dezembro, na Austrália a partir de 12 de novembro de 2026, e na Turquia em 6 de setembro de 2026, como parte do Mubi Fest. No Brasil, foi lançado em 29 de outubro pela Mubi em parceria com a distribuidora brasileira Imovision.

Recepção direita|miniaturadaimagem|Paweł Pawlikowski recebeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2026.

Recepção da crítica O Metacritic, que utiliza uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 90 de 100, com base em 20 críticos, indicando "aclamação universal".

Em sua crítica de cinco estrelas, Peter Bradshaw do The Guardian considerou o filme "uma vinheta histórica de elegância e equilíbrio quase impossíveis". Kevin Maher do The Times também concedeu ao filme cinco estrelas, descrevendo-o como "pequeno, mas perfeitamente construído, repleto de mais ideias e carregado de mais sofrimento do que a maioria dos longos épicos de arte". Robbie Collin do The Daily Telegraph atribuiu ao filme quatro estrelas de cinco, classificando-o como "perspicaz, rigoroso, contundente e fascinante". Ele destacou especialmente o trabalho de direção de Pawlikowski e a fotografia de Żal, que considerou "impecáveis".

Atribuindo ao filme a nota B, Ryan Lattanzio da IndieWire escreveu que o objetivo final da viagem não chega a ficar completamente claro na tela, deixando lacunas e elementos ausentes que podem levar o espectador a buscar mais informações sobre a história da Europa no pós-guerra. Brian Tallerico do RogerEbert.com compartilhou essa percepção, observando que não há respostas fáceis em Fatherland, o que torna a narrativa um pouco menos satisfatória, mas também permite que o filme permaneça na mente dos espectadores por mais tempo do que uma obra construída em torno de conclusões mais definitivas.

As atuações do elenco foram elogiadas pela crítica. Leslie Felperin, do The Hollywood Reporter, considerou as interpretações de Hüller e Zischler "impecáveis", enquanto Owen Gleiberman, da Variety, classificou-as como "perfeitamente adequadas aos papéis". A direção artística do filme também recebeu elogios. Stephanie Bunbury, da Deadline, classificou a obra como "uma aula magistral de disciplina artística", enquanto Marc van de Klashorst, da International Cinephile Society, afirmou que o trabalho de composição visual de Pawlikowski é excepcional, especialmente nas imagens nítidas criadas por seu frequente diretor de fotografia, Łukasz Żal.

Prêmios e indicações PrêmioData da cerimôniaCategoriaDestinatário(s)ResultadoFestival de Cannes23 de maio de 2026Palme d'OrPaweł Pawlikowski Melhor Diretor Festival de Cinema de Sydney14 de junho de 2026Sydney Film Prize

Notas

Referências

Ligações externas

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