João José Pedreira de Castro, conhecido como Frei João José Pedreira de Castro (Petrópolis, 26 de junho de 1896 – Tremembé, 30 de maio de 1962), foi um sacerdote católico brasileiro pertencente à Ordem dos Frades Menores (OFM), professor de Ciências Bíblicas, escritor, tradutor e divulgador dos estudos bíblicos entre os católicos brasileiros. Foi professor de Ciências Bíblicas durante aproximadamente 25 anos em Petrópolis, fundou o Centro Bíblico de São Paulo e esteve envolvido na preparação da Bíblia Ave Maria, publicada em 1959.
Frei João José também promoveu cursos, conferências e as chamadas "Semanas Bíblicas", destinadas à divulgação do conhecimento das Escrituras entre os católicos brasileiros. Em 1961, durante um congresso nacional de Bíblia realizado no Rio Grande do Sul, foi homenageado com o título de "Pioneiro do atual Movimento Bíblico no Brasil".
Biografia
Infância e família
João José Pedreira de Castro nasceu em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1896, recebendo no batismo o nome de João Maria. Era filho de Jerônimo de Castro Abreu Magalhães e Elisa de Bulhões Pedreira Magalhães, conhecida como Dona Zélia.
Segundo a documentação biográfica posteriormente publicada sobre o religioso, João José era o filho caçula da família. Sua formação religiosa ocorreu em um ambiente marcado pela prática do catolicismo. Ainda jovem, manifestou interesse pela vida sacerdotal.
Formação religiosa
Entre 1910 e 1912, João Maria estudou na Escola Apostólica dos Padres Jesuítas, em Itu, no estado de São Paulo. Em abril de 1913, ingressou no Colégio Seráfico da Província Franciscana, então localizado em Blumenau.
Em 17 de janeiro de 1914 recebeu o hábito franciscano em Rodeio, tendo como mestre Frei Policarpo Schuhen. Em 17 de janeiro de 1915 emitiu os votos simples e, em 17 de janeiro de 1918, os votos solenes.
Prosseguiu seus estudos filosóficos em Curitiba. Em fevereiro de 1918 recebeu as ordens menores e o subdiaconato. Posteriormente voltou a Petrópolis para realizar os estudos teológicos. Em 26 de outubro de 1918 recebeu o diaconato das mãos de Dom Agostinho Francisco Benassi, então bispo de Niterói.
Foi ordenado sacerdote em Petrópolis em 18 de abril de 1920, com dispensa de cinco meses da idade canônica.
Estudos bíblicos na Europa
Em razão de suas aptidões intelectuais e de seu interesse pelas Escrituras, Frei João José foi enviado à Europa para estudar Ciências Bíblicas. Permaneceu em Roma entre 1.º de outubro de 1920 e 1.º de agosto de 1921. Em seguida, transferiu-se para Munique, na Alemanha, onde continuou seus estudos até julho de 1924.
Em Munique foi aluno de Goetzberger, cuja influência intelectual permaneceu importante em sua formação posterior. Segundo Constantino Koser, Frei João José não concluiu esses estudos com a obtenção de um grau acadêmico. Durante esse período também foi diagnosticado com diabetes, considerada grave pelos médicos.
Depois de interromper os estudos, passou por Garnstock, onde lecionou para alunos franciscanos, e posteriormente foi professor em Rio Negro. Em 1927 voltou a Petrópolis, iniciando o período mais longo de sua carreira como professor de Ciências Bíblicas.
Professor de Ciências Bíblicas
Frei João José permaneceu aproximadamente 25 anos ligado ao ensino de Ciências Bíblicas em Petrópolis. Durante as décadas de 1930 e 1940, ensinou a sucessivas turmas de seminaristas e sacerdotes franciscanos, contribuindo para a formação bíblica do clero.
Segundo a biografia publicada pelos Franciscanos, sua formação incluía o estudo da Bíblia, disciplinas auxiliares e as línguas bíblicas. A mesma fonte destaca sua memória e sua capacidade de trabalhar diretamente com o texto das Escrituras.
A encíclica Divino Afflante Spiritu, publicada pelo papa Pio XII em 1943, representou, segundo o relato de Frei Constantino Koser, um momento de renovação do interesse de Frei João José pela pesquisa bíblica.
Apesar de sua atividade acadêmica, Frei João José dedicou parte significativa de seu tempo ao apostolado pastoral. Segundo Koser, essa atuação contribuiu para que se afastasse progressivamente da pesquisa exegética especializada e se concentrasse na divulgação e no ensino das Escrituras para um público mais amplo.
Apostolado bíblico
Desde seu retorno a Petrópolis, Frei João José desenvolveu diversas iniciativas pastorais destinadas à formação religiosa dos fiéis. Pregava retiros, ministrava conferências e utilizava frequentemente a Bíblia como base de sua pregação.
Em 1951 foi transferido para São Paulo. A mudança encerrou sua longa atividade docente em Petrópolis e abriu uma nova fase de seu apostolado, dedicada especialmente à divulgação da Bíblia.
Em 1956 fundou em São Paulo o Centro Bíblico e criou um curso de Sagrada Escritura por correspondência. A iniciativa procurava oferecer formação bíblica a católicos que não tinham acesso aos cursos especializados dos seminários e instituições teológicas.
O interesse de Frei João José pela educação bíblica popular também aparece em texto de sua autoria publicado em 1953, no qual defendia a necessidade de proporcionar aos católicos meios para estudar as Escrituras de acordo com suas possibilidades intelectuais e de tempo.
Semanas Bíblicas
Frei João José participou da difusão das chamadas Semanas Bíblicas no Brasil. Esses eventos consistiam em ciclos de conferências e atividades destinadas à divulgação da Bíblia e à formação religiosa dos participantes.
A atividade foi realizada em diferentes estados brasileiros. Segundo a biografia de Frei Constantino Koser, em janeiro de 1959 Frei João José chegou a realizar 87 conferências bíblicas em 23 dias.
Em julho de 1961, durante um Congresso Nacional de Bíblia realizado no Rio Grande do Sul, foi homenageado como "Pioneiro do atual Movimento Bíblico no Brasil".
Bíblia Ave-Maria
Frei João José participou da preparação da Bíblia Ave Maria, publicada pela Editora Ave-Maria em 1959.
Na década de 1950, a Editora Ave-Maria buscava publicar uma Bíblia em português destinada ao público brasileiro. Em 1957, Frei João José, então diretor do Centro Bíblico Católico de São Paulo e vice-diretor da Liga dos Estudos Bíblicos, tomou conhecimento do projeto e passou a participar de sua execução.
A primeira edição foi publicada em 1959. A versão portuguesa foi produzida com base na tradução francesa dos monges beneditinos da Abadia de Maredsous, na Bélgica. A tradução francesa de Maredsous havia sido elaborada a partir dos textos bíblicos em grego, hebraico e aramaico.
Uma publicidade contemporânea publicada pela revista Ave Maria em 1959 apresentou a obra como uma "nova tradução portuguesa" realizada sob a orientação de Frei João José Pedreira de Castro e informou que a tradução francesa dos monges de Maredsous havia sido feita a partir dos textos grego, hebraico e aramaico.
Registros bibliográficos posteriores da Editora Ave-Maria identificam a obra como uma tradução portuguesa baseada na versão francesa dos monges de Maredsous, por sua vez baseada nos textos grego, hebraico e aramaico, com revisão atribuída a Frei João José Pedreira de Castro e à equipe auxiliar da editora.
A Bíblia Ave-Maria permaneceu em catálogo durante décadas e passou por numerosas edições e revisões.
Relações com cristãos de outras tradições
A atividade de Frei João José também esteve relacionada ao diálogo bíblico com cristãos de outras tradições. Textos biográficos publicados posteriormente relatam que, em São Paulo, promoveu encontros com pastores protestantes para discutir temas bíblicos comuns.
Segundo uma biografia posterior, Frei João José teria iniciado em 1957 uma iniciativa de aproximação com pastores protestantes, aos quais se referia como "irmãos separados". A iniciativa teria sido objeto de questionamentos naquele contexto.
O mesmo relato afirma que Frei João José apresentou a iniciativa ao cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta e recebeu autorização para prosseguir com o trabalho. Essa informação é apresentada pela fonte como um relato biográfico posterior.
Essas iniciativas ocorreram antes do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, embora o diálogo e as iniciativas ecumênicas católicas já existissem antes do concílio. O Concílio Vaticano II posteriormente conferiu novo enquadramento e impulso ao compromisso da Igreja Católica com o ecumenismo.
Atividades em Petrópolis
Além de sua atividade como professor e sacerdote, Frei João José esteve envolvido em diferentes iniciativas religiosas e culturais em Petrópolis.
Entre elas esteve sua participação na Congregação Mariana da Anunciação, no Apostolado da Oração e em iniciativas destinadas ao incentivo das vocações sacerdotais. Biografias posteriores também lhe atribuem a criação de um chamado "Teatro Mariano" e a participação na criação de capelas em diferentes bairros de Petrópolis.
Sua atividade na cidade também esteve relacionada ao Trono de Fátima, monumento dedicado a Nossa Senhora de Fátima.
Trono de Fátima
Frei João José esteve ligado à idealização e à construção do Trono de Fátima, localizado em Petrópolis. O projeto surgiu no contexto da devoção a Nossa Senhora de Fátima e mobilizou doações, festas religiosas e romarias.
Segundo a documentação reunida sobre o monumento, Frei João José procurou o engenheiro Heitor da Silva Costa, conhecido pela participação na construção do Cristo Redentor, para desenvolver o projeto arquitetônico.
A primeira pedra foi lançada em 12 de maio de 1946. O monumento foi concebido com sete colunas, associadas aos sete dons do Espírito Santo, e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.
A inauguração religiosa do monumento ocorreu em 13 de outubro de 1947, embora as obras e a instalação definitiva de seus elementos tenham continuado posteriormente. A imagem de Nossa Senhora de Fátima destinada ao monumento foi esculpida na Itália e chegou ao Brasil posteriormente.
O Trono de Fátima tornou-se um local de peregrinação católica em Petrópolis. A relação de Frei João José com o monumento é registrada nas fontes biográficas sobre sua atuação pastoral na cidade.
Escritos e traduções
Frei João José dedicou-se também à produção literária e à tradução de obras religiosas. Entre os títulos que lhe são atribuídos em fontes biográficas estão Amém, Amém, Amém, Frei Fabiano de Cristo e Na Intimidade de Jesus.
Também são atribuídas a ele traduções ou trabalhos relacionados a obras como Filotéia, Vida de Jesus no País e Povo de Israel, além de artigos publicados em periódicos católicos, entre eles a Revista Vozes, a Revista Eclesiástica Brasileira e Sponsa Christi.
Em 1953 publicou um texto dedicado ao estudo da Bíblia, no qual defendia a necessidade de ampliar o conhecimento das Escrituras entre os católicos brasileiros. No texto, argumentava que o estudo bíblico poderia ser realizado por diferentes meios e propunha cursos por correspondência como instrumento de formação.
Doença e últimos anos
Frei João José conviveu durante grande parte de sua vida adulta com problemas de saúde. Durante seus estudos na Europa foi diagnosticado com diabetes e, segundo a biografia de Frei Constantino Koser, os médicos chegaram a considerar que ele teria pouco tempo de vida.
Apesar da doença, continuou exercendo atividades de ensino e apostolado. Nos últimos anos de sua vida, sofreu também com problemas de audição, dificuldades de locomoção e perda progressiva da visão.
Em 1958 foi transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo. Em 1961 mudou-se para Tremembé, onde permaneceu até sua morte.
Faleceu em 30 de maio de 1962, em Tremembé, no estado de São Paulo.
Traslado dos restos mortais
Após sua morte, os restos mortais de Frei João José foram inicialmente sepultados em São Paulo. Décadas mais tarde, houve uma mobilização de devotos e antigos membros da Congregação Mariana da Anunciação para que seus restos fossem trasladados para Petrópolis.