Duraide ibne Acima (; m. ) foi um poeta, guerreiro e chefe árabe dos juxamitas, ramo da confederação dos hauazinitas, ativo no final da Arábia pré-islâmica e nos primeiros anos do Islã. Pertencia a uma família de chefes, guerreiros e poetas e sucedeu seu irmão na chefia dos juxamitas. Tornou-se uma das figuras guerreiras mais célebres de sua tribo, sendo-lhe atribuída participação em numerosas batalhas e incursões. Duraide participou das Guerras Sacrílegas e de diversos conflitos tribais envolvendo juxamitas, soleimitas, quinanaítas e gatafanitas. A morte de seu irmão Abedalá durante a marcou sua carreira militar e sua produção poética, levando-o a empreender ações de vingança contra os gatafanitas e a compor numerosas elegias em memória do irmão.

Já extremamente idoso, acompanhou os hauazinitas como conselheiro militar na Batalha de Hunaine, em 630, na qual se opôs à estratégia adotada pelo comandante Maleque ibne Aufe Anáceri. Morreu durante ou logo após a batalha sem ter se convertido ao Islã. Como poeta, Duraide destacou-se sobretudo pela poesia guerreira e elegíaca, embora sua obra também abrangesse temas amorosos, descrições de batalhas, amizade e elogio. Autores árabes medievais colocaram-no entre os principais poetas-guerreiros da Jailia, e sua poesia permaneceu conhecida nos séculos seguintes. Seu divã, ainda existente no , perdeu-se posteriormente, mas numerosos poemas e fragmentos foram preservados em obras literárias e históricas.

Vida

Duraide pertencia aos juxamitas, ramo dos hauazinitas, e foi um de seus principais chefes. Seu nome completo é registrado como Abu Anre Moáuia ibne Alharite ibne Moáuia, sendo também conhecido pelas cúnias Abu Curra e Abu Zufafa. Duraide era o nome pelo qual se tornou conhecido, enquanto era o nome pelo qual seu pai, Moáuia, era conhecido. Sua mãe, Raiana, era irmã de , célebre guerreiro e poeta que viveu entre a Arábia pré-islâmica e o período islâmico. Duraide provinha de uma família que ocupava posição destacada entre os juxamitas e na qual se sucederam guerreiros e poetas. Seu pai, Acima, era chefe e poeta da tribo e comandou os juxamitas na , travada contra os coraixitas durante as Guerras Sacrílegas, em 584. Acima morreu em outro combate em 590. Duraide tinha quatro irmãos conhecidos como guerreiros, todos mortos em diferentes combates antes dele. O mais célebre era , seu irmão por parte de pai e mãe, que também exerceu a chefia dos juxamitas. Após a morte de Abedalá em combate, a chefia passou a Duraide, que se destacou como porta-voz, poeta e comandante militar da tribo. A tradição literária da família estendia-se ainda a seu irmão , a seu filho e a sua filha , todos mencionados como poetas.

Duraide tornou-se um dos mais célebres guerreiros dos juxamitas no final da Arábia pré-islâmica. Sua reputação combinava a chefia tribal, a atividade poética e o comando militar, e algumas tradições chegaram a colocá-lo acima de Antara ibne Xadade entre os poetas-guerreiros da Jailia. A tradição atribui-lhe participação em cerca de cem batalhas e incursões, entre elas as Guerras Sacrílegas e a . Petráček igualmente o caracteriza como uma figura proeminente da Antiguidade árabe pré-islâmica e situa sua atividade entre os beduínos das regiões de Meca e Taife. Depois das Guerras Sacrílegas e da morte de Acima, surgiu um conflito entre os soleimitas, que estavam sob a proteção dos juxamitas, e os quinanaítas. Duraide participou da aliança estabelecida pelos juxamitas com os soleimitas contra os quinanaítas, mas durante os combates caiu prisioneiro dos , um ramo dos quinanaítas, sendo posteriormente libertado.

