Fuaide ibne Alhaçane (; – Constantinopla, m. 1611/2) foi um xarife e emir de Meca de 1603 a 1610, em corregência com seu irmão Abu Aune Idris ibne Alhaçane e seu sobrinho . Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Filho do emir Alhaçane ibne Abi Numai, foi escolhido para compartilhar o governo após a morte de seu irmão Abu Talibe em 1603. Fuaide possuía considerável influência entre os xarifes e mantinha numerosos seguidores armados. No sistema estabelecido após a sucessão de Abu Talibe, ele e Mucine eram mencionados juntamente com Idris nas orações públicas e compartilhavam um quarto das receitas destinadas aos governantes do Hejaz.

A crescente rivalidade entre Fuaide e Idris, agravada por acusações de saques e abusos cometidos pelos seguidores do primeiro, acabou provocando uma ruptura entre os irmãos. Em 1019 A.H. (1610), Idris e Mucine afastaram Fuaide do governo, que deixou Meca após um acordo que o privou de sua participação nas receitas do emirado. Depois da temporada do haje, viajou pelo Egito até Constantinopla, onde procurou apoio da corte do Império Otomano para recuperar sua posição. Permaneceu nos territórios otomanos até morrer em 1020 A.H. (1611/1612).

Vida

Fuaide era filho de Alhaçane ibne Abi Numai, emir de Meca, e irmão de Abu Talibe e Abu Aune Idris. Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Após a morte de Abu Talibe em Jumada II de 1012 A.H. (1603), os xarifes e notáveis de Meca escolheram Idris como emir principal e associaram ao governo Fuaide e seu sobrinho . Fuaide e Mucine passaram a ser mencionados juntamente com Idris nas orações públicas e receberam conjuntamente um quarto das receitas do emirado destinadas aos governantes.

A escolha foi comunicada à corte do Império Otomano e confirmada pelo sultão . O diploma imperial e as vestes de honra enviados aos três governantes chegaram a Meca, e a proclamação que confirmava a corregência foi lida publicamente na Grande Mesquita de Meca em 11 de Safar de 1013 A.H. (7 de julho de 1604). Fuaide adquiriu considerável influência durante a corregência. As fontes afirmam que possuía numerosos seguidores e que sua posição e prestígio rivalizavam com os de Idris. Mantinha ainda um grupo numeroso de homens armados com armas de fogo. Segundo as crônicas, contudo, não conseguia impedir que alguns de seus seguidores praticassem saques e roubos, causando prejuízos à população, circunstância que contribuiu para deteriorar suas relações com o irmão.

A rivalidade entre Fuaide e Idris intensificou-se progressivamente. Além dos abusos atribuídos aos seguidores de Fuaide, as fontes apontam como fatores do conflito a competição por prestígio entre os irmãos e divergências sobre assuntos religiosos e administrativos. Uma dessas disputas envolveu a tentativa de Fuaide de favorecer para uma posição de liderança entre os jurisconsultos de Meca, à qual Idris se opôs. Nesse período, Idris também havia entrado em conflito com Mucine, que se encontrava no Iêmem. Diante do agravamento da disputa com Fuaide, Idris reconciliou-se com Mucine e convidou-o a retornar a Meca, oferecendo-lhe novamente participação nas receitas do emirado. Após a chegada de Mucine, Idris e o sobrinho deixaram de reconhecer Fuaide como corregente. As orações públicas passaram a ser pronunciadas em nome dos dois, sem menção a Fuaide. A disputa provocou confrontos entre os partidários dos xarifes. Ao final, chegou-se a um acordo pelo qual Fuaide deixaria Meca e perderia sua participação de um quarto nas receitas do governo. No final de Rabi II de 1019 A.H. (julho de 1610), foi formalmente afastado do emirado, enquanto Idris e Mucine permaneceram como governantes conjuntos.

Após deixar Meca, Fuaide procurou obter apoio para recuperar sua posição. Depois da temporada do haje, seguiu para o Egito e posteriormente para Constantinopla, onde apresentou sua causa à corte do Império Otomano. Segundo algumas fontes, o sultão Amade I chegou a conceder-lhe um diploma reconhecendo-o como emir de Meca, mas a decisão não resultou em seu retorno efetivo ao governo. Fuaide permaneceu nos territórios otomanos e morreu em Constantinopla. Ibne Bixer e Assimi situam sua morte em 1020 A.H. (1611/1612). Uma composição cronográfica preservada pelas fontes registrou o ano de sua morte por meio da frase árabe que dizia que Fuaide ibne Alhaçane havia morrido nas terras dos rum. Após sua deposição, Idris e Mucine continuaram conjuntamente no emirado de Meca, associação que perdurou até a deposição de Idris em 1624.

Bibliografia

Categoria:Catádidas Categoria:Árabes do século XVI Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Xarifes de Meca