Os vissungos são cantos de trabalho entoados por africanos escravizados e seus descendentes nas minas de ouro e diamante do interior de Minas Gerais, a partir do final do século XVII. Os cantos eram utilizados para coordenar o ritmo do trabalho, aliviar a fadiga e expressar a resistência e a cultura dos trabalhadores escravizados. Os vissungos são uma das mais importantes manifestações da cultura afro-mineira e um documento vivo da história da escravidão no Brasil.

Contexto histórico

Os vissungos surgiram nas minas de ouro e diamante de Minas Gerais, onde africanos escravizados e seus descendentes trabalhavam na extração de minérios. Os cantos eram entoados durante o trabalho, e sua função era coordenar os movimentos dos trabalhadores, tornando o trabalho mais eficiente e menos penoso. Além disso, os vissungos serviam como forma de comunicação e expressão cultural, permitindo que os escravizados mantivessem viva sua herança africana.

O primeiro pesquisador a falar nos vissungos foi Aires da Mata Machado Filho em seu livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais, publicado entre 1939 e 1940. Machado Filho reuniu 14 vissungos e descreveu suas características musicais e contextuais. Entre 1942 e 1944, o pesquisador Luiz Heitor Correia de Azevedo foi ao Ceará e a Minas Gerais em busca de músicas folclóricas, registrando-as fonograficamente.

Características musicais

Os vissungos são cantos responsoriais, com um solista que entoa os versos e um coro que responde. Os textos são em línguas africanas, especialmente quimbundo e umbundo, e frequentemente fazem referência ao trabalho, à natureza e à saudade da terra natal. Os vissungos são adequados às fases do trabalho nas minas, e cada fase tinha seus cantos específicos.

Marianne North, viajante inglesa que percorreu Minas Gerais na segunda metade do século XIX, registrou imagens de um engenho em Curvelo e descreveu os cantos dos escravizados. Fiandeiras, capinadores da roça e trabalhadores em mutirões de construções enchiam as serras mineiras com seus cantos. Cantava-se até para reclamar do frio: "Auê/Duro já foi senguê" ou pedir chuva: "Ongombe coi i pique".

Importância cultural

Os vissungos são um documento vivo da história da escravidão em Minas Gerais e uma das mais importantes manifestações da cultura afro-mineira. Eles representam a resistência e a criatividade dos africanos escravizados, que encontraram na música uma forma de manter sua humanidade e sua cultura em condições de extrema opressão. O estudo dos vissungos é fundamental para a compreensão da história social e cultural de Minas Gerais e do Brasil.

Em 2024, um grupo musical de Niterói realizou uma contação de histórias sobre os cantos dos escravizados, incluindo os vissungos, demonstrando o interesse contemporâneo por essa tradição.

Ver também

Música afro-mineira Congado Escravidão no Brasil Aires da Mata Machado Filho Cultura afro-brasileira

Ligações externas

Vissungo: o canto dos escravos no trabalho – História Hoje Vissungos: cantos de trabalho, resistência e luta – UFSC

Categoria:Cultura afro-brasileira Categoria:Escravidão no Brasil