Um dos episódios mais importantes de sua carreira ocorreu durante os confrontos entre os hauazinitas e os gatafanitas. Duraide e seu irmão Abedalá realizaram uma incursão contra os gatafanitas na Batalha de Aliuá e regressavam com grande quantidade de espólios quando os inimigos reuniram reforços e os atacaram no mesmo local. Duraide conseguiu sobreviver, mas Abedalá foi morto. A perda do irmão marcou profundamente Duraide, que compôs numerosas elegias em sua memória e posteriormente combateu os gatafanitas na , na qual matou vários adversários em vingança pela morte de Abedalá. A importância que atribuía à vingança do irmão provocou também um conflito familiar. Sua esposa Ume Mabade censurou-o pela intensidade de seu luto e por sua determinação em vingar Abedalá, ao que Duraide respondeu divorciando-se dela. O episódio foi posteriormente interpretado como expressão da primazia atribuída, na sociedade tribal da Jailia, aos vínculos de sangue e linhagem sobre os vínculos matrimoniais. Duraide viveu até os primeiros anos do Islã, mas não se converteu. Quando os hauazinitas se mobilizaram contra os muçulmanos após a Conquista de Meca, em 8 A.H. (630), já era extremamente idoso. Apesar de sua idade avançada e, segundo a tradição, de estar cego, foi levado com o exército para que sua longa experiência militar pudesse ser utilizada pelos chefes tribais.

O comando das forças hauazinitas estava nas mãos de Maleque ibne Aufe Anáceri, dos naceritas. Ao encontrar o exército reunido, Duraide percebeu pela presença de camelos, jumentos, ovelhas, mulheres e crianças que Maleque havia ordenado aos guerreiros que levassem consigo suas famílias e propriedades. Duraide contestou a decisão e aconselhou que os bens e familiares fossem mantidos em segurança, enquanto os combatentes enfrentariam o inimigo apenas com suas armas e montarias. Maleque recusou-se a modificar seus planos. Na subsequente Batalha de Hunaine, os hauazinitas inicialmente obtiveram vantagem, mas acabaram derrotados pelas forças muçulmanas. Duraide morreu durante ou logo após os combates, sendo morto por , dos soleimitas. As tradições ressaltam sua extraordinária longevidade, atribuindo-lhe mais de cem anos de idade no momento da morte. Seus últimos anos teriam sido marcados também pela perda dos parentes e pela pobreza, atribuída pelas fontes à sua prodigalidade. Já em idade avançada, Duraide manifestou admiração pela poetisa soleimita Alcança e compôs versos amorosos em sua homenagem, propondo-lhe casamento. Alcança recusou a proposta, e a relação entre ambos passou posteriormente à troca de versos satíricos.

Poesia

Duraide alcançou reputação tanto como guerreiro quanto como poeta. Sua produção conservava características da poesia beduína da Jailia e abrangia temas relacionados à guerra, às descrições de batalhas, ao amor, à amizade, à lamentação e ao elogio. As elegias constituíam uma parte especialmente importante de sua obra, sobretudo aquelas compostas em memória de seus irmãos e, em particular, de Abedalá, morto na Batalha de Aliuá. Os autores árabes posteriores atribuíram-lhe posição elevada entre os poetas pré-islâmicos. Abu Alfaraje Alisfaani considerou-o um poeta célebre e, citando Ibne Salame Aljumai, apresentou-o como o primeiro entre os poetas cavaleiros. Alasmai afirmava que alguns de seus poemas eram considerados superiores aos de Anabiga Adubiani. , ao distribuir os poetas em sete classes segundo suas cássidas, incluiu Duraide na terceira, a dos chamados "autores das cássidas selecionadas".

Sua poesia ganhou especial notoriedade pela maneira como tratava a adversidade, a guerra e a morte. As elegias dedicadas a seus irmãos foram preservadas, com números diferentes de versos, por numerosas obras da literatura árabe. Duraide também se tornou conhecido pela combinação entre coragem guerreira e domínio da arte poética, e tradições posteriores afirmavam que Ali chegou a citar alguns de seus versos. O divã de Duraide não sobreviveu integralmente. Ainda existia no tempo de Abu Alfaraje Alisfaani, no , e sua organização foi atribuída a Abu Anre Axaibani, Alasmai e Açucari. Abu Ali Alcali afirmou ter estudado o divã com seu mestre Ibne Duraide. Embora a coleção original tenha se perdido, numerosos poemas e fragmentos permaneceram dispersos em obras literárias e históricas. Posteriormente, Louis Cheikho reuniu parte desse material, enquanto Rudolf Růžička traduziu e comentou poemas de Duraide em checo.

Bibliografia

Categoria:Juxamitas (hauazinitas) Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Poetas árabes do século VII