Os juxamitas ou Banu Juxame () foram uma tribo árabe pertencente aos hauazinitas, uma grande confederação dos caicitas tradicionalmente vinculada à linhagem de Adenane. Descendiam de Juxame ibne Moáuia ibne Becre ibne Hauazine e integravam, juntamente com os naceritas e os saditas, o agrupamento conhecido como Ujez Hauazine (, ). Dividiam-se em diversos ramos e possuíam águas e territórios em Négede e no Hejaz, alguns deles compartilhados com outras tribos hauazinitas. Na Arábia pré-islâmica, os juxamitas participaram dos conflitos que envolveram os hauazinitas e outras tribos caicitas e tiveram entre seus chefes mais conhecidos e seu filho Duraide ibne Acima, ambos poetas e guerreiros.

Duraide sucedeu ao pai na chefia da tribo e participou de numerosos conflitos tribais. Nos primeiros anos do Islã, grupos juxamitas aparecem nas tradições relacionadas à Expedição de Algaba, enquanto a tribo integrou posteriormente a mobilização dos hauazinitas que culminou na Batalha de Hunaine, em 8 A.H. (630), na qual Duraide morreu. Após as conquistas muçulmanas, grupos juxamitas participaram dos movimentos migratórios das tribos caicitas para outras regiões do mundo islâmico. Nos séculos posteriores, estabeleceram-se no norte da África, onde são documentados na Ifríquia e no Magrebe. No final do , participaram dos conflitos entre forças árabes e os Almóadas e foram posteriormente reassentados pelo califa almóada Abu Iúçufe Iacube Almançor em Tamasna, no Magrebe Ocidental. No , constituíam um dos grupos árabes presentes nessa região, correspondente em grande medida ao atual Marrocos.

Genealogia

250px|thumb|miniatura|Árvore genealógica dos juxamitas

Os juxamitas eram um ramo dos hauazinitas, uma grande confederação tribal dos caicitas tradicionalmente vinculada à linhagem de Adenane. Seu epônimo, Juxame, era filho de Moáuia ibne Becre ibne Hauazine ibne Mançor ibne Icrima ibne Caçafa ibne Caice Ailane ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. Juxame era irmão de Nácer, epônimo dos naceritas. Juntamente com estes e os saditas, os juxamitas integravam o agrupamento denominado Ujez Hauazine (, ), expressão empregada para os ramos da confederação que continuavam a ser designados coletivamente como Hauazine quando grupos como os amiritas e os taquifitas eram considerados separadamente.

As tradições genealógicas dividiam os descendentes de Juxame em diferentes ramos. Entre seus filhos eram mencionados Gazia e Adi, enquanto a filiação de Uçaima era objeto de tradições divergentes. De Gazia descendiam Judaa, Humai, Utaiba e Utuara. Judaa foi pai de Maleque, Alharite e Alcama, enquanto de Utuara descendiam Insane e Alcanabis. Os insanitas constituíam um dos ramos juxamitas individualizados pelas fontes, sendo-lhes atribuídas possessões próprias. Adi foi ancestral de Zamane. Segundo a tradição que fazia de Uçaima filho de Juxame, dele descendiam Cabe e Uqueba; Cabe foi pai de Ganeme e Falije, e de Ganeme descendiam Hadide e Ubaide.

Outra tradição atribuía aos Uçaima origem distinta e considerava-os um grupo posteriormente incorporado aos juxamitas. Segundo essa versão, Juxame teria se casado com Máuia, filha de Cabe ibne Uçaima, da qual nasceram Gazia, Adi e Amir, circunstância que teria levado os Uçaima a serem contados entre os juxamitas. A própria tradição geográfica conservou memória dessa divergência, registrando a alegação de que os Uçaima provinham do Iêmem e constituíam um grupo incorporado aos juxamitas.

Geografia

Os juxamitas possuíam águas e territórios em Négede e no Hejaz. Em Négede, pertencia exclusivamente aos Banu Insane, um dos ramos da tribo, enquanto era atribuída ao conjunto dos juxamitas. Outra de suas águas era . As fontes geográficas situavam ainda , e em terras pertencentes conjuntamente aos juxamitas e aos naceritas. Parte desse território situava-se nas proximidades de , importante acidente geográfico de Négede, junto ao qual se localizava Taslabe. Hudane constituía uma extensa formação elevada orientada aproximadamente de sul a norte; sua extremidade setentrional dominava a planície de , enquanto ao sul se ligava às montanhas das Sarauate e à região de Turaba. Assim, as águas atribuídas aos juxamitas inseriam-se na zona de transição entre as terras altas do Hejaz e as áreas ocidentais de Négede. Os juxamitas também possuíam interesses territoriais no Hejaz. era atribuído principalmente aos naceritas, mas uma pequena parcela pertencia aos uçaimaítas juxamitas.

História

esquerda|300px|miniatura|Reino de Quinda ca. 500 esquerda|300px|miniatura|Dinar do califa almóada Abu Iúçufe Iacube Almançor

Durante o , os hauazinitas estiveram inicialmente sob a influência do Reino de Quinda e, posteriormente, passaram para a esfera de poder dos gatafanitas, chegando a pagar tributo ao chefe abecita Zuair ibne Jadima. Essa situação terminou quando , dos amiritas, matou Zuair durante a . A hostilidade entre hauazinitas e gatafanitas, contudo, prosseguiu. Enquanto alguns conflitos envolveram grande parte das duas confederações, outros opuseram ramos específicos. Depois da Guerra de Dais e Algabra, os fazaraítas combateram, entre outras tribos, os amiritas e os juxamitas. Entre os principais chefes juxamitas no final da Arábia pré-islâmica estava , pai de Duraide ibne Acima. Acima, que também era poeta, comandou os juxamitas na em Nacla durante as Guerras Sacrílegas, em 584, entre os hauazinitas e os coraixitas, e morreu em outro combate em 590. Duraide tornou-se posteriormente chefe dos juxamitas e destacou-se também como porta-voz, poeta e comandante militar da tribo. A tradição atribui-lhe participação em cerca de cem batalhas e incursões, entre elas as Guerras Sacrílegas e a .

Depois das Guerras Sacrílegas e da morte de Acima, os juxamitas envolveram-se no conflito entre os soleimitas, que estavam sob sua proteção, e os quinanaítas. Duraide participou da aliança formada pelos juxamitas com os soleimitas contra os quinanaítas e, durante os combates, foi capturado pelos , um ramo dos quinanaítas, sendo posteriormente libertado. Duraide também aparece nas tradições poéticas relacionadas a Alcança, dos soleimitas. Ainda jovem, a poetisa recebeu dele uma proposta de casamento, mas a rejeitou por considerá-lo demasiado idoso. Apesar da insistência de seu irmão , Alcança manteve sua recusa e compôs versos satíricos ridicularizando Duraide e sua tribo. No plano religioso, os juxamitas figuravam entre os grupos de Ujez Hauazine associados ao culto de Aluzá, cujo santuário se encontrava em Nacla. Ibne Alcalbi inclui expressamente os juxamitas, juntamente com os naceritas e saditas, entre os adoradores da divindade. Os juxamitas aparecem nas tradições relativas aos primeiros anos do Islã também através de , descrito como um homem de prestígio entre os juxamitas. Rifaa chegou a Algaba acompanhado por numerosos membros da tribo e, segundo a tradição transmitida por Ibne Isaque, pretendia mobilizar os caicitas contra Maomé. Este enviou Abedalá ibne Abi Hadrade e outros dois homens para obter informações sobre o grupo. Na subsequente Expedição de Algaba, os três muçulmanos aproximaram-se do acampamento juxamita ao anoitecer. Quando Rifaa se afastou sozinho à procura de um pastor que demorava a regressar, Abedalá emboscou-o e matou-o. Os expedicionários avançaram então sobre o acampamento, e os juxamitas fugiram, abandonando camelos e ovelhas que foram capturados e levados a Medina.

Em Xabã de 7 A.H. (dezembro de 628–janeiro de 629), Maomé enviou Omar à frente de trinta homens contra Ujez Hauazine em Turaba. Albaladuri enumera entre os grupos visados os juxamitas, os naceritas, os saditas e os taquifitas. Avisados da aproximação da força muçulmana, eles abandonaram o local, e Omar regressou sem que ocorresse combate. Os juxamitas participaram posteriormente da mobilização dos hauazinitas que precedeu a Batalha de Hunaine, em 8 A.H. (630). Ao receber a informação de que hauazinitas, taquifitas, naceritas e juxamitas estavam concentrando forças, Maomé enviou Abedalá ibne Abi Hadrade para averiguar se esses grupos preparavam uma campanha contra Medina. Segundo Ibne Isaque, as forças reunidas pelo nacerita Maleque ibne Aufe Anáceri compreendiam os naceritas, juxamitas, saditas, taquifitas e um pequeno contingente de hilálios, enquanto outros ramos hauazinitas não participaram do combate. Duraide, já idoso, acompanhou os hauazinitas na campanha como conselheiro militar. Quando Maleque determinou que os combatentes levassem consigo suas mulheres, filhos, camelos, rebanhos e demais propriedades, Duraide contestou a decisão e recomendou que as famílias e os bens fossem mantidos em segurança e que apenas os guerreiros enfrentassem o inimigo. Maleque recusou-se a alterar seus planos. Os hauazinitas foram derrotados em Hunaine, e Duraide morreu durante ou logo após os combates.

Após as conquistas muçulmanas, numerosos grupos caicitas migraram de suas antigas terras na Arábia para outras regiões do mundo islâmico, estabelecendo-se particularmente na Síria e na Mesopotâmia. A vinculação aos juxamitas continuou a aparecer nas nisbas de estudiosos dos primeiros séculos islâmicos. Abu Hatime Assijistani (m. 869), estudioso da língua e literatura árabes e das ciências corânicas, era também conhecido pela nisba Aljuxami por ter sido maula dos juxamitas. A tradição biográfica identifica, embora com ressalva, esses juxamitas com os descendentes dos juxamitas hauazinitas. Os juxamitas aparecem posteriormente entre as tribos árabes estabelecidas no norte da África. No final do , participaram dos conflitos que acompanharam a expansão dos Almóadas na região. O comandante , ligado aos Aiúbidas, apoderou-se de territórios na Tripolitânia e em Bugia com o apoio dos , e juxamitas e combateu os almóadas. O califa almóada Abu Iúçufe Iacube Almançor reprimiu a resistência e, depois de recuperar grande parte da Ifríquia, transferiu os juxamitas para Tamasna, no Magrebe Ocidental. A transferência fazia parte de uma política mais ampla de Almançor em relação às tribos árabes da região. Considerando os hilálios, juxamitas e soleimitas estabelecidos na Líbia e na Tunísia uma ameaça à unidade política almóada, o califa determinou em 584 A.H. (1188) seu reassentamento em áreas próximas à costa do oceano Atlântico. Grupos juxamitas permaneceram também no Magrebe Central e são posteriormente mencionados entre as populações árabes da atual Argélia. No , enquanto apenas remanescentes permaneciam nas antigas terras caicitas da Arábia Central, os juxamitas estavam presentes no Magrebe Ocidental, correspondente em grande medida ao atual Marrocos.

Bibliografia

Categoria:Juxamitas (hauazinitas